quinta-feira, 12 de outubro de 2006

A DOR QUE DÓI – dói por ser inexoravelmente solitária!


Todo sentimento tem parceria, você ama, gosta, odeia , sente saudade de alguém ou de alguma coisa e assim, constata que quase todas as emoções estão ligadas a uma outra pessoa ou a algum objeto, portanto tem parceria para se justificar inclusive poeticamente – Carlos Drummond de Andrade escreveu que “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional-. Concordo, em parte, lógico, porque se não houvesse gente para discordar, o mundo seria tão insípido, que ninguém sofreria de “pressão arterial alta”, e o outro extremo, de tão doce levaria a “diabetes coletiva” e nesses parâmetros continuaríamos tão doces ou salgados que nem glicídios nem sódio iriam resolver nossas amarguras; mas a salvação poderia surgir num toque mágico da culinária: viraríamos “cocadinhas de sal” .
Bom, tento nessa abordagem fazer valer meu conceito de que todos os sentimentos estão direcionados a alguém ou a alguma coisa, no entanto a dor ao invés de ter parceria, é o único sentimento solitário em mim e em qualquer pessoa consciente da sua individualidade, pois a minha dor é minha , ocasionada por alguém ou por alguma coisa, mas persisto em dizer num egoísmo emocional , que ela é só minha, pois mesmo que alguém tente minimiza-la, somente eu estou a senti-la, e aí nesse aspecto concordo com o grande poeta, o sofrimento causado por qualquer dor, permanece à medida que eu permito. Mas como não permitir? Certamente o tempo me fará rir desse choro, quando outras dores ou outros amores me fizeram crer : por esta mais não, basta!!!.
Como posso evitar que a minha verdade, hoje, seja negada simplesmente pelo fato de não saber aonde esconder essa dor? Mascarar dói, dói tanto quanto expor.
Meu único consolo é acreditar que “ a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”, bendito sejas, DRUMMOND.

Admito e reitero que a dor pode vir de alguém ou de alguma coisa, no entanto só eu posso senti-la em sua dimensão maior, numa solidão ( in)explicável; a resposta? Ora, está na própria dor. UFA!!!!

2 comentários:

lissandra disse...

PQP, Lígia
Estar em dor, é diferente de estar indoor, mas você continua a mina amiga escritora adorada e amada
Aguardo a cada dia teu livro
te amo muito
beijos
lissandra

Lápis-lazúli disse...

“A DOR QUE DÓI…” está na dor que dói em nós, porque somos um “mundo” chamado totalidade, em perfeito estado de cumprimento das suas partes que compõem a vida emotiva. A dor, não veria ser percebida como agressiva... A dor que dói é admirável, porque é um falso furacão... aí se encontra sua “dimensão maior”. Um dia superamos!
Um abraço,
Lápis-lazúli