domingo, 10 de maio de 2009

O IMPOSSÍVEL ( POSSÍVEL)


Porque buscamos o que está longe? Mesmo sabendo que é impossível trazer, buscar, içar, o que por alguns momentos, instantes, ou pela eternidade estará tão inacessível?
Não há entendimento racional quando a emoção toma conta do pedaço, isso é verdade sim!
Buscamos preencher aonde não há espaço desocupado, compramos bilhete de uma peça que já esgotou a entrada, queremos ver o filme que ainda não foi lançado, pensamos ser donos do que não está à venda nem hipotecado.
Giramos nessa doideira existencial querendo fazer parte da parte de alguém, assim, procuramos capitanias, e sem sermos herdeiros descendentes queremos tomar posse. Sentimos-nos descendentes dos vinhais, e nem cultivamos as parreiras.
Embriagamos-nos de toda e qualquer possibilidade de abraçar quem nem braços tem, para recepcionar nossa alegria.
Ficamos sós, tão sós, e nem percebemos a multidão que nos cerca, porque nela não há a pessoa que elegemos numa particularidade especial, que é aquela que não precisamos buscar, nem ser encontrados, ela apenas surge e a gente reconhece e por ela somos reconhecidos!
Inebriados pelo desejo, o sonho e a paixão não conseguimos vislumbrar que o possível em algumas situações é momentaneamente impossível, e que metaforicamente o impossível, é simplesmente sempre possível.
Texto: Lígia Beuttenmüller
Imagem: Gloogle Imagens

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A VIDA É ÍNTIMA, ÍNFIMA (?) E PARTICULAR



A minha sede está na proporção do copo d'água; acabou a água, penso em limão, a sede passa! Lígia Beuttenmüller


A nossa capacidade de agir, advém da nossa capacidade de pensar, porque o pensamento é a possibilidade de sobrepujarmos as adversidades ou festejarmos na alma as vitórias.

Uma pessoa pensante, é aquela que questiona introspectivamente; é aquela que vive digladiando-se com as dúvidas e certezas, que consegue colocar a mão no queixo e olhar para os pés , por isso consegue ver aonde pisa. Porém, há pessoas que colocam a mão no queixo e só espantam-se e morrem pelo medo. No entanto os que põem a mão no queixo e olham onde os pés estão plantados, naturalmente querem saber em que terreno pisa.
Os que ficam esbarrando nos dois parâmetros: ora...ora, ou se ...se... Podem perder-se enquanto o mundo gira.

O pensador se encanta e encanta. Ele tira a volatilidade da palavra quando a retira da cabeça, expõe no discurso , registra no escrito , planeja e age.
Do outro lado estão os queixosos que transferem para a natureza, Deus, condições financeiras, sei lá o quê, seus infortúnios. Exigem da vida um compromisso de alerta, a sinalização das oportunidades, - essa é a tônica dos desesperados, no entanto teriam alcançado seus sonhos se criassem a competência do reconhecimento, do discernimento do que por vezes parecia estar tão distante, na realidade estava tão perto(dentro) de si.
Mas há ainda os que consideram que, se tivessem reconhecido as oportunidades , não seriam um contador das histórias dos outros, - estariam contando as suas próprias histórias-, não estariam hoje lendo o script que lhes foi dado por um autor que não sabia nada sobre sua vida.
Há ainda os que conseguem dar um rewind para alcançar o passado, voltam a fita tantas vezes seja necessário para entender o desenrolar das suas vidas e geralmente não conseguem.
É difícil mesmo, assumir que a chegada não deu certo porque direcionamos o olhar para um outdoor que exerceu tanta fascinação que desviamos a atenção para a rota que havíamos traçado.
Mas como se pode chegar a algum lugar se ao menos nem sabemos, com quem, porque, para que, e para aonde vamos? Dificilmente conseguiremos traçar uma rota para tantas vertentes.
Nesse momento, é mais fácil mesmo, culpar a sorte e o destino, do que entender que as nossas decisões são o reflexo dos nossos desejos, dos nossos caminhos, do nosso percurso , do nosso caminhar.
Viajamos pela vida afora e em muitas dessas viagens, nos interessamos apenas pelo local escolhido, esquecemos de planejar o percurso. Fazemos o que nos parece mais fácil, e nem percebemos que a rota foi deixada no automático, permitindo que outras pessoas, direcionassem o vôo .
Ah não! A vida é íntima, ínfima (?) e particular, nascemos sós - os gêmeos são exceção- morremos sós - os acidentes coletivos também são exceção- assim a solidão de cada um na vida ou na morte será sempre , naturalmente só.
Portanto, quando o copo esvaziar, e a sede insistir em permanecer, decida se quer lavar as calçadas por onde passou e refazer sua direção, ou se exasperar, com a água, tão salgada como a água do mar, porque o sabor salino virá das lágrimas que você “imbecilmente” decidiu inundar a sua alma.


Imagem : Google imagens
Texto : Lígia Beuttenmüller
Direitos reservados

quarta-feira, 11 de março de 2009

SOS – INMETRO CANÔNICO E LEGISLATIVO



Alguém, por favor pode me indicar em qual texto bíblico, está inserida a excomunhão? Os dois tipos de excomunhão (pena) para os crimes (pecados) graves: a latae sententiae (automática, que dispensa um processo para sentenciar a excomunhão, como no caso do aborto, por serem delitos de altíssima gravidade) e a ferendae sententiae (decretada após um processo) foram estabelecidos por quem? Se fazem parte do Direito Canônico, foi escrito também por homens assim como as leis brasileiras, no tocante ao aborto em casos especiais, como esse da garota de Alagoinha. Cada um cumprindo o que a lei que eles mesmos (os homens) criam.
Dessa complicação toda, o que li na Bíblia, foi o que Jesus quis dizer quando Pedro lhe perguntou até quando deveria perdoar seu irmão, se até sete vezes. E Jesus responde: “Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete”. Mateus 18: 21-35
O Arcebispo Sobrinho mesmo tendo o curso de Doutorado em Direito Canônico, Especialização em Direito Canônico (1957-1960) além de Teologia Faculdade Carmelita, Roma / Itália (1953-1957), Filosofia Seminário Carmelita, São Paulo-SP (1951-1953) me parece ter esquecido dessa simples conta matemática ( aprendida no Ensino Fundamental) que Jesus tentou ensinar a Pedro. O arcebispo verbalizou em Rede Nacional a excomunhão dos médicos e da mãe da criança.
Por isso continuo à toa ou atéia . Não dá mesmo para ser humana e tentar a santidade vendo os representantes das religiões descumprirem o que Jesus ensinou. Portanto continuo fora da roda, quem sabe perceba melhor o que se passa. Certamente corro menos risco de ficar tonta e incorrer em incorporações de Deus.

NOTA:
Se no Direito Canônico o crime de estupro é mais leve do que o do aborto, não seria mais sensato tarar a balança de novo? Porque esse crime não será o último , outros pervertidos à essa hora estão praticando abusos em crianças nas igrejas, praças e nas casas. Em tempo, esse alerta se estende também aos políticos, para rever as leis de punição para todos os crimes praticados no Brasil.
Texto : Lígia Beuttenmüller
Imagem : Google Imagens

domingo, 8 de março de 2009

MARKETING EXCOMUNGATÓRIO



MARKETING EXCOMUNGATÓRIO

Nesses últimos dias a Igreja Católica está sendo evidenciada nas mídias, pelas declarações do Arcebispo Dom José Sobrinho.
Ele “pode” ser porta-voz da Igreja na excomunhão de profissionais da saúde, que sob o olhar médico decidiram pelo aborto, respaldados na lei criada pelos legisladores brasileiros e no Juramento de Hipócrates.
Porém, considero que o Arcebispo não atentou para o fato de que os médicos optaram pela vida sim, a vida de uma menina que não tinha compleição física para continuar com a gestação.
Persistem em mim algumas perguntas:
Por que as religiões entorpecem os neurônios de muitos? Elas criam leis para atender aos seus interesses internos, penso que quanto mais gente nasce, mas possibilidade há das igrejas ganharem dinheiro com batizados e casamentos. Aliás, a riqueza é abominada na Bíblia, mas no Vaticano tem até Banco para guardá-lo, e outras Igrejas tornaram-se impérios religiosos porque arrecadam muito, muito dinheiro.
Os religiosos citam que ” é mais fácil um camelo passar por um fundo de uma agulha, do que um rico entrar no céu” . E não venham falar em metáforas, pois quando os versículos (Mt 19,23-26; Lc 18,24-27) bíblicos dizem “rico” ele quer dizer “rico”, se Jesus quisesse dizer “aquele que tem apego as coisas matérias” estaria escrito “aquele que tem apego as coisas materiais”.
Outro questionamento é que sabidamente os chefes religiosos têm plano de saúde, e essa pobre menina irá depender do SUS (Seu Último Suspiro) para compreender, e sublimar tamanha tragédia em sua vida, em sessões semestrais e ficará velhinha até ser dispensada do tratamento, dada a distância entre as sessões terapêuticas. Os gêmeos tiveram sua “viagem apressada” pela lei dos homens, segundo o Arcebispo, mas deixa em mim certo alívio - foram para o céu- um lugar que os religiosos asseguram que é para os bons e inocentes, (afirmação dos que nunca foram lá).
Embora a maioria das pessoas fale tão bem do céu, não conheço ninguém que queira ir AGORA, eu, por exemplo… NUNCA!
Por que esses piedosos não oferecem um resgate digno para essa menina? O tratamento psicológico que o governo vai assumir não mata a fome nem a miséria, mas dinheiro sim.
Por que as Igrejas não começam a pagar impostos e estes passem a ser revertidos em ações para melhorar as condições humanas? Que tal um CPMF Episcopal?
A vida é ruim para os desprotegidos pela lei humana, porque o resultado da lei divina só será (?) conhecido no julgamento final, mesmo que alguns insistam em assustar aos menos avisados, eu na realidade nem ligo para esse tipo de informação!
Mas se a ida para o céu não dependesse da morte gostaria de ficar à porta para ver quem iria entrar, e certamente ficaria surpresa em ver muitos Corretores Celestes descendo na escada rolante que adentra ao inferno.

NOTA:Corretores Celestes - os que vendem terrenos aos fiéis, cuja propaganda da cidade celestial está no livro do Apocalipse 21:10. Eles vendem moradia por uma módica prestação mensal de 10% ou pelo tamanho do convencimento, sobre tudo que ganham (conheci uma senhora que dava a metade do salário). Morreu. Talvez um dia eu saiba se ela recebeu as chaves da morada.
TEXTO: LÍGIA BEUTTENMÜLLER
IMAGEM- GOOGLE IMAGENS

sexta-feira, 6 de março de 2009

QUANDO A EXCOMUNHÃO VIRA NOTÍCIA INTERNACIONAL





Bastou um Padre enviar uns profissionais éticos para o inferno , e a mídia tomar conta de tal fato.
Muito interessante a Igreja ilustrar através de um Padre sua ignorância histórica sobre esses arroubos de excomunhão!
Dom José Cardoso Sobrinho, coitado, esqueceu que o retorno do inferno para o céu, já foi reenvio pragmático de pelo menos um Papa , salvo engano João Paulo II, que deu o passe de retorno para Galileu Galilei depois de trezentos e cinqüenta anos de uma vida “infernal” – em 31 de Outubro de 1992 - .Como é fácil a Igreja Católica administrar essa ponte aérea Céu-Inferno.
O ilustre Dom José Cardoso, pega o passaporte dos infiéis e determina a viagem, sem escala , para o inferno, esquecendo que as leis de Deus foram escritas por homens. Ora , a cada Constituição modificam-se , incluem-se leis respaldadas nas necessidades da sociedade contemporânea de se organizar mais “justamente”.
Um padre cujo sobrenome é Sobrinho, é e pode ser parente de alguém, no entanto nunca foi pai, nem mãe de ninguém. A vítima é apenas uma criança de 09 anos que corre o risco de morrer, porque foi abusada por um excremento de gente , com instintos inomináveis de um homem mal projetado pela natureza e que se vale da impunidade para atender sua indecência sexual, estraçalhando uma vida, que nunca acreditará no amor, porque foi levada ao sexo antes de entender e viver o fascínio que essa emoção tão contagiante impele naturalmente para o prazer.
Admiro-me? Como um eclesiástico, levanta a bandeira da preservação da vida, numa gravidez de risco, onde a mãe pode morrer para dar a vida aos gêmeos. Pelo meu conhecimento bíblico, só um homem, dizem, deu a vida por nós.
Acho que esse Padre não leu a Bíblia toda, porque no Velho Testamento valia o fim, desprezando-se os meios, senão a Aldeia de Ur, não teria sido aniquilada, dizimada pelo propósito dos “Sem Terra Bíblicos” em se apossar da prometida Canaã. Naquela população quantas mulheres grávidas foram mortas pelo escambo de um pedaço de terra? Observe Padre sem dom, que a terra era do mesmo tamanho que é hoje, havia tanto espaço, que um dia eu nasci num lugar que não fazia parte do roteiro de Moisés.
Homem vá cuidar do rebanho que freqüenta a sua igreja , e reze, reze muito, para que o Padre que a administra seja na periferia ou no centro, em Roma ou na longínqua Alagoinha, não faça parte, nem seja inserido na lista dos padres pedófilos, tão comuns na história sangrenta da sua Igreja.
Em tempo, repito, não sou atéia, to é à toa nessa vida! Vivo fugindo da morte e das leis e dogmas que permeiam as religiões. FAÇO O BEM, OLHANDO SEMPRE A QUEM!

