domingo, 8 de fevereiro de 2009

A DECÊNCIA DO SABER

“Dois e dois são três” disse o louco.
“Não são não!” berrou o tolo.
“Talvez sejam” resmungou o sábio. Skepsis

No campo sagrado onde faço minhas reflexões fiz uma viagem bucólica quando li essa frase, mesmo assim a ingenuidade foi perdendo-se e eu pude me desvencilhar da ilusão para compreender a realidade que ela me trouxe.
Acho interessante como é difícil entender as pessoas, totalmente.
Estou diante de três pessoas (que não são unas) e que por causa das suas assertivas foram classificadas de acordo com suas respostas ... Questiono se o “louco” não poderia ser simplesmente um analfabeto funcional matemático; se o “tolo” seria alguém bastante teimoso e não necessariamente um desconhecedor de números, ou ainda, um romântico ou filósofo que estaria contestando uma pseudo-verdade. Porém o sábio é um sábio, Salomão que o diga! A sabedoria dele estava respaldada na dúvida , e foi a dúvida quem decidiu quem era a mãe da criança.
Na frase inicial do texto as pessoas estão diante de uma pergunta que os incita ao questionamento de como viam os números, suas combinações e os seus resultados.
Mas quem deles estaria certo? Todos. Cada um com um mundo matemático diferente em sua cabeça. Considero que a verdade de cada um é a sua lealdade a si mesmo.
Verdades são a construção do entendimento que fazemos sobre pessoas, coisas e números. Elas não são invariáveis, sofrem mudanças naqueles que têm mobilidade no olhar e se incomodam sobremaneira com a estagnação. Não há verdade plena nem absoluta, há sim a verdade da hora, que quando modificada, não assume ares de mentira. O que seria da ciência que condenou por décadas o uso do café e hoje já divulga seus benefícios à saúde?
Concluo que sábio é aquele que desconfia, sempre desconfia e, sistematicamente elabora rumos para que a incerteza não perca a sua elegância e a sua modéstia.
Assim, os que escolhem a certeza perdem o privilégio de serem considerados, pelos menos momentaneamente, sábios.
P.S. Na mitologia grega, Atena, deusa da guerra e da sabedoria, tinha uma coruja como mascote. Os gregos consideravam a noite como o momento do pensamento filosófico e da revelação intelectual.
A coruja, por ser uma ave noturna, representa a busca pelo saber.

Texto Lígia Beuttenmüller
Imagem: Google imagens
Direitos autorais reservados

6 comentários:

camencita disse...

Lígia, olá. tava sem tempo de te ver, mas agora to te volta.Amo o que vc escreve.
bjs da amiga de sempre e de qualquer hora
Carmencita

Anônimo disse...

Olá Lígia
Adorei, novamente, me deliciar com seus textos
Decência do Saber está escrito com muita inteligência e sabedoria.
Estou desconfiada que você seja uma sábia, tamanha sua elegância em desfilar para nós escritos com a leveza das plumas, sem deixar de ter determinação e clareza quanto a suas colocações.
Um abraço, Ana

paulo disse...

Oi minha querida, sem tempo, mas com saudade
Muito bom, os escritos.
Bjs Paulo

Cristiano disse...

kd o livro, sai ou não? estou no aguardo.
Um abraço
Cristiano

Fer disse...

Oi Lígia, soube que estás fazndo jornalismo, que bom , parabens.
A escritora veste-se de jornal. kkkkk
bjs e sucesso!

M. Dores disse...

olá
muito bom, sabedoria é sabedoria
um abraço visse?
Dorinha