terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A SOLIDÃO E O ESPELHO

A SOLIDÃO E O ESPELHO

“Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma." Fátima I. Pinto.



Senti saudades do Aurélio e dei um tempo ao Google, queria buscar um sinônimo para terminar de digitar um texto científico. Ai pensei na solidão dele – a do dicionário- ao qual fui desprezando sua companhia depois do advento da informática e com ela o surgimento dos sites de busca. Por causa disso resolvi hoje, falar sobre ela - a temida solidão.
Pensando, descobri outras solidões, por exemplo, a da palavra sem som, que por mais bem escrita, grafada, será apenas lida, e não terá o charme, nem a força da palavra dita.
Diante desses devaneios, comecei a lembrar de quantas pessoas do meu ciclo de amizade , “detestam , odeiam “ a solidão e comparando minha vivência e a minha estreita relação com ela ,
percebi o quanto essa "coisa medonha" me faz bem.
E lá no dicionário vi que a palavra "solidão" significa: estado de quem se sente ou está só. Pareceu-me que a maioria sente, como se realmente estivesse faltando algo ou alguém, daí conclui que talvez seja o medo que as pessoas tem de confrontar-se, pois não haverá ninguém para perguntar ou responder, só elas a elas mesmas.
Interessante como a solidão é tão importante para o meu equilíbrio interior, eu a utilizo como espelho, para na prática reproduzir a imagem de mim mesma, a quem elogio e recrimino, abençoo, ou abomino, por isso a considero como minha única companhia verdadeira, e não a dispenso , nem que eu esteja numa multidão,
dada a sua importância em minha vida.
Minhas dúvidas, eu posso espalhar ao oriente, ao ocidente, ao norte e ao sul, e incumbir ao vento de distribuí-las aos “fofoqueiros de plantão” tornando coletiva minhas inquietudes,
no entanto somente dentro de mim,
é que o vácuo se fará e terá eco para responder as minhas interrogações.
Desta forma, estar só, é questão de preferência existencial.
Os acessórios em qualquer contexto sempre poderão ser dispensados ou trocados (pessoas ou objetos), no entanto a essência, essa é, imprescindível para acopla-los. E nunca eu poderia dispensar-me de mim mesma, pois a solidão é meu adorno.
O espelho é o instrumento que nós mulheres usamos para poder passar baton, e eu aproveito sua utilidade , empresto-o a minha solidão , para que ela possa "xerocar "
a minha alma.

Texto e imagem : Lígia Beuttenmuller
DIREITOS RESERVADOS

Um comentário:

Anônimo disse...

Chamar solidão de adorno e gostar/conviver com esse estagio que, em geral, detestamos você desta vez conseguiu se superar e mais uma vez me surpreender para o positivo. Só me resta dar-lhe (NOVAMENTE) os parabéns, não só pela crônica, como também pela conquista do equilíbrio/maturidade que você encontrou em sua vida. De hoje em diante, o espelho terá, para mim, mais uma finalidade, vou através dele enxergar você como adorno da minha alma, e tentar absolver e usufruir os seus “ensinamentos”. Solidão nunca mais. Obrigada.
Um abraço, Ana.