domingo, 5 de dezembro de 2010

SEM PRESSA ....





Estou de férias da faculdade, agora penso ter mais tempo para descansar o corpo e os neurônios, e isso me dá uma alegria infinda, pois representa mais uma terceira batalha a quase vencer.
Por conta desse compasso de espera, só agora pude agradecer um presente lindo que ganhei de Edi que voltou recentemente de S. Paulo.
Imagino eu, estando aqui, a 2129km de distância , alguem pensar em mim, e fazer questão de personificar essa lembrança.
Nem sempre , ao abrir um presente, lembramos do percurso emocional que ele fez até chegar às nossas mãos. Nem da carta que o mensageiro trouxe, nem do cartão enviado pelo serviço postal ou pelas fibras óticas da modernidade. Parece que nossos olhos estão separados do coração, como ave despedaçada, morta, onde esses órgãos não têm mais serventia, nem conexão. Qual a causa dessa ruptura?
É como se o que nos despertasse fosse apenas o conteúdo - não gosto de ver a embalagem do presente ser rasgada com afã- a magia do desembrulhar denota o carinho da surpresa.
Ao abrir lentamente o presente, saboreei o som mavioso da separação inevitável do durex com o papel, é um canto triste, como todo luto, embora seja preciso por dois motivos, descobrir o que tem lá dentro: a constatação de que fomos lembrados e o que vai se materializar, se eternizar nessa lembrança-presente, naquele momento.
Encontro um adereço de couro, vidro e metal. É uma bicicleta carregando o tempo- um relógio- e eu que vivia "sem hora" rejuvenesço.
Seguro a tira de couro como um pêndulo.
Deslumbrada, examino a peça, faço uma leitura metafórica , de como o artista, conciliou tempo e velocidade, e quem sabe , nunca trilhou os caminhos da Física.
A sua arte me comove, o presente também, como se fosse possível retardar as horas por ser a bicicleta um transporte lento se comparado a outros meios de locomoção.
Aí, podes crer, só o pensamento vence a velocidade dos segundos e dos Airbus. A letra da música  já confirmou isso: "meus pensamentos tomam forma , e eu viajo...." .
A arte investida na música, na pintura ou na palavra, dá esse tom à vida, ao poder de subjetividade do ser humano, que segundo estudiosos da Psicologia a definem como "um espaço relacional, aonde a insistência dos modos de percepção irá instaurar a realidade".
Minha subjetividade me permitiu essa viagem, meu tempo agora vai de bicicleta a qualquer lugar, sem pressa de chegar.



Créditos:
Música: Majestade, o Sabiá- Jair Rodrigues e Ricky Vallen- Letra: Xitãozinho & Xororó

Texto : Lígia Beuttenmüller.






2 comentários:

Anônimo disse...

Bom domingo pra tu. Amoooooooooo o que vc escreve. Não tem jeito cada texto é paixão a primeira hora. rsrsrsrs.
Bjs

A.M

vida cotidiana disse...

O prazer e a honra são minhas de estar aqui nesse cantinho tão encantador. Palavras lindas e de grande saber.