Imagens Google Imagens
Texto: Lígia Beuttenmüller - Direitos Reservados

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ANÁLISE LÉXICA OU BRINCADANDO COM OS SINAIS



Era domingo. Ele estava com os pseudo-neurônios rodopiando na cartilha onde morava , foi pensando em tanta coisa ao mesmo tempo que fez imensas paradas , analisando os sinais dos "porém’s" que iam surgindo em seus pensamentos.
Ia se surpreendendo e descobrindo como eles enobrecem a escrita. Passou a observar a funcionalidade deles nos textos e vê-los como vestimenta e adornos das letras escritas quando o sinal sobe para ¨apostrofar¨, e principalmente se esse mesmo sinal se junta para envolver de mistério a palavra nas aspas.
começou a fazer uma análise maluca sobre eles e foi se apaixonando pelas reticências, pelas exclamações e todos os outros, inclusive por si próprio.
Começou então sua análise pelos pontos finais, e conceituando que eles são representantes do término da busca, ou o início de novas partidas, ou ainda simbolizando os encontros quando se sobrepõem (:) , na chegada a alguma conclusão ou nas despedidas ao nunca mais.
Notou que cada vez que uma reticência aparece, parece que a gente está querendo mais fôlego para retroceder e voltar para onde nos perdemos, correr ou parar para pensar , ou ainda para permanecer remoendo esperanças.
Contemporizou... as vírgulas, são pontos com rabinho ou são rabinhos com cabeça? Elas servem para dar compasso ao ritmo textual, são amigas do ar pausado e quando se junta ao ponto se enche de justificativas. E quem não fica satisfeito em saber que as vírgulas, condicionam a parada para o entendimento de uma explicação?
Daí pensou na interrogação e... Acho que ela surgiu da exclamação, que de tanto perguntar foi se contorcendo, se inclinando... Para ouvir num intimismo as respostas, quase dando uma volta em si mesma, e como numa semi- introspecção apoiou- se num ponto para não perder a sua referência nem seu equilíbrio. Elas não se importam com as respostas recebidas se positivas ou negativas, e mesmo que sejam um sim, não se voltam para cima, não se desentortam , permanecem na dúvida (serão sábias ?).Lembrou-se então dela na grafia espanhola, elas se sentem tão sozinhas que uma fica de cabeça para baixo e a outra para cima olhando-se vesgamente, como se quisessem aprisionar a sonoridade da pergunta e se impor às respostas para não serem esquecidas.
Ele empurrou as idéias para outra página, ficou indeciso se pensava num “tom” grave, ou agudo, mas preferiu um hífem para causar um compasso da espera. Pegou um “chapéu” (^) convidou amorosamente o Ç e foi para a casa do til (~), sem tremër.
Ele, ele era apenas um Ponto( .) que brincando de escrever com uma vírgula ( , ) formavam um ( ; ).


P.S. Assim, os “pontos” representam nossas emoções na leitura que fazemos do mundo !
TEXTO E IMAGEM : Lígia Beuttenmüller
Direitos Autorais Reservados

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A DECÊNCIA DO SABER

“Dois e dois são três” disse o louco.
“Não são não!” berrou o tolo.
“Talvez sejam” resmungou o sábio. Skepsis

No campo sagrado onde faço minhas reflexões fiz uma viagem bucólica quando li essa frase, mesmo assim a ingenuidade foi perdendo-se e eu pude me desvencilhar da ilusão para compreender a realidade que ela me trouxe.
Acho interessante como é difícil entender as pessoas, totalmente.
Estou diante de três pessoas (que não são unas) e que por causa das suas assertivas foram classificadas de acordo com suas respostas ... Questiono se o “louco” não poderia ser simplesmente um analfabeto funcional matemático; se o “tolo” seria alguém bastante teimoso e não necessariamente um desconhecedor de números, ou ainda, um romântico ou filósofo que estaria contestando uma pseudo-verdade. Porém o sábio é um sábio, Salomão que o diga! A sabedoria dele estava respaldada na dúvida , e foi a dúvida quem decidiu quem era a mãe da criança.
Na frase inicial do texto as pessoas estão diante de uma pergunta que os incita ao questionamento de como viam os números, suas combinações e os seus resultados.
Mas quem deles estaria certo? Todos. Cada um com um mundo matemático diferente em sua cabeça. Considero que a verdade de cada um é a sua lealdade a si mesmo.
Verdades são a construção do entendimento que fazemos sobre pessoas, coisas e números. Elas não são invariáveis, sofrem mudanças naqueles que têm mobilidade no olhar e se incomodam sobremaneira com a estagnação. Não há verdade plena nem absoluta, há sim a verdade da hora, que quando modificada, não assume ares de mentira. O que seria da ciência que condenou por décadas o uso do café e hoje já divulga seus benefícios à saúde?
Concluo que sábio é aquele que desconfia, sempre desconfia e, sistematicamente elabora rumos para que a incerteza não perca a sua elegância e a sua modéstia.
Assim, os que escolhem a certeza perdem o privilégio de serem considerados, pelos menos momentaneamente, sábios.
P.S. Na mitologia grega, Atena, deusa da guerra e da sabedoria, tinha uma coruja como mascote. Os gregos consideravam a noite como o momento do pensamento filosófico e da revelação intelectual.
A coruja, por ser uma ave noturna, representa a busca pelo saber.

Texto Lígia Beuttenmüller
Imagem: Google imagens
Direitos autorais reservados

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A SOLIDÃO E O ESPELHO

A SOLIDÃO E O ESPELHO

“Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma." Fátima I. Pinto.



Senti saudades do Aurélio e dei um tempo ao Google, queria buscar um sinônimo para terminar de digitar um texto científico. Ai pensei na solidão dele – a do dicionário- ao qual fui desprezando sua companhia depois do advento da informática e com ela o surgimento dos sites de busca. Por causa disso resolvi hoje, falar sobre ela - a temida solidão.
Pensando, descobri outras solidões, por exemplo, a da palavra sem som, que por mais bem escrita, grafada, será apenas lida, e não terá o charme, nem a força da palavra dita.
Diante desses devaneios, comecei a lembrar de quantas pessoas do meu ciclo de amizade , “detestam , odeiam “ a solidão e comparando minha vivência e a minha estreita relação com ela ,
percebi o quanto essa "coisa medonha" me faz bem.
E lá no dicionário vi que a palavra "solidão" significa: estado de quem se sente ou está só. Pareceu-me que a maioria sente, como se realmente estivesse faltando algo ou alguém, daí conclui que talvez seja o medo que as pessoas tem de confrontar-se, pois não haverá ninguém para perguntar ou responder, só elas a elas mesmas.
Interessante como a solidão é tão importante para o meu equilíbrio interior, eu a utilizo como espelho, para na prática reproduzir a imagem de mim mesma, a quem elogio e recrimino, abençoo, ou abomino, por isso a considero como minha única companhia verdadeira, e não a dispenso , nem que eu esteja numa multidão,
dada a sua importância em minha vida.
Minhas dúvidas, eu posso espalhar ao oriente, ao ocidente, ao norte e ao sul, e incumbir ao vento de distribuí-las aos “fofoqueiros de plantão” tornando coletiva minhas inquietudes,
no entanto somente dentro de mim,
é que o vácuo se fará e terá eco para responder as minhas interrogações.
Desta forma, estar só, é questão de preferência existencial.
Os acessórios em qualquer contexto sempre poderão ser dispensados ou trocados (pessoas ou objetos), no entanto a essência, essa é, imprescindível para acopla-los. E nunca eu poderia dispensar-me de mim mesma, pois a solidão é meu adorno.
O espelho é o instrumento que nós mulheres usamos para poder passar baton, e eu aproveito sua utilidade , empresto-o a minha solidão , para que ela possa "xerocar "
a minha alma.

Texto e imagem : Lígia Beuttenmuller
DIREITOS RESERVADOS

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Mr. JAMES

JAMES

Aquela era sempre a hora de acordar, havia disciplinado seu relógio biológico para despertar, e este era tão fiel ao seu comando que nem era necessário dispor essa tarefa para um equipamento com mecanismo digital ou analógico.
Num dia de seu aniversário, tempos atrás rcebeu de presente um relógio belíssimo com designer infantil, (parecia um brinquedo desses vindo do Paraguai), era um relógio com formato de galo que quando programado para despertar abria a “goela” e soltava o sonido que um galo faz ao amanhecer.
No início do uso, ficava encantada com aquele som nostálgico, que lembrava a roça, a granja, de qualquer lugar interiorano. Mas ao passar do tempo, foi perdendo o encanto de ser acordada pelo som de um galo em plena metrópole, porque ao abrir a janela do apartamento,
enfrentava o caos sonoro de uma cidade que gira em quatro rodas.
Passou a questionar sobre a ilusão e a certeza, então decidiu dispensar o som romântico e bucólico embora tivesse que enfrentar o concreto.
Preferiu sair dos minutos surreais , retirou as pilhas do despertador e deixou-o guardado num armário. Não queria mais enganar-se com um galinho de mentira.
Por ser acordada sempre na mesma hora, aproveitou o hábito para treinar acordar sem que fosse despertada por qualquer dispositivo.
Conseguiu.
Agora não precisava mais ouvir nenhum som para pular da cama. Pouco tempo depois , arrumou as malas e foi morar na cidade em que havia nascido, no interior paulista, aonde os galos cantavam de verdade.
No caminho de volta para casa sorriu, lembrando que o novo inquilino ao abrir a porta da sua ex-moradia , iria ser recebido por um galinho sem pilhas, o James.
Texto e Imagem : Lígia Beuttenmüller
Direitos Autorais Reservados

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Keep walking

ETERNIDADE PARA QUÊ? PARA QUE...
Ah! O nome eternidade enfeitiça meus olhos e embriaga a minha lucidez porque tudo que temos seja representado por coisas e principalmente por pessoas nos faz querer que seja para sempre, desde que nos dêem o retorno do prazer.
As alegrias, as esperanças, as pessoas, os amores, o dinheiro, queremos que durem, durem, e nos entristecemos se eles nos abandonam, por isso nos angustiamos na ante-sala das perdas.
Desejamos que o amor nunca terminasse, cremos que ele está de costas para o “acabou”, simplesmente porque o queremos infinitamente.
Ora, se o amor faz parte da vida, e sem ela não podemos amar, porque não nos preocupamos com a certeza de que um dia a vida vai acabar? Não amamos a vida e as coisas boas que ela nos oferece? Não sofremos com as perdas, sejam elas quais forem?
Aqui não queremos discutir o que é realmente viver, porque isso é circunstancial, e nivela as expectativas que as pessoas mantêm nas esperanças e na realização dos sonhos, e de como elas quantificam ou qualificam seu modus vivendi.
Agora, sejamos sinceros, não queríamos ter a chance de conhecer nossos trinetos, sobrinhos-bisavós ou ter conhecido nossos ancestrais? Claro que sim! E tudo isso não acontece porque o tempo não nos dá tempo, pois fatalmente, morremos.
Como sair dessa deixando tantos planos inacabados, tantos encontros sem possibilidades de se realizar, tantas invenções que historicamente serão construídas, tantas descobertas que serão feitas e nem estaremos aqui para desfrutar, como os que já se foram sem saber que a ciência da informática iria possibilitar a informação rápida e as viagens sem passagem ticketada.
Repito é uma pena , que a solução de continuidade da vida consiga decepar, sem nossa permissão tantos sonhos, possibilidades e desejos.
A propósito, a natureza optou por esse desfecho e certamente, se houvesse trilhado outra vertente, teria achado a solução para conservar as células e elas não envelheceriam, obviamente, não perderíamos a vitalidade.
Por isso, faço amigos, conservo amores, brinco com as tintas e as palavras, e brindo la vie com Johnnie Walker, buscando então a imortalidade, pois sei ainda não há outras formas de me eternizar.

Créditos de Imagens: Google Imagens e Lígia Beuttenmüller
Texto: Lígia Buttenmüller

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

SEI LÁ...

SEI LÁ...
Li e reli o texto "Poéticos dias de Sol" no Blog -A beleza está nos olhos de quem vê- que é de uma amiga (LIZA) que reside atualmente na Austrália, e fiz uma reflexão profunda sobre as perdas e ganhos que permeiam a nossa existência. Mas a vida é assim para todos nós, no entanto alguns por serem talvez mal observadores não percebam essa dualidade, nem lastimam o prejuízo. A natureza é quase perfeita quando nos dá o dia, mas nos rouba a noite; chegamos à vida adulta, mas perdemos a infância e a adolescência, mesmo que permaneçamos crianças por dentro. Quando conquistamos a liberdade, deixamos de ser “controlados” por quem em algumas vezes (errôneamente?)quer nos dar a certeza da solidez dos laços afetivos. A morte é a única asneira da natureza, pois fazer uma máquina tão perfeita que identifica cheiros, metaboliza alimentos, vive energeticamente ligada a água, ao sol, ao ar e a terra, tem emoções espetaculares e horrendas, mas se desmantela e se desintegra , acaba, morre , por causa de uma simples topada,
ou uma gripe mal curada, não é justo, nem nunca será!!!
Não é justo que a vida nos permita criar laços com pessoas e coisas e tudo se desate e o que é mais impressionante, sem prévia consulta ou informação.
Sinceramente, se ela, a natureza houvesse me pedido opinião e aceitasse a minha argumentação, (egoisticamente, penso) seríamos todos que já nascemos um renovar biológico sem fechamento do ciclo vital.
Que campeonato é esse que ninguém sabe aonde e como vai ser o jogo que vai decidir a permanência ou a expulsão? Pô não dá para ficar empate? Ninguém nasce ninguém morre. Partir pra quê? Aqui é o meu lugar, e não quero jamais trocar esse mundinho/ mundão, - cruel às vezes- por nenhum manjar que eu não conheça a receita. As delícias do porvir me encantam, mas não me seduzem.
Eu quero estar aqui, de verdade, comendo Peru da Sadia ou de outra qualquer marca, não só no Natal, mas quando a lembrança dele me salivar a boca.
P.S. Será que lá tem Peru assado, ou só tem forno no Inferno?

Créditos Texto e imagem : Lígia Beuttenmüller
Direitos Autorais Reservados

domingo, 25 de janeiro de 2009

Nossa sombra é igual a nossa altura (TALES DE MILETO)

USA-United States of America -
USE para a PAZ !!!

Não sei com iniciar a falar sobre a esperança de um povo. Os sonhos e desejos pessoais são mais fáceis de exprimir.
Porém creio na esperança, e nas vestimentas que ela usa para permanecer na alma das pessoas. Abençôo antecipadamente àqueles que historicamente puderam fazer uso do poder político para abrandar guerras e suscitar a paz. Acredito que estes privilegiados souberam aproveitar o poder imposto pelo voto popular, ( na democracia ) fazer –se uma extensão do desejo de concretizar a vontade do estado de felicidade- por ter uma casa, um emprego, e experimentado os cálices de mel.
Muitos pesquisadores e autores tentam explicar o poder do poder. Eu, na minha visão ínfima, costumo analisar friamente as celebridades, no contexto político, artístico, ou econômico e vejo quantos, (e são muitos) , que cegos pelo poder, pela fama e pelo dinheiro , vendem a alma (não sei a quem- até aonde a minha compreensão chega, o diabo não tem banco como o Vaticano- daí fica difícil comprar alma sem dinheiro. Gastar é fácil – amigos às vezes pagam.
Admiro os que conseguem comandar, países, fiéis, e investidores, porém agora, me atento aos estadistas, e a sua descendência política. Sob o meu olhar, vejo o quanto ( muitos) são insensíveis ao voto popular, que na democracia nada mais é que transferir a possibilidade de decidir. E decidir pela melhoria da maioria a quaisquer níveis em que se encontrem os cidadãos.
Escrevo sobre a eleição do mais novo representante do povo, Barack Obama, que tem um nome estimulante, pois começa(em português) com um OBA- sinônimo de coisa boa, e termina com a sílaba MA, que pode iniciar qualquer outra palavra , mas que certamente nos remete inicialmente a primeira ou segunda palavra que a gente diz quando aprende a falar ( mamãe- abrigo).
As atitudes falam do que o coração está cheio, e considerando a música um alívio /inquietude para a alma, soube que ele convidou Areta Franklin para adornar sua posse, e nessa atitude vejo a concretização de valorizar a sua etnia, coisa que o brasileiro Pelé, não soube (sabe) fazer, mesmo tendo tanto tempo de reinado ( Obama , apenas dias).
Pelé é mais músculo que cérebro e coração, mesmo que a natureza tenha tentado lhe ensinar geograficamente – ele nasceu em Três corações- ele não percebe essa elasticidade, que pena!!! Então a Biologia com a reprodução insistiu em dar-lhe gêmeos, para ensinar-lhe novamente a elastecer o coração, mas não tem jeito, ele será apenas um erro histórico, que nem Xuxa, nem eu, nem ninguém consegue explicar.
Voltando a Obama, eu me irmano aos americanos, não tão somente dos EUA, mas a todos das Américas, e acredito e almejo que as esperanças não vão ficar apenas no nível da utopia. Confio que ele saiba usar o poder político para dar ao povo a certeza de que votou no “cara” que tem a cara dos movidos pelo reconhecimento de que a estrada é longa, e difícil, mas que o poder não é um controle remoto e sim a possibilidade de decidir por e para todos, naturalmente para o bem de todos e infinitivamente para a paz interior e do mundo.

Créditos do texto -Lígia Beuttenm¨ller

Imagem - Google Imagens


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Namaskar


Namaskar
Sempre vou ao meu Blog, e procuro com ansiedade o que comentam sobre o que escrevo. Encontro comentários, que lógico , afagam a minha alma, e percebo pelo contador de visitas quantas pessoas me honraram com sua visita, no entanto alguém inusitadamente posta comentários com o codinome Anônimo,( me dá saudades do Cazuza) o que instiga a minha curiosidade. Quero nesse texto agradecer a todas as pessoas que tecem palavras tão incentivadoras às minhas "loucuras literárias", e hoje em especial ao Anônimo.
Pego carona na estréia dos Caminhos da Índia, então insiro a imagem retirada do Google que representa "A divindade em mim sauda e reconhece a divindade em ti" , para ilustar o meu agradecimento ao comentário feito no texto "Flora? Flora é uma Fauna- os animais que me perdoem" quando ele se desculpa por elogiar tantas vezes o que eu escrevo, e como resposta publico essa homenagem:
Olá Anônimo, você sabe, sabe sim, que o aplauso está para a arte como o oxigênio para a vida. Portanto só tenho a agradecer toda ternura que você passa ao comentar o que lê. Fico extasiada com seus elogios. Sei que outras pessoas leem (não tem mais acento, não é?) - mas por não saberem como adicionar o comentário, ( a janela do comentário é um pouco complicada) deixam de faze-lo, ou não gostam de expressar seus (des) contentamentos. Enquanto isso, você me presenteia sempre quando externa a sua sensibilidade ao meu "banho de linguagem".
As pinturas eu as faço com um programa da Pixarra, e estão fazendo parte de um projeto posterior , que será uma coleção de cartões com imagem e textos. Tanto nas letras como nos pinceis sou autodidata. Esse ano decidi fazer Jornalismo , e me sentir à vontade e com mais propriedade para expor os meus pensamentos.
Quanto à "perfeição" tento e busco-a todos os dias, quem sabe consigo a imortalidade, mas não gostaria de ser única nessa conquista. Não morrer seria perpetuar-me e não me contentaria estar sozinha nessa condição.Gostaria que esse desejo não se cristalizasse na utopia, e que eu e muitos conseguissemos derrotar a morte como Sabin o fez com a Poliomielite.Para tanto, se me perguntassem quais animais eu admiro, eu diria que a tartaruga me encanta , pela sua longevidade, o que me daria mais tempo para driblar a morte, e os pássaros por sua possibilidade de voar, o que me levaria fisicamente aonde o meu coração me instigasse.Mas acho que tartaruga tem uma carapaça muito dura para acoplar asas e aprender a voar com tal carenagem é ofício para Richard Bach. No entanto, compreendo que asas não são propriedades da GOL e da TAM, eu assevero românticamente que "Longe é um lugar que não existe", portanto, sair daqui e estar lá, é uma questão de sobrevivência da alma.
Bom, os sonhos nos fazem etéreos e sutis, a arte nos imortaliza, a música embevece nossa vida, porém os Anônimos e os Indentificados garantem a nossa persistência.
Um abraço afetuoso, SEMPRE!
Grata mais uma vez.
Texto: Lígia Beuttenmüller
Imagem: Google Imagens
Direitos Autorais Reservados

domingo, 18 de janeiro de 2009

A FLORA? A FLORA ERA UMA FAUNA!!!- Que me perdoem os animais.

A FLORA? A FLORA ERA UMA FAUNA!!!- Que me perdoem os animais.
O Brasil parou para ver o final de A FAVORITA. E o sucesso da novela se deu a meu ver, pela trama sórdida que emaranhou os capítulos do início até ao fim da novela favorita dos brasileiros.
Ouço comentários de que a televisão é uma ótima incentivadora dos maus costumes, no entanto, vejo a família achar que o melhor entretenimento para os filhos, é a TV, principalmente quando chegam visitas. E nunca conversa com eles, sobre os comportamentos dos personagens, isso porque não a interessa discutir com os filhos o que a arte copia da vida.
Tivemos na obra de João Emanuel Carneiro a oportunidade de rever e refletir valores morais, conceitos e desfechos. Lógico que alguns , como o do político regenerado, não ultrapassa a ficção, como também a reversão inusitada da sexualidade do Orlandinho, foi apenas um equívoco, porque ele não era essencialmente homossexual, era um Bissexual, e se deu bem chupando frutas dos dois pomares, portanto não se tornou um ex-gay, simplesmente esolheu um dos lados do muro. Céu, era realmente o paraíso, saiu do anonimato tão peculiar aos pobres, para adentrar numa família burguesa, e ter um filho como promissória a descontar posteriormente na pensão alimentícia, que qualquer um que fosse o pai, teria que assumir , pois é a única lei que funciona no país!
Danatella, foi realmente a dona da telinha global, festejou com esse papel seus 25 anos de carreira artística, aprisionou os corações da massa, pois era a coitadinha sacaneada quase que por todos, mas venceu a FLORA /FAUNA, que tinha mais instinto de bicho do que rastro de perfume de flor.
Não ficou claro se o pai (Léo) era o avô/pai, ou era o molestador da filha, mas para ele restou a pena de entregar cestas básicas à população desassistida da pequena cidade cujo prefeito estava mais preocupado em polir as “pontas” que cuidar da população. Mata-se a fome de alguns, para empanar a destruição emocional de muitos.
Dois fatos chamaram mais profundamente minha atenção: A lição subliminar do posicionamento moral que o autor dá através de Lara, que mesmo sabendo ser filha natural de Flora, tem a coragem de atirar na própria mãe, cujas atitudes criminosas, são tão naturais para os tresloucados, apostando sempre num " gran finale" para as suas atrocidades porque sabem da impunidade que permeia a justiça brasileira .
No bloco final, nos deparamos com duas buscas ao encontro da felicidade quando Lara resolve procurar Halley o cometa da paixão e do amor que habitava o seu coração pois o desorientado Cassiano não teria uma morada confortável nesse lugar .
E como a Globo mesmo na ficção, teme desagradar a gregos e baianos, empanou a decisão de Catarina dançar com a Stela um Tango “caliente”, mas deixou claro que é melhor uma viagem para o desconhecido e o não experimentado, do que ser mais uma amada , que não ama.
Certamente que os primeiros capítulos dos Caminhos das Índias nos levarão a algum lugar, talvez, como folhas soltas ao vento em busca de novas especiarias!
De tudo, fica a música Um beijinho doce, que nos faz lembrar de alguém que se nos deixou mordendo os lábios... Valeu pelo Beijo!
Texto e imagem :Lígia Beuttenmuller
Direitos Autorais Reservados

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

PACTE AVEC LA BELLE VIE


PACTE AVEC LA BELLE VIE


Mais
um ano
se finda
e para aonde irão os faróis
que iluminaram nossos caminhos,
quando mudarmos de estrada?
Aonde se esconderão as pessoas
que um dia fizeram parte do nosso cenário
e por trocarmos de cena elas saíram do palco?
Onde estarão nossos amores que se hospedaram em nosso coração no ano que passou? Como reencontrar os sonhos acalentados e que não conseguimos realizá-los?
Como recuperar a oportunidade que passou à nossa frente e não a reconhecemos? Quais os planos que havíamos determinado e não conseguimos realizá-los? Em qual parte do percurso eles se perderam de nós ou fomos nós que nos perdemos deles?
Por onde andarão essas lembranças, vão povoar apenas o passado?
Naturalmente que os descaminhos nos desviaram do instante para nos embrenharmos na busca do que muitas vezes nem sabíamos identificar, por isso...
Crave seus sonhos
Na pedra, no chão
No papel, no cérebro
Aposte no tempo
No vento
No sol, na chuva
Desafie a memória
Drible o esquecimento
E tente mudanças de rota,
Escolha caminhos, atalhos, e rios
Pise mais forte, ou
Crie asas, e voe
Contorne...
Enfrente...
Mas não perca o ponto que certamente
Estará sendo seu norte ou sul
O Novo Ano virá
Que seja bem-vindo!
Sele com ele o seu compromisso com a vida
A melhor vida que você
queira ter.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

ELA E A NAMORADA

E sem parafrasear Carlinhos Brown ao menos no tempo verbal, elas estavam no passado, numa casa com quintal e jardim, colhiam flores e frutos, e semeavam os dois. Tudo era paraiso , nele elas voavam, caminhavam, plantavam , colhiam, sonhavam , e viviam...
Viviam, toda intensidade que só os apaixonados reconhecem, e aproveitam. Sabiam a pressa que o tempo instiga aos que usam relógio e não paravam de contar os dias e as horas. Mesmo que nadassem no seco, flutuavam em nuvens com os pés no chão.
Se enfeitavam de promessas mútuas, o nunca que era advérbio para expressar o perpétuo, passava a ser verbo ( ser, estar, ficar, permanecer,) fantasiado do jamais, pois etimologicamente um advérbio raramente modifica um substantivo. E por saber que ele ( o advérbio) pertence a classe gramatical onde a palavra indica as circunstâncias em que ocorre a ação verbal, elas maestralmente flexionavam o nunca , simbioticamente agregado ao acaso que só a certeza tem para a verdade do agora. Acreditavam que o NUNCA era a pedra fortalecida pela paixão e adornada pelo amor.Teciam a rede da existência amorosa como aranhas, para aprisionar o sentimento, envolvê-lo de tal forma que as loucuras eram apenas a lucidez do desejo, não tão somente carnal, porque extrapolavam o corpo, o espírito , a alma e a maledicência dos que não sabiam respeitar os diferentes.Mesmo envoltas em sonhos, viajavam também de verdade, com malas, cuias e passaporte. Iam a todos os recantos aonde os dólares, euros e reais as conduziam, a bússola orientada pelos sonhos, as levava às praias, aos oceanos, aos montes e planícies. Quando as circunstâncias as separavam por motivo de dor ou trabalho, pactuavam os caprichos, nada seria mais importante que reconhecer que não eram pedaços, mesmo estando espacialmente separadas, eram completude pois não necessitavam parecer fragmentos para se completarem. Eram inteiras, tão compactas em si próprias, que quando o amor acabou, a separação as deixou intactas , para que um dia, alguém pudesse ver que não estaria recolhendo pedaços, e sim uma pessoa que preferiu sorrir e chorar sozinha, por reconhecer que aquele amor encontrou uma porta para sair, pois havia perdido a chave da permanência.
É assim que os amores se vão! Sem pecado, sem culpa e sem remorso. Estão SEM à procura do COM, mesmo que tenham que acrescentar um " ponto" e um "br" para novamente sentirem-se donos, proprietários, ou inquilinos da FELICIDADE.


Imagem e texto de Lígia Beuttenmüller


Direitos reservados

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

LENÇO YES

Mensagem a um AMOR VENCIDO com síndrome de VENCEDOR

Antes, bem antes , vivia se apaixonando, bastava um afago, um olhar mais penetrante e ela derretia o “gelo” que envolvia seu coração, mas de tanto expor-se ingenuamente foi se desencantando, precavendo-se e amarrando-se em si mesma, não dava trégua a qualquer possibilidade de invasão. Achava que era preciso “selecionar” para não sofrer. Pensava que restringindo as entradas, impedia as saídas. Num descuido qualquer, sabe, naqueles dias/horas de fragilidade , abriu as portas, as janelas , e as entranhas. Sentia-se desamada portanto, desarmada . Nessas condições estava favorável aos ataques de leões ou cordeiros mesmo assim, pensou que poderia encontrar paragens, oásis , ai, arriscou sem pestanejar, sem titubear, sem tremer nem estremecer, havia chegado a hora de sair da toca. Abriu a passarela, deu vazão aos sonhos e desejos, entregou-se por noites, dias, pelo simples crédito de um agora com gosto de p’ra sempre. Experimentou nas cinco estações ( incluiu as da rádio) e nos seis sentidos (incluiu o prazer), o céu e o inferno de um amor desvairado.
Flutuava da rede para a cama, da sala para a varanda, espaços estritos e restritos demarcados nos seus recônditos internos. Era parceira e espectadora fiel do mar e rio, do céu e estrelas, do vento e chuva. Permitia a si própria experimentar o deleite dessa turbulência calma, que abrangia totalmente seus extremos. A cada encontro com o amor, parecia que a avenida alongava um caminho sem fim, nele, apenas identificava o horizonte, e quando ficava próxima dele, notava que a estrada se alongava ainda mais. Tomava essa visão como uma promessa de eternidade. Acreditava piamente, porque tudo se revestia com a carapaça do real, e ela, CRÉDULA OU LOUCA, incrustava a cada prazer um jorrar de pérolas em seu tapete de chão... Quando chovia era gostoso por causa do aconchego do frio. Quando fazia calor, se encantava com o topor de sentir-se “quente”, “viva”. Quando ouvia música, via confetes caírem do teto como num eterno carnaval. Estava e vivia um nirvana e só percebeu que toda essa emoção era solitariamente particular, quando chorou de saudade, de tristeza, e apenas o vento, só ele enxugou suas lágrimas.
E numa situação assim, tão sordidamente solitária , ela precisava apenas de uma caixa de lenços YES.
by Lígia Beuttenüller - Direitos Reservados
Crédito de imagem: Marta Dietz Beuttenmüller- Inverno em Bellinzona - Suécia ( Switzerlan)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

GÊNERO X CLASSE



Estive lendo no Blog do ator global José de Abreu, o pedido que ele faz a Luana Piovani para retitar a queixa sobre a agressão sofrida, argumentando textualmente: "Festa de estréia, depois de uns champanhes, numa casa noturna classe A da capital do Rio de Janeiro é bem diferente de porradas diárias de um troglodita bêbado que bate na mulher num barraco no interior do Piauí - com todo respeito ao estado nordestino" .
E como sempre não consigo digerir o que o meu palato cerebral identifica como não deglutável. Extraio o comentário que fiz no blog dele , para publicá-lo aqui:
Não sei se fico indignada ou abismada pelo que lí no seu depoimento, acho que foi escrito por algum personagem que o sr. interpretou ao longo de sua carreira. Não acredito que sua leitura do fato revelasse seu preconceito regional.
Ora, vivemos num mundo permeado de violência, que está nas casas , nas ruas, e também nas boates, não pelo fato espacial, mas porque nesses locais há pessoas. Pessoas sem domínio da ira e da fúria, sem o bom caráter, que limite suas ações. Estamos sitiados. Ainda vem uma figura pública, classificar a violência em cosmopolita e nordestina. Porradas meu caro, independem de local (casebre ou palácio) de bebida (cachaça ou champagne), pois não são demarcadas por terrítório, dosagem etílica, sexismo ou classe social. Agressão é um ato de violência em qualquer lugar. Como ator global, lhe aconselho a abraçar causas mais nobres, que defender um desequilibrado que confunde selvageria com hombridade e precisa de uns 30 anos de Terapia para curar-se dos seus recalques e frustrações . Defenda a PAZ!
Assim, exponho minha opinião lá , e aqui que é o meu reduto especial, escrevo o que me é conveniente, e exponho as minhas idéias, correndo o mesmo risco que uma uma faca amolada corre ao cravar-se, e acrescento:
Imagino, quantas pessoas gostariam de ter o privilégio - inclusive eu- de ser celebridade, com a capacidade de encarnar ainda viva tantas vidas, de ser entrevistada pelo "Gordo" para falar das superações internas e externas, para contar que fez algo louvável pela e para a humanidade, que tem buscado impacientemente a perfeição, que tem lutado pelas minorias, que tem abraçado pessoas e campanhas contra as drogas , a violência e as doenças, que tem colaborado para a harmonia ambiental, que tem o Sol como luz e agradece a noite necessária.
Mas não fazem isso, porque são estrelas sem brilho próprio, não são luminosos, são apenas iluminados pelas luzes dos estúdios, fora deles se tornam tão apagadas que necessitam da força física para aparecer fora das telas e dos palcos. Não respeitam a admiração que criam em torno de si, caem do salto, escorregam no piso falso que caminham, tropeçam nas suas incapacidades, e deixam ao vivo sua (des)humanidade, quebram o encanto , criado para agradar as massas. São humanos , como eu, eu sei, no entanto perderam a humanidade que nos faz morrer de ciúme , e não, por causa dele, dar "PORRADA", matar.
Que pena! não percebem que encontraram o caminho , mas se perderam no percurso. Zé de Abreu e o Dado, rolam para onde?
By Lígia Beuttenmüller
Créditos - Imagens Google.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

MINUTO-LUZ




MINUTO-LUZ






Por acaso deparei-me com a imagem desse globo terrestre e em meus textos falo quase sempre sobre o tempo. Por causa disso pensei em falar na maravilha de saber que a terra gira e nós em sua superficie , giramos com ela também , e não ficamos tontos , e se parados não saimos do lugar, nem os lugares saem das suas posições. Minha casa sempre estará aonde penso, sei, que está.Que alívio!
E falando em giros penso na medida do tempo quando me dizem, ou eu mesma digo "um minuto" seja ao telefone, no MSN ou pessoalmente numa pausa durante uma conversa.

Quanto dura um minuto, num contexto assim? Sinceramente , tenho certeza que passa dos 60 segundos que o célere "ponteiro maior" do relógio analógico faz numa volta que ele dá. Não sei se seria melhor ou pior calcular astronômicamente para tentar entender como demora esse minuto.

Existe o minuto-luz que é uma subunidade de comprimento, utilizada em astronomia e corresponde à distância percorrida pela luz em um minuto, no vácuo, portanto, um minuto-luz vale 17.987.547.480 metros (aproximadamente 18 milhões de quilômetros); ou ainda 0,12 UA.

Isto quer dizer que fica mais fácil os neurônios entenderem como um minuto demora tanto, mesmo porque quando estamos ansiosos é quase impossível , sossegar o coração.
Talvez agora seja mais compreensível aceitar uma ausência de 1 minuto , se converto esse compasso de espera em anos- luz. Agora sei que não é um minuto que nos separa, mas quilômetros estão entre nós, por isso compreendo porque você demora tanto p'ra voltar.



By Lígia Beuttenmüller

Créditos de imagem Wikpedia

domingo, 26 de outubro de 2008


Kuwait x Kuait

Ele estava passeando pela praia quando chutou algo, era uma lata de Kuait, e foi remetido ao emirado árabe, relembrou fielmente as informações das aulas de Geografia ...é um pequeno país do Oriente Médio, com limites ao norte e oeste pelo Iraque, no leste pelo Golfo Pérsico, e ao sul pela Arábia Saudita ... Que interessante, estar numa praia ensolarada e vir isso à sua cabeça. Riu ao constatar o poder de armazenamento de suas lembranças. Segurou a lata e uma lembrança mais recente aflorou: a propaganda do refigerante brasileiro cuja campanha instiga as pessoas num metrô a encarar a vida com uma alegria sonora que contagia a todos, lembrou também de um outro comercial , do mesmo produto , cuja frase estimula as mudanças internas e externas : “ se a gente muda, a arte muda (referindo-se ao grafitismo em S.P), o mundo muda”. Sentou-se num barzinho, ficou pensativo e pediu uma Coca-Cola; sabia que o efeito de um refrigerante é apenas “refrigerante”. Mudar o quê ? Mudar p'ra quê? Mudar por quê? Ora, foi apenas um chute numa lata.
Mudanças não nascem de "topadas em latas" nem de fora pra dentro, o caminho é sempre inverso.
by Lígia Beuttenmüller Direitos Reservados
Crédito da imagem http://heresmitta.ig.com.br/

segunda-feira, 20 de outubro de 2008






LEI ELOÁ



A PARTIR DESSA DATA 20/10/2008 NENHUMA AÇÃO DA POLÍCIA, GATE, HOPE, SERÁ RESPALDADA NA INCOMPETÊNCIA, NO ABUSO DE PODER, NEM NOS CONCEITOS SUBJETIVOS DAS EMOÇÕES.

ART.1 TODO POLICIAL PERTENCENTE A EQUIPE DE RESGATE TERÁ QUE SE SUBMETER AO TESTE DE RESGATAR SEU PRÓPRIO FILHO, ESPOSA OU MÃE PARA SER CREDENCIADO A PERTENCER AO GRUPO.

ART.2. TODO COMANDO DA AÇÃO DE RESGATE DEVERÁ TER A HUMILDADE INTELECTUAL DE ASSUMIR QUE NECESSITA DA AJUDA DE OUTROS PROFISSIONAIS COMPETENTES PARA DECIDIR ACERTADAMENTE QUE ATITUDE DEVERÁ TOMAR EM CASOS DE RESGATE.

ART.3. TODA AÇÃO DE RESGATE SERÁ RESPALDADA NA VALORIZAÇÃO DA VIDA, INICIALMENTE DO(S) SEQÜESTRADO(S), E EM ÚLTIMO LUGAR A DO(S) SEQÜESTRADOR (ES)

ART.4.TODA A EQUIPE DE RESGATE DEVERÁ MUDAR SEUS CONCEITOS SOBRE A MOTIVAÇÃO DE UM PRÉ-HOMICÍDIO, CONSIDERANDO QUE UM “PSEUDO”DESEQUILIBRADO EMOCIONAL NÃO PODE VENCER A RACIONALIDADE DE TANTOS.

É UMA PENA QUE DE NOVO TENHAMOS ASSISTIDO A MAIS UMA BARBÁRIE, NOTICIADA INITERRUPTAMENTE PELA MÍDIA E PROTAGONIZADA PELAS INSTITUIÇÕES SECULARES: A FAMÍLIA, O ESTADO E A SEGURANÇA PÚBLICA.


COMO PODE OS PAIS NÃO ACOMPANHAR E INTERFERIR SERIAMENTE NA VIDA DOS SEUS FILHOS? Como uma mãe permite que os filhos comecem a namorar tão precocemente? Como não fazê-los aprender a realidade da vida por atos de amor, de companheirismo e CUMPLICIDADE familiar?

Não podiam, ah! Não podiam ...tinham uma arma guardada em casa, uma desobediência civil que foi ADICIONADA a artilharia do seqüestrador .

COMO PODE O ESTADO REPRESENTADO PELOS POLÍTICOS QUE ELEGEMOS SILENCIAR ANTE A UMA REFORMA URGENTE DAS LEIS DO PAÍS, RESPONSABILIZANDO MAIS DURAMENTE OS TRANSGRESSORES, SEM RELEVAR SE SÃO ASSASSINOS PRIMÁRIOS, “SECUNDÁRIOS OU SUPERIORES”?

Não podem, ah! Não podem... Vivem buscando provas de transgressões entre seus pares, passam o tempo todo abrindo e reabrindo CPI – Comissão Pública da Impunidade- para matar o tempo , como aluno que gazeia aula.

COMO PODE A SEGURANÇA PÚBLICA SE REVESTIR DE INÉRCIA, QUE NOS DEIXA APRISIONADOS DENTRO DE NÓS MESMOS, ESPERANDO A MORTE ANTECIPADA, OU QUE UMA BALA PERDIDA QUE NOS ENCONTRE?

Não podem, ah! Não podem mesmo... Os poderosos vivem cercados de segurança para si e para seus familiares, moram em fortalezas sitiadas pelos lacaios, trafegam em carros blindados pagos com nossos impostos.

E nós? Só temos que esperar ou não, que a Escala de Glasgow nos leve à masmorra do castelo escocês para que outras pessoas vejam a vida pelos olhos de outras Eloá's.
by Lígia Beuttenmüller- Direitos reservados
Imagem - uol

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

AVULSA



ACORDOU TARDE, ESPREGUIÇOU-SE COMO NUNCA MAIS HAVIA FEITO, VIROU-SE PARA O LADO, OLHOU O SOL FAZENDO SOMBRA EM SEUS PÉS. Riu para o despertador, zombou do tempo, do trabalho, do trânsito, da secretária, do almoço executivo, do elevador, do patrão. Era só risos. Imaginou o café, o chocolate, a coca-cola, o cigarrro (o pior rsrsr), ligou o som e coincidentemente estava lá “ My Way”, numa sonoridade “Sinatriana” e agradeceu de forma subliminar, a programação da rádio local, por ter lhe dado de presente essa trilha sonora para o início de suas férias. Desligou o celular e não ligou a TV. Queria apenas saborear a chance de ser "avulsa" por trinta dias para decidir aonde ir ou estar, de falar ou calar, de sentir ou “adormecer”, de sorrir ou chorar , de partir ou ficar. Estava tudo sob controle real. Tinha um mês para se sentir desvencilhada de compromissos , obrigações . Queria revirar gavetas, rasgar contratos e cartas que já não tinham valor. Sentia vontade de excluir, exorcizar-se das tralhas e traças. Queria fazer tudo isso num tempo sem tempo. O dia passou lento como se os ponteiros fossem cúmplices da sua liberdade. A vida parecia parada e enclausurada no seu quarto. Tudo esperava o seu comando.
Anoiteceu, contou estrelas, convidou a lua, pra adentrar, abriu escancaradamente as janelas e as cortinas . Brindou o luar com uma taça de vinho sem preço, só pelo prazer e pelo sabor, naum era Hermitage La Chapelle 1961, nem um Château Mouton-Rothschild 1982, era um vinho sem marca comercial, mas tinha um valor emocional inquestionável, guardado por anos a fio , para um dia especial como aquele, iniciado do seu jeito , do seu melhor jeito de ser feliz.

domingo, 12 de outubro de 2008


SOLIDÃO ACOMPANHADA

Há muito tempo não acontecia na vida dele, nenhum acontecimento especial que desse uma guinada na sua existência, mas tudo sinalizava que ele estava em fase de desamor pelo mundo . Talvez por opção ou desencanto, não se sabe.
Vivia curtindo sua solidão, acompanhado de si mesmo, e de tão só, havia momentos extremos que nem ele estava consigo.
Era a fuga existencial que o separava da multidão, e coexistia no seu próprio eu. Havia gente demais para pouco espaço.
Vivia assim, dentro de muros inalcansáveis, porém visitava diuturnamente seus próprios porões mesmo andando a ermo dentro de si.
Do lado de fora, só dava chance ao sol, que entrara por uma brechinha da sua carteira -havia instalado em casa uma sala de bronzeamento artificial .
Sem sair do seu reduto, ia ao Louvre ou a qualquer lugar, visitava as salas de exposição do museu, em especial as antiquités grecques, étrusques et romaines, e se encantava com as esculturas gregas situadas no sótão. As cerâmicas e os bronzes no 1º andar, chamavam a sua atenção.
Passava horas, olhando os objetos, procurando neles as raízes da sua inércia interior. Buscava companhia , como se aquelas peças pudessem ganhar vida.
Mas nem por isso se angustiava, tornara-se assumidamente nômade virtual e - ao click do mouse – o “ratinho” lhe levava para aonde ele quisesse, era disciplinado, para atender os seus anseios.
A cada investida, seu GPS mental localizava rapidamente seus interesses, indicava rotas, assim, sentia-se mais confiante e pronto para novas incursões virtuais.
Entre intervalos se perguntava, quem ou o quê seria o amor da sua vida e de
imediato, olhava (alegremente ) no espelho, porque gostava poeticamente da sombra da sua própria ausência.

by Lígia Beuttenmüller
Créditos de Imagem - Lígia Beuttenmüller

quinta-feira, 9 de outubro de 2008


O QUE FALTA E O QUE SOBRA

Ele chega em casa e em qualquer lugar,

com cara de satisfeito,

satisfeito com uma vida medíocre,

pincelada pela menor parte do muito.

E quem o conhece sabe que ele não embala sonhos,

vive da dura realidade que ele próprio criou.

Não arrisca, não aposta , não começa , nem termina,

mas teima com tudo , com todos e com ninguém.

Tem uma vida inóspita para a felicidade,

sem choro, nem risos , nem explicações.

Detesta dar satisfações , inclusive a ele próprio para

não desequilibrar o que ele considera ser uma

atitude segura e indolor.

Bebe uma cerveja dourada e redonda ,

perde-se na viagem

que a cevada maltada e o lúpulo,

faz nas suas vias sanguíneas,

gira com a vida mas só consegue carregar consigo,

dúvidas e dívidas contraídas

a longo e a médio prazo, sente-se livre

da urgência , tudo passa e tudo espera.

É o epicentro da estagnação .

Um dia lhe perguntaram para aonde ia tão apressado,

ao que ele respondeu , não sei ,

mas tenho que chegar logo e, dobrou na esquina.

By Lígia Beuttenmüller - Direitos Reservados

Crédito da Imagem - by Lígia Beuttenmüller

segunda-feira, 6 de outubro de 2008




A REDE QUE EMBALA

A dança das letras
Forma palavras
Guarda segredos
Tece sonhos
Em raros tons


São figuras de linguagem
Dúvidas desenhadas
Tatuadas com fogo e ferro
Nos punhos de uma rede


Os punhos se fecharam
Esmurraram
Os seis cantos da varanda
A linha tecida com esmero
Se rompe
Espalha tudo
As palavras, os sonhos, e os tons
O vento sudeste
Anuncia a morte
Pendurada no vazio
Entre a rede e a varanda...
Sem alarde


by Lígia Beuttenmuller Direitos Reservados
Créditos da Imagem - Google Imagens

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

VIVA A AMPULHETA!!!
Fiquei curiosa em qualificar semanticamente a palavra FOI, e me deparei com a constatação, de que geralmente , pouco se dá atenção ao estudo da significação, talvez por isso nos equivocamos com alguns posicionamentos diante da vida. Daí, concluí que para se reviver o passado, é preciso pensar no significado do quê um dia , por horas , ou eternamente ficou na lembrança. Ah!... Mas nem por isso esse retorno terá a força de perturbar o presente, pois o que seria do alemão tão temido – o Alzheimer? Se o que vale na palavra e no ato do tempo é de verdade o esquecimento?
É visceral “lembrar” que a lembrança é apenas a efígie do passado, e não pode, nem por força natural ou sobrenatural, permanecer no presente. O passado faz parte obviamente do que passou, e não temos por mais abençoados ou infames que sejamos, o poder , de aprisioná-lo ao agora. Mesmo que tenhamos instrumentos naturais ou artificiais , como dedos pinçadores, corações quebrantados, cordões umbilicais, conexão por fibras óticas com todos os megas e gigas possíveis, nada prende, o passado ao presente, nem que a gente insista em fossilizá-lo.
Remotamente, acionamos o botão de controle, e mesmo que imperiosamente a ciência una o dedo indicador ao mundo, há sempre o “raio” (que o parta) que secciona a plenitude do imutável. Nada está preso, nem se prende, por imposição ou decreto. A terra está solta, gira, mas não cai, ela se permitiu entrelaçar-se à gravidade, e constituiu uma parceria, com promessa: “não me derrube, não me deixe cair, por que eu não vou andar para trás, eu vou apenas girar, para ver outros mundos, porque necessito estar em movimento.
Sinceramente não sei se os ponteiros do relógio copiaram o movimento da terra ou os dois , terra e tempo fizeram um acordo de cavalheiro, de respeito mútuo, para girarem na mesma direção.E não há gravidez de futuro, se o passado não der passagem ao presente. O futuro nunca chegaria se ele mesmo não azeitasse as engrenagens do tempo.
Imagina , a gente ficar rodopiando em círculo, mas pra quê? A terra faz isso por nós e certamente, em 365 dias nada será como antes. O tempo é complacente porque sabe que se parar , ele próprio morre (e ele não é do signo de escorpião, gracias a la vida) , porque não é bom para ele nem prá ninguém que isso aconteça. Nós morremos, e morreremos fatidicamente , por over ou por abstinência , porém ele como um meteoro passa, só pressente a sua passagem, quem está olhando para o agora, e sabe como alargar os neurônios para dar-lhes asas e festejar o inesperado- o que ainda não sabemos- mas acreditamos que em algum lugar há o que se encontrar. Ah! Sabedoria infinda.
Os incautos dizem , me dê tempo, como se o tempo fosse bobo e parasse. A poesia, a filosofia e tantas outras formas de expressão do conhecimento universal, se impregnam dessa fortaleza chamada tempo, senão já teríamos morrido pela pertinência das doenças porque a ciência deixou de apostar nele, ou havíamos perecido no primeiro dilúvio por não acreditarmos que os pulmões são bolsas de ar. E não há como degladiar com essa força , porque na sua avidez , ele não pára, nem pode perder seu ritmo, para piedosamente acompanhar nossas tristezas, ou num ato de cumplicidade festejar nossas alegrias... Essas coisas um dia acabam, ele, nunca ! A minha tristeza dura o tempo que eu permitir, e minha vida será uma festa enquanto eu decidir olhar para o horizonte, e crer que o mundo não termina ali. Eu preciso enganar o tempo, para que ele não perceba que um amargor travou meu percurso, ou que a minha alegria embriagou a minha razão. E nesse equilíbrio semântico percebo com lucidez, que firmei com significação um trato que só
Mário Lago descreveu com precisão: “Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra...”
Eu porém, evito esse encontro, não nego que engano o tempo enquanto eu puder!
Sei que o fim é inevitável, (não fora o “The End” da vida e dos filmes ) o FOI... me ajudou a dizer : FUI !!! e isso é abortar o futuro!
by Lígia Beuttenmüler -Direitos reservados
Crédito da Imagem : Google -imagens

terça-feira, 26 de agosto de 2008



NOSSAS MADRUGADAS


Ultimamente, as madrugadas parecem acabar mais depressa, então eu penso, porque o tempo não respeita os amantes, nem atende a voz do desejo, que pede amorosamente a ele: por favor, pare... Conceda-nos o impossível, cristalize o momento, permita que a eternidade se imponha?
Mas que nada! Ele vai saindo, manhoso na pressa de converter o presente em passado, e deixa ardilosamente a saudade em seu lugar. Somente a possibilidade do futuro consegue minimizar a partida. Ah! Mas o amanhecer traz consigo (em flash), as imagens, e os sons do prazer que fez o pulsar do amor e da vida. Agora, o corpo, depois do descanso merecido, acorda conservando ainda o calor “morno” da noite “caliente”, querendo e desejando que o dia voe na velocidade da luz, que a madrugada se apresse em chegar novamente, para ser a estrela da noite, e entre em cena, trêmula como se fosse, o seu primeiro espetáculo.

domingo, 24 de agosto de 2008




KIBON(M) SEM SER SORVANE

Ah! Como é bom sentir o sabor de fruta madura,do cheiro de madrugada insone , incrustada , na rede, na cama, no corpo. E mesmo sabendo que o amor se vai e se esvai, a gente se contagia de saudade que dói, e enlouquece, não sei se é porque ela é contundente ou porque abençoadamente somos sem juízo. Mas a gente não quer sentir essa saudade , que martela como pingo de torneira, e nos torna assassinos sem provas, unicamente porque sentimos vontade de matar a ausência com um simples gesto , apenas conseguindo chegar ao encontro. Não na hora marcada, mas na hora esperada. O corpo grita, a mente chama e a razão diz sim e não, é um tumulto interno, tão intenso que disfarçamos nossos anseios, encobrimos a paixão, e desejando sem controle, nos cobrimos de segredos, trancamos todas as portas, escondemos as chaves, mas invariavelmente esquecemos de travar as janelas.
Então, mesmo estando inteiros , nos sentimos incompletos e despedaçados, colocamos no objeto amado todas as possibilidades de completude, mudamos internamente, alargamos nossa solidão, até achar que o ar comprimiu, que devastamos totalmente a Amazônia , e não só o pulmão do mundo morreu, nós morremos também.
É difícil imaginar qualquer coisa, sem o olhar do outro, nos arrependemos de não ter aprendido Braille, para decifrar as artemanhas do amor que é cego e nos cega. Nos culpamos como boxeador que sabe que perdeu porque abriu a guarda, mas não aprendemos a dureza da insensibilidade , derretemos feito chocolate numa boca quente, apostamos no que era para ser apenas uma forma teimosa de insistir.
Mesmo que as cartas não decidam o jogo porque há greves de carteiros, que as mensagens eletrônicas não passem no crivo do farewell , e que a permanência virtual não encontre as fibras ópticas de um olhar, arriscamos ridiculamente: não dá para sermos cúmplices ao menos numa “casquinha” com sorvete?

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


O TEMPO DAS ROSAS E DA FLOR DA PELE


Estou retomando minhas loucuras literárias depois de algum tempo afastada, e me vejo refletindo sobre essa ausência e descubro que o tempo- não dá tempo a quem não o organiza . Tento aprisionar o meu tempo, e aproveito o que ele tem de melhor: O ACOLHER OU ABANDONAR . Priorizo todas as coisas que no momento são muito importantes para a minha paz e o meu contentamento. Nessa análise compreendo o quanto o tempo está impregnando o meu leque de decisões. Acho (porque sou expert na ciência do “achismo”) que registro o que encontro – detalhe: sempre encontro o que estou buscando por isso , EURECA é o que sinto à flor da pele . Escolho minhas veredas e meus caminhos pseudo-tortuosos , mas sempre vou para algum lugar, para alguma coisa ou para alguém, sem perder a minha própria trilha. Percebo que não tenho que fazer muitos ou nenhum retorno, sigo em frente como seta reta de trânsito ou flecha de índio, vou e chego, permaneço, ou sumo e desapareço, principalmente se a permanência independe de mim, então deixo que o tempo faça viável a possibilidade da infinidade ou do esquecimento.
Quando comigo mesma, espalho rosas na linha do tempo, porque eu decido e comando os meus conflitos existenciais, atraso ou adianto meus encontros com a vida , deixo-os atrelados aos meus sonhos ou os despenco abismo abaixo. Quem azeita minhas asas e me faz mais veloz? A rosa ou a flor da pele? Voar para o quê e para aonde? Ao encontro ou a despedida? Não me preocupo , eu não uso relógio, SOU SEM (N) HORA, embora o improvável me faça grandes surpresas .

quarta-feira, 7 de maio de 2008

ENQUANTO A MÍDIA PASSA, EU FICO!!!

Quantos mistérios escondem o que não queremos mostrar das nossas vergonhas internas, nossos conflitos inenarráveis?
É aí, aonde começamos a assumir os 70 (setenta) pecados mortais/capitais/ tropicais: aqueles que nos envergonhamos (?) de tê-los, porque não querermos assumir nossas verdades-mentiras!!!
Penso , agora , o que faz um ser humano pegar sua própria cria( E NÃO SÓ ELA) e jogar de um sexto andar? Esse cara é anima/analfa , não soube , nem nunca saberá a diferença de um cesto ( Profeta Moisés), e um sexto (6ºandar) pois se iguala a um austríaco que mistura ainda mais as letras e os conceitos: onde o cesto, o sexto, o porão , e o sexo, viram incesto!
O que faz essas pessoas perderem o senso do certo e do errado?Como podem fazer de seus descendentes, vítimas da suas ignomínias? Eu fico entre ??????( interrogações várias) e .......( reticências também) , para explicar a mim própria , e entender que certamente estes malditos pais , em pleno século XX/XXI, perderam a aula, não quiseram apre(e)nder os algarismos romanos por isso não sabem que avançamos 2.100 anos, perderam também a aula da matemática existencial , principalmente a da adição= soma (r) . Somar o quê , a uma família sem nexo, só sexo e desamor paternal? Universalmente, as pessoas perderam o bom senso? O que faz um pai atirar-se numa cama com a própria filha durante 24 anos e outro atirar em 24 minutos uma filha de um sexto andar? Onde está o erro? Milimetrando pelo tempo, tenho um referencial inicial onde tudo acaba, noutro, onde tudo se perpetua, nas gerações, que saberão amargamente que são filhos/netos de monstros, (animais- desculpem-me gatos, cachorros e antas ) que levantaram as patas dianteiras pela permissão de quem?. Ah! Livrem-me todos, (do céu do ar, do mar e da terra,) da minha saga, pois não haveria nem céu, nem inferno, somente piso e chão, para eu me situar. Eu dispensaria (se fosse parente desses inomináveis) o grande “Deus”, do seu lento trabalho de justiça pré-pós secular , e eu, nem pediria a Ele licença, invadiria o Seu espaço pós-justiceiro. Garanto que o tempo, criado por Ele, seria meu amigo e certamente em menos de 24 anos e de 24 minutos, eu desceria minha espada , perseguiria até a 3ª e 4ª geração destes, para exterminar os erros que foram produzidos , pelos frutos da genética, da cibernética, ou da dialética, sei lá!!!
Quem clamará pelas vítimas, numa Justiça falida, e insana, cega, doida e burra?
Que façam comigo, o que deve ser feito, se algum dia eu esquecer que sou humana!
Aos esquecidos da sua humanidade/civilidade, aos irresponsáveis moralmente: MORTE! Tal qual, eu seja hoje, algoz / serei justiçada.
PS. Eu não consigo ver coisas dessa (in) natureza, e ser somente espectadora! Por que se o mundo não se importa, eu registro e legitimo minha indignação! A mídia passa (passa nas TV’S , jornais , revistas e na memória) eu FICO e PERMANEÇO!!! Ao menos não morrerei de infarto, pois não me farto de gritar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
P.Q.P.!!! GRITEM JUNTO COMIGO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Talvez nosso eco vibre nas cordas timpânicas da consciência dos que não sentem, nem ouvem, e por isso não clamam: JUSTIÇA, tira a tua venda e não te vendas !!!!!

PS. Não deu tempo de assinar a minha tela, tal a minha pressa em externar a minha indignação.


terça-feira, 29 de abril de 2008


AONDE FICA PARSÁGADA ?
Eu sei !

A viagem para Parságada é um translado onírico, pois lá é um lugar aonde se é amigo do rei, onde se dorme na cama que se quer e com a pessoa que se deseja.
Segundo Manuel Bandeira é uma viagem provocada pela infelicidade daqui.
De vez em quando vou lá, principalmente quando fico triste, irresponsabilizo os meus atos, fujo e sento-me à mesa da vida, escolho o melhor lugar e como do melhor prato.
Acho que essa fuga não deva ser fugaz, para dar tempo ao tempo, apenas, pois ela serve-me como uma injeção estimulante para decidir a hora de voltar ao cotidiano, porque de lá vejo com mais clareza, meu "termo de acordo" com as minhas mudanças internas, aglomero forças para enfrentar o que vier, depois, no retorno.
E as mudanças que ocorrem no meu avesso quando faço esse percurso sem rotas, estradas e caminhos reais, é inominável; tudo conduzido pela ânsia de me livrar da dura realidade que permeia a vida , com formas tão duras , tão nítidas e inquebrantáveis que acabam por vezes me impulsionando como catadupas e nem me importando com a velocidade em que serei arremessada, quando descobrí , que Parságada realmente existe.
É pra lá que vou!!! Sei que lá há espelhos nas águas; que não haverá sombras que impossibilitem ver o lugar mais escondido dentro do meu coração.
O silêncio lá tem som, um som que não me ensurdece, apenas ecoa simplesmente numa conversa amorosa com o meu “dentro”.
As palavras não necessitam de tons, a lineariedade provém da estabilidade emocional adquirida na paz existente nesse lugar.
As turbulências e as inquietações não encontram espaço para se instalar porque é nirvana o meu estado.
Os sonhos saem dos seus casulos naturais como se a hora não fosse senhora e dona desse tempo, nada então é impossível para ser concreto, para sair da abstração e partir , acompanhando-me no caminho de volta...
Ah! Parságada, os caminhos que a ti me levam, percorrem exatamente as minhas veias e não há como errar a tua porta de entrada, você se situa em meu coração , mora na minha alma e a felicidade é a grande ponte , o grande vínculo existente entre nós!
Essa é a minha Parságada, a sua e a de Manoel Bandeira? Não sei!!!
PS. Cada um sabe a sua área de conforto!!!!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Transcrevo a opinião de Marcelo Tas - cronista do Uol Diversão e Arte

"Tem hora que o destino une os homens. Faz sentido o papa passar o aniversário de 81 anos dele com George W. Bush. Um tem que explicar o Iraque, o outro os padres pedófilos que já causaram um rombo de U$ 2 bilhões de dólares à Igreja só em indenizações. Sem contar o preço que ainda vai ser cobrado desses padrecos pelo diabo nas profundezas do inferno.Que os deuses sejam misericordiosos mas também justos com os destinos de Bento e Bush.Imagens: The New York Times
Escrito por Marcelo Tas às 08h44"

Ah, não me contive e escrevi no UOL Blog - Comentários- e por não saber se será publicado, venho ao meu blog e expurgo a minha contrariedade e exponho a minha opinião sobre a matéria contida acima.

Tenho atravessada na garganta a posição da Igreja nas questões como Célula Tronco, uso da Camisinha, Controle da Natalidade, a intolerância ao gays, entre outras, e agora mais essa! A Pedofilia. Eu não posso deixar que isso venha engasgar-me, então...

Bhus explicar a guerra do Iraque, e Bento a pedofilia dos PADRES PODRES , é tentar o quê? Nos dar crachá de analfabetos funcionais?

Como é possível explicações para atos que matam uns física , e outros emocionalmente?

E ainda fala-se em prejuízo financeiro para a Igreja ?! Que gracinha de especulação!!!

Engraçado será descobrir que o Inferno é apenas uma metáfora, e os dois, PAPA e BUSH, morrerão, e tão somente sairão do cenário daqui ; mas enquanto vivos, estão desfrutando das benesses do poder religioso e político.

Bento acobertando a podridão da Igreja antes de ser Papa e o Bush enviando soldados para a guerra.

Em tempo, por que ele não vai para o front? E o Papa por que não edita uma "epistola encyclica", abrindo a possibilidade dos padres fazerem sexo com pessoas adultas, que estariam nessa relação sem comprometer o Banco do Vaticano?

Ôpa! parece que Bento não leu "Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.” (Mateus 19. 16-22).

Mas lá no inferno, (se é que existe) os dois continuarão sempre em evidência, pois irão encontrar tantos conhecidos que nem vão incomodar-se com a nova morada.

Muito pelo contrário, serão "celebridades " na festa!


Obs.1- a foto foi retirada do Google Imagens

Obs.2- a citação bíblica foi apenas uma referência bibliográfica, quem me conhece sabe que não sou atéia, sou "à toa".

quarta-feira, 16 de abril de 2008

NÃO SÃO METÁFORAS

Entro na net diariamente por força do hábito e do ofício, tão automaticamente que meu computador parece uma extensão de mim. Passeio , navego, encontro e desencontro pessoas .
Escuto, falo, escrevo, leio, vejo e me mostro, aprendo e ensino, bloqueio e sou bloqueada. Emociono-me com relatos, acho graça das bobagens e naturalmente riem, das minhas bobagens também. O virtual me encanta!
Mesmo com todo esse encanto/deslumbramento, sinto falta do olho no olho, da cervejinha gelada( quando se está no real) para temperar as conversas sérias , intelectuais e até as que provocam o famoso rsrsrsrs / kkkkk.
Tenho companhias de teclado de norte ao sul, daqui e de além mares. E cada vez que a bandeirinha anuncia alguma chegada é alguém à minha porta para adentrar com as mãos cheias de músicas que vão do Brega ao Chic’o, do barulho ruidoso do rock metálico ao som envolvente de Richard Chamberlain .
E não faltam os erudito-clássicos de uma sinfonia numerada ou o Opus de Shostakovich, em formato midi, o que não tira a beleza dos acordes.
Meu conhecimento antes restrito tem se alargado, por receber versos, prosas , poemas de escritores dos quais não tinha ainda ouvido falar – e de outros velhos conhecidos , com os quais me deleito na leitura a algum tempo.
Me trazem de presente Clarisse Lispector , Hilda Hilst, T.S.Elliot, Ernest Hemingway ou Cassiano Ricardo e deste, “Você e o seu retrato” (olhando a janela de exibição, relembro um trecho do poema)
...“Talvez porque o seu retrato,
embora eu me torne oblíquo,
me olha, sempre, de frente” ...
Recebo letras de músicas que fazem-me viajar sem sair da tela. Letras que me deixam triste por não tê-las escrito, mas abençôo a sensibilidade de quem as escreveu.
Imagino o estado de sublimação do grupo Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, quando fez o casamento perfeito de música e letra do sucesso “É VOCÊ”, ao mesmo tempo imagino que pessoa tão especial, desperta nos autores frases assim :
É você
Só você
Que na vida vai comigo agora
Nós dois na floresta e no salão
Nada mais
Deita no meu peito e me devora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora ...
São essas companhias virtuais que vencem os kilometros e as horas , a distância e o tempo e conseguem me invadir sem imposição, entram com uma bandeirinha dizendo cheguei , e eu , sinceramente , eu fico com medo que a “net caia” .
PS. Teria uma tela minha para ilustrar o texto, mas preferi uma que recebi de presente numa dessas conversas.

quarta-feira, 19 de março de 2008

“PRÁ NINGUÉM”

“De você sei quase nada , Pra onde vai ou porque veio, Nem mesmo sei , Qual é a parte da tua estrada, No meu caminho Será um atalho, Ou um desvio, Um rio raso Um passo em falso, Um prato fundo, Pra toda fome, Que há no mundo”QUASE NADA - Zeca Baleiro
O que sabemos de nós, o que sabemos dos outros?Tenho a resposta quando ouço– QUASE NADA - Zeca Baleiro
Ele é baleiro- porque é simbologia de balas de caramelo, ou por ser certeiro em letras “balas” que mesmo perdidas acertam sempre alguém?
Que vazio é esse que é preenchido facilmente por pessoas que delas não sabemos quase nada? Porque nosso poço se enche de água ou de ar? Se na água nos afogamos por não saber nadar e o excesso de ar estoura nossos pulmões? Como freiar essa busca insana de amar e ser amado? Como estabelecer equilíbrio sem cair da corda bamba?
É difícil administrar a vulnerabilidade e encouraçar o coração quando na madrugada fazemos incursões nas janelas do mundo, e o dia nasce ... a porta se abre, e nela vislumbramos um sol tão brilhante que nos cega mesmo que momentâneamente. A busca parece ter findado, mas a espera desfaz “as certezas” e voltamos , para aonde? Para estradas, caminhos, veredas , casas, salas , pessoas , aliás para as seis paredes, que vão além das quatro , porque incluem o teto e o chão, mas naturalmente prefirimos o confinamento, a prisão, e esquecemos que é no piso que nos situamos e é no teto que podemos fixar estrelas e nele podemos extrapolar o mundo e nelas sonhar com outros vôos.
Não há perdas quando se vai em busca do encontro, porque nunca haverá "certezas "quando descobrirmos que estamos prá ninguém. É essa “incerteza” que nos faz contraditoriamente acreditar que há outros mundos onde sonhar.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

BUTTERFLY

Butterfly, sinônimo de tanta coisa. O seu colorido encanta, porém prefiro esquecer sua beleza e pensar em suas asas, tento uma simbiose afetiva e clara nessa relação. Necessito de suas asas e não dispenso a metamorfose inclusa no seu desenvolvimento, pois um vôo requer planejamento das etapas e dos processos. Sou amiga dos pássaros,mas eles já nascem prontos, a borboleta não, ela é um caminho. Nada mais interessante que esperar que o trigo se torne pão, nada como sentir fome e saber que pão não nasce em árvores. Cada vez que me oportunizo a descobrir , e até chegar lá, tenho no compasso da espera, a chance, de me preparar para o grande momento. Permito que suas asas me sirvam para afastar-me do chão, perder a noção da gravidade e engravidar os meus sonhos. E que viagem empreendo à minha fantasia! O sonho é o combustível indispensável para que a vida se torne mais amena, esperar é a decência da utopia. Sonhar é utópico, mas , viver o sonho, é torná-lo realidade.
Espero, sem enfrentar filas, sem conturbar minha consciência, sem ter pressa. Eu aprendi que o dia chegará com todas as cores imagináveis, com toda a força do possível. Dispensarei momentâneamente as asas, desfarei essa relação simbiótica com a borboleta e porei novamente os pés no chão, e direi: esse chão é o resultado da minha espera.
Eu creio, sim!


terça-feira, 24 de abril de 2007

TRIBUTO A UMA PONTE NA AUSTRÁLIA


Vi as fotos e me apaixonei também pela ponte, (sempre me apaixono pelo desconhecido).Como é bom ter locais , fora de nós, que dêem pontos de referência à alegria, ao prazer, à felicidade. Não tão somente sirvam de sinalização geográfica, mas que se expandam até encontrar a linha limítrofe que une o sonho à realidade. Costumamos cortar essa linha tênue, quando nos aproximamos demais de um dos seus extremos: ora sonhamos demais, ora esquecemos de dormir, tamanha se torna a realidade . Leveza, é andar com equilíbrio, nesse território, sem a pressa e a rotina que o cotidiano, às vezes nos obriga (?) .
Defesas e desculpas arranjamos para nos afastar do eixo dessa linha, mas quando se tem uma amiga, que passa por uma ponte e a estende até ao imaginário, explode do coração da gente, a certeza de que ela, em algum lugar, é uma equilibrista especial: LISAVIETA



domingo, 22 de abril de 2007


MADRUGADAS

Todas as madrugadas parecem acabar depressa, porque o tempo não respeita os amantes, nem atende a voz do desejo que pede amorosamente a ele: por favor, pare... Conceda-nos o impossível, cristalize o momento, permita que a eternidade se imponha.
Mas que nada, ele vai saindo, manhoso na pressa de converter o presente em passado, e deixa ardilosamente a saudade em seu lugar. E o amanhecer, traz consigo as imagens e os sons do prazer ( em flash) como o pulsar da vida . Agora, o corpo, depois do descanso merecido, acorda conservando ainda o calor “morno” da madrugada “caliente”, querendo que o dia voe acima da velocidade da luz, e a madrugada chegue e seja a estrela da noite ; entre em cena, trêmula como se fosse seu primeiro espetáculo.


quarta-feira, 18 de abril de 2007

SIGNO VERSUS VINÍCIUS
Vinícius de Moraes
Você nunca avance em uma mulher de câncer.
Seu planeta é a lua.
E a lua, é sabido só vive na sua.
É muito apegada.
E quando pegada.
Pega da pesada.
É a mulher que ama
Com muito saber
No tocante à cama
Não sei lhe dizer...
O grande poeta , sem ser astrólogo, soube poeticamente falar desse signo, e como bendisse a mulher canceriana!!!- Jogou serpentinas e confetes no meu âmago -SOU CANCERIANA - Deu meu endereço, quando falou aonde moro; discerniu como vivo quando fala dos meus apegos à vida, às pessoas, e aos encantos da natureza humana. Legitimou a divindade dela sem se preocupar com a distância que a separa de nós mortais.
E quão bonitas são as noites enluaradas. Ele comparou o lar da canceriana , com a beleza da lua, pela fascinação que ela exerce nos românticos. Não raro, os apaixonados , perto ou longe do objeto amado, fazem referências e reverências ao seu poder de sedução. Usam-na como ponto de encontro, sem se importar com as nuvens, que atrevidas, pensam escondê-la e num pedido especial, dizem: vá à janela e veja a lua, sinalizando, que é naquele ponto, visto simultaneamente, que os seus corações, suas almas, vão se aproximar, embora seus corpos estejam a km de distância. A mulher canceriana, crédula e romântica por princípio, contagia-se , e a fusão se faz.Assim, estão duas pessoas , tão longe, e tão perto, visualizando a musa do universo, (ela tem a noite como o seu útero, tão aconchegante que nunca é hora de parir,nem de partir), fortalecendo suas certezas nessa emoção.Mesmo que ela nos engane – temporariamente -com suas fases,; deixa no compasso da espera cíclica, esse trâmite: quando Lua Nova é deslumbrante, quando Crescente encanta e , quando Minguante se desilude. Mas cria seu ciclo novamente, na certeza que nessa renovação, ela NUNCA deixará de ser a eterna , amada lua, tão bonita e desejada pelos amantes apaixonados. E são certamente, nessas noites, que a gente valoriza mais o dia. A noite vai vir e trará sua parceira insubstituível – A LUA – e quando ou se um dia, o dia não acabar, teremos a certeza que NUNCA MAIS ACONTECERÃO NOITES SEM SOL.Te espero na lua, nos encontramos nela, numa cumplicidade só comparada com o compromisso do dia com a noite . Amanhã, antes que ele finde, ela surge!

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sábado, 31 de março de 2007


MÁSCARAS
Acredito que as máscaras foram inventadas para esconder verdades, por isso funcionam melhor no cotidiano do que em dias de momo, até porque carnaval dura somente 04 dias.
Quantas vezes e há quanto tempo nos apropriamos delas para o grande disfarce?
Como é bom, ( será ?), viver por trás delas sem deixar que o espetáculo da vida se apresente em plena cena aberta? Até quando elas nos serão úteis?
Já nos perguntamos se não estamos perdendo tempo ( este, é irrecuperável) pelo fato de preferirmos viver nossas mentiras íntimas a bem das verdades que não conseguimos contar nem para nós mesmos?
Pode até ser mais fácil, mais cômodo, viver assim, mas quantas oportunidades se perdem, porque não conseguimos encarar a nós mesmos?
Nunca é tarde, penso agora, num fórum íntimo, para desvendarmos o que se passa cá dentro de nós.
Pior, certamente, é perceber que de tanto usar máscaras, nos perdemos de nós mesmos. No final de tudo é que vamos nos dar conta que ao retirarmos , forçosamente , a última máscara, estaremos numa situação irreversível: a vida passou por nós e o que nos resta é o RESTO dela, envelhecida, carcomida pelas lembranças e perdida nos desejos que nunca foram plenamente realizados; é quando o TEMPO - senhor de todas coisas - nos diz , impiedosamente : ADEUS!!!!!

quinta-feira, 29 de março de 2007

FENIXIZAR

Estive dando uma voltas por fora, como um atleta que saiu do jogo porque descobriu que era melhor rodopiar nas voltas que o mundo dá, do que continuar acreditando que podia girar o mundo.

Me permiti viajar , sem rumo geográfico e sem tempo, mas levando comigo, um incrível escudeiro cibernético – o Notebook.

Entrava e saía da Net. A meu "bel prazer" fiz minha primeira incursão LIBERTÁRIA. Atemporalmente lia notícias, abria meus e-mails, me aterrorizava com notícias de violência e de corrupção, mas precisava urgentemente resgatar os meus sonhos, dar alento aos meus desejos, certamente por ter saído “da terra do nunca” ( morei lá 01 ano e 02 meses ), onde nada se equilibrava, a não ser nos primeiros dias de cada mês, como prenúncio enganoso, de que tudo “daria certo” a partir dali.

Necessitava essencialmente, respirar ar mais puro, MENOS DENSO, me reencontrar, me FENIXIZAR.

Ah! Esqueci de citar um local importante, que segundo as estatísticas, “todo mundo” entra lá. Fazia tempo que não me aventurava a abrir essa porta , acreditava não ter motivos.

Como sempre, ao se adentrar numa sala de bate-papo, há um jargão com duas perguntas extremamente convencionais nesse tipo de conversa: TC DE ONDE?; QUAL A SUA IDADE?.
De repente surgiu alguém que , não fugiu à regra e perguntou a minha idade; eu, orgulhosa do meu meio século, respondo que tenho duzentos anos para amar e ser feliz, porque me considero uma tartaruga e creio que algum dia serei resgatada pelo Projeto TAMAR , receber um chip na minha carapaça , morar em Noronha e ter meu casco acariciado por turistas.
Não sei se a resposta foi convincente, só declaro, que mudamos de ambiente, marcamos encontro numa sala mais aconchegante e menos coletiva - a do MSN.

Conversamos por aproximadamente 05 horas, nos descobrindo....

Fomos dos sonhos às frustrações, da coragem aos medos, das possibilidades aos obstáculos, das saudades às ausências, das músicas aos textos. Nos encontramos e nos encantamos. Incrivelmente, temos conseguido diariamente manter a temperatura da sala, para estabilizar o destempero emocional, que essa paixão cognominada por nós como “chuva de verão”, nos tem acometido.

Sabemos que podemos ser essa chuva , pela distância, pelos nossos impedimentos, mas estamos vivendo esse sentimento no compasso do nosso coração. Às vezes , numa taquicardia sem fim, vislumbro qualquer sinal da sua presença virtual, ou o meu pensamento acha que está encontrando o seu nas minhas ondas neurais. Mesmo sabendo que estamos na fase do deslumbramento, da conquista, e da sedução.

Quando a certeza do encontro se concretiza... haja Tsunami , (na mesma intensidade do maremoto ocorrido na Ásia) porque essa sensação devasta meus alicerces, inunda a minha alma e afoga meu coração.

Sei que é inexplicável para muitos , mas digo no livro que estou escrevendo, que não há instrumento para medir o amor, mas a gente sabe o quanto ele é "grande" e essa grandeza reside exatamente quando comparamos e notamos a diferença de outros amores já vividos.

E quanto mais áridos, saímos da última relação, mas ávidos estamos para recomeçar, e mais crédulos ficamos na certeza que o passado se foi, e é hora de viver o presente , este, que nos deixa embasbacados , encantados, por descobrir a capacidade que temos de "FENIXIZAR" : ressurgir das cinzas, noutra possibilidade de ser feliz.

Esse mérito devo àquela “viagem” quando abri uma porta que esqueci de fechar - SALA VIP UOL - além de uma outra porta mais especial ainda , que é a do meu coração, possibilitando que você entrasse.

"Quero amar você de todas as maneiras que eu puder " ( Gonzaguinha= Mamão com mel.)

Voltei ao meu auto-didatismo, na escrita e nos pincéis; pintei estilizando, uma flor - de - lótus e uma mulher , denominei a tela = Contemplação.

Agora embriago a minha lucidez, entre os três: A FLOR, A MULHER E VOCÊ.

Pintura: Contemplação - Lígia Beuttenmüller

Texto : FENIXIZAR - Lígia Beuttenmüller

Todos os direitos reservados


segunda-feira, 6 de novembro de 2006

É noite, e cada vez que ouço o barulho de um carro, na minha rua, o meu coração dispara mais rápido que qualquer motor turbinado, e o som que escuto parece propulsor de ondas numa tempestade de fogo a circular nas minha veias. A lua se esconde por trás de uma explosão de milhões de fogos de artifício como se fora uma noite de S. João ou uma noite de reveillon na praia de Copacabana. E eu igual a uma adolescente apaixonada, espero que a cantora Alcione tenha razão em pedir numa canção “FAÇA UMA LOUCURA POR MIM” e que depois desse espetáculo pirotécnico “noiado” você surja como um cometa rasgando o céu. POR CAUSA DE QUÊ? Porque todos os carros que passavam ou pararam, eram da mesma cor e da marca do seu -todos dourados e da Wolkswagen- as outras marcas tornaram-se momentaneamente cúmplices da minha dor e se travestiram para acalmar a minha alma; até a placas foram clonadas da sua. De qualquer cor, faziam questão de resplandecer num dourado brilhante como a luz do sol, como se quisessem desafiar a noite e a minha tristeza. Fixei meu olhar em todos eles – nem pisquei- com o intuito de ferir os meus olhos, para que as lágrimas companheiras do agora derramassem, somente para dentro e lavassem a minha alma ( como a lavagem da Igreja do Sr. do Bonfim) antes que ela chegasse a enrijecer igual a couro de animal no curtume. Depois desse "banho", respiro fundo e me convenço, finalmente, que a vida não é só noite. O dia chega valente por ser novo de novo, deixando que a escuridão só impere quando ele desistir de acreditar que todo amanhã especial começa sempre com uma bela manhã.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

A DOR QUE DÓI – dói por ser inexoravelmente solitária!


Todo sentimento tem parceria, você ama, gosta, odeia , sente saudade de alguém ou de alguma coisa e assim, constata que quase todas as emoções estão ligadas a uma outra pessoa ou a algum objeto, portanto tem parceria para se justificar inclusive poeticamente – Carlos Drummond de Andrade escreveu que “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional-. Concordo, em parte, lógico, porque se não houvesse gente para discordar, o mundo seria tão insípido, que ninguém sofreria de “pressão arterial alta”, e o outro extremo, de tão doce levaria a “diabetes coletiva” e nesses parâmetros continuaríamos tão doces ou salgados que nem glicídios nem sódio iriam resolver nossas amarguras; mas a salvação poderia surgir num toque mágico da culinária: viraríamos “cocadinhas de sal” .
Bom, tento nessa abordagem fazer valer meu conceito de que todos os sentimentos estão direcionados a alguém ou a alguma coisa, no entanto a dor ao invés de ter parceria, é o único sentimento solitário em mim e em qualquer pessoa consciente da sua individualidade, pois a minha dor é minha , ocasionada por alguém ou por alguma coisa, mas persisto em dizer num egoísmo emocional , que ela é só minha, pois mesmo que alguém tente minimiza-la, somente eu estou a senti-la, e aí nesse aspecto concordo com o grande poeta, o sofrimento causado por qualquer dor, permanece à medida que eu permito. Mas como não permitir? Certamente o tempo me fará rir desse choro, quando outras dores ou outros amores me fizeram crer : por esta mais não, basta!!!.
Como posso evitar que a minha verdade, hoje, seja negada simplesmente pelo fato de não saber aonde esconder essa dor? Mascarar dói, dói tanto quanto expor.
Meu único consolo é acreditar que “ a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”, bendito sejas, DRUMMOND.

Admito e reitero que a dor pode vir de alguém ou de alguma coisa, no entanto só eu posso senti-la em sua dimensão maior, numa solidão ( in)explicável; a resposta? Ora, está na própria dor. UFA!!!!

terça-feira, 10 de outubro de 2006








"KREMLIN"



-Djavan inicia a música TOPÁZIO com esta palavra -

Kremlin, Berlim
Só pra te ver
E poder rir
Luzes, jasmim
Meu coração, vaso quebrado
Ilusão, fugir
Da fronteira de topázio e lã
Vou até rubi
Sedução
Poder sonhar
Estupidez
Você arrasa
E me arrasou
Só pra anoitecer
O que é escuro
Ninguém me beijou
Mais puro
Tô lembrando de você
Uma vez...Kremlin, Berlim
Pra não dizer Telaviv
Ilusão
Fugir de mim.

Há tempos ouvi, hoje senti.
Como é interessante escutar a mesma música e nela perceber que luvas não servem somente para as mãos, existem outras que servem tão bem - também- para a alma quando ela está desnuda.As circuntâncias visuais me fizeram vesti-las para tornar-me "KREMLIN".
Reconheci, forçadamente, é claro, que existe uma linha tênue que separa a ilusão, da fuga.

Ainda bem que a ruptura aconteceu, senão eu teria que continuar a ser um equilibrista num circo -círculo- sem espetáculo; treinando infinitamente . Seria então, meu destino cambalear a cada amanhecer e esperar, ciclicamente, que a noite chegasse para manter-me numa corda bamba, precisamente bamba? Notei de lá , que se ainda por instinto de sobrevivência, eu tentasse, descer ao chão certamente correria o risco de pisar em terreno minado -TELAVIV- o que fatalmente deixaria a minha alma em pedaços.
E isso seria irremediável !!!
Como na música, só meu coração despedaçou, mas a minha alma voa livre agora, não em busca de ALMA GÊMEA, mas de uma outra alma tão inteira quanto a minha. E ainda que eu tenha que colar os pedaços do meu coração, que eu olhe, simples e fortemente para um outro coração que estando também (ou não) em frangalhos, tenha como eu a ALMA INTACTA.


1- Em tempo, Kremlin é uma palavra russa que significa FORTALEZA, e que a força seja tão valente como a dor no amor!!!

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

QUANDO OS OPOSTOS NÃO SE ATRAEM

*Crônica do Amor * *Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. *
Custo a crer que essa frase venha de um texto de Jabor, mas... há gostos e conceitos para tudo e todos.
Esses não fumantes, honestos e simpáticos, não têm direito à escolha? São os eternos "coitadinhos solitários? Talvez os que não estejam nessa fila, saltitem em outras estações, por acharem que só os opostos se atraem.
Certamente nessa crônica ele não quis falar de amor , não de um amor verdadeiro que arrebata sem nos tirar do chão, não do amor que nos enlouquece , mas nem por isso perdemos o juizo, não daquele amor que nos mata de saudade, mas mesmo assim permanecemos vivos acreditando no encontro. Naturalmente não se referiu àquele amor que nos curva para a ajuda premente, nem para o amor que necessita do outro para ser alimentado, não falou daquele amor que brinca e sorri na hora do sexo, penso que ele equivocou-se até no título, que seria mais tragável se fosse chamado de CRÔNICA DO SEXO, por que noutro trecho ele se refere*Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. *
Alguma mulher ou algum homem amaria verdadeiramente alguém assim? Estou fora de forma, estou fora mesmo. E nem ligo para isso, sou diferente, mas não única, pois tenho certeza que alguém em algum lugar pensa como eu, e como o mundo é redondo, numa das voltas que ele dê, eu esbarre em alguém que não precise ser tão oposto para desencadear em nós, uma atração e um grande amor .
Vivo o amor que se encanta e que tem a clareza de se desencantar porque descobre que o reluzente não era ouro, era somente a luz do sol que batia numa vidraça e resplandecia para quem estava por perto. Equívoco de percepção.