terça-feira, 31 de agosto de 2010

E PRONTO !


É assim, e pronto! Essa expressão representa a força da decisão tomada, pelos que questionam e chegam a alguma conclusão, ou ainda a palavra finita dos teimosos. Agir com teimosia pode ser a única saída para resolver definitivamente algum problema, ou abrir caminhos para novos problemas sem romper os vínculos.
Quantos momentos um "e pronto" demonstra poder , rigidez, prontidão, decisão ?
Acho que sou "mole" pra essas coisas , demoro a tomar decisão, como se os meus neurônios ainda girassem na rotação de LP- 33 rpm. Pondero muito, penso sempre nas consequências, e tenho a mania de esperar que o tempo apazigue os tornados , e os terremotos.
Rendo-me à essa evidência, e pronto!


Texto: Lígia Beuttenmüller
Crédito da imagem: Marta Adalgisa Nuvens

domingo, 29 de agosto de 2010

DEPOIS DO FUTURO




Estou hoje vencida, como se antevisse que haverá um dia que a verdade perderá a lucidez, e se angustiará como se estivesse para morrer, dando uma sensação de um nó tão apertado que não permite que o ar saia para tomar fôlego.

Uma sensação de abandono tomará conta de todo espaço invadido, a paixão enfraquecida, se assustará, e se entristecendo vai esborrar de mágoa, as palavras tornar-se-ão fantasmas alegóricos, nem mais nem menos.
As lágrimas irão afogar a alma, encharcar os olhos, quebrantar o corpo, e desesperar o amanhecer, quebrando a paz que se abriga no recôndito da serenidade.

Na madrugada havia algo de trágico se delineando, um rosto desfigurado, sem nome, insistia em não dar trégua a régua que mede o sentimento pelo caminho inverso, assim, do fim para o começo, quando ainda a linha escrita era apenas um arremedo de traço de grafite, que qualquer chuva ou vento forte poderia apagar.
A raiva incontida, inversamente , fortalecia o medo de perder seja o que a ilusão mistificasse , fosse a paixão ou um amor.
Naquele instante o futuro tornou-se presa encurralada, sem poder exercer o tempo que ainda viria, mesmo tendo nascido com o agora não conseguia se manter lá. Estava sendo puxado, empurrado , arrastado para o presente, numa correnteza desenfreada como um romper de uma barragem.

Agora só restava juntar os pedaços de um coração partido e descrer que o que estava acontecendo, seria apenas um treino, como se o coração estivesse se exercitando para combater uma grande queimada, tendo apenas lágrimas para apagar os focos de incêndio.


Texto e Imagem : Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

NOITES ASSIM, DIAS SEM FIM


Como é bom revirar o corpo e encontrar, a quase certeza de estar entrelaçando as pernas andarilhas, que percorreram o mundo entre as coxas de outras moças.
E todo dia, toda madrugada o meu desejo desafia a distância e te rapta para a minha cama , com a intimidade, fragilidade e doçura, que só os amantes apaixonados se permitem.
A trilha de agora abre espaço para o aconchego cúmplice. A solidão enlouquece, sai desnorteada, buscando abrigo em algum coração solitário.
Eu sonho sonetos e poemas , calor e sombra, desejo e paixão. O dia amanhece , meu telefone toca ... é você quem me chama, querendo me acordar, para namorar e dar ao meu coração, mais um dia feliz.
TEXTO e IMAGEM:
LÍGIA BEUTTENMÜLLER

QUANDO VOU DORMIR


Relembro tua chegada em meu coração ... trazias a roupa molhada de pingos de chuva, e antagonicamente raios de sol resplandeciam em teus cabelos surpreendendo-me como se isso não fosse possível.
Mas logo me convenço, porque vejo que tua imagem reflete a luz de cada amanhecer como o dia nascendo pela primeira vez, é como um espelho encantado que é capaz de dar vida às ilusões.
Então penso que você me abraça, e ouve o meu coração, rendido, e entregue, alagado de paixão, afogado de esperança, seguindo o amor achado por acaso na passagem pelo mundo.

Recordo teus olhos como luzeiros que iluminam cais e porto, navio e canoa, estrada e vereda, como se fossem faróis de gás xenônio, que emanam uma luz azul esverdeada, translúcida como raios de luar, para confundir minhas noites e meus dias.
Depois de me encandear com teu resplendor, vou tateando as paredes da saudade, esbarro na tua ausência e me pergunto onde está você, mesmo sabendo que não sei responder a todas as perguntas do mundo, pois a tua ausência é infinitamente, a tua ausência.

TEXTO E IMAGEM: LÍGIA BEUTTENMÜLLER

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O AMOR É UMA PAIXÃO?



Nunca se sabe se esse sutil encanto, que envereda os sentimentos e transtorna os pensamentos pode ser apenas uma definição explícita de um desejo imerso em fantasia. E por mais que a gente tente vestir a vida, ela se desnuda, e sedenta toca as estrelas no portal da saudade, incita a desconfiança e traduz o ciúme. Cada vez que a separação se instala, o corpo levitando, flutua em volta do mundo, segue cada giro , bordando letras, escrevendo no etéreo com linhas de néon, como se pudesse firmar no firmamento o que seu coração não consegue decifrar. Busca responder aos enigmas que em viagens obscenas e secretas, fazem abrir os braços e fechar os olhos, abraçar o infinito e vislumbrar o sonho ao som de músicas ébrias, tão tontas como as vontades de girar com o mundo e deter o tempo, para morrer de amar, inventar um código e decifrar sobretudo se essa paixão é amor ou muito mais.
Então eu digo a essa saudade doida toma-me, bebe-me a noite inteira como se eu fosse o único gole que matasse tua sede. Porque é isso que eu quero ser.
Texto :Lígia Beuttenmüller
Imagem:Google Imagens

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

JUNTO, PERTO, E LONGE



Eu digo que saudade é ansiar pela presença da ausência. É querer ter perto quem foi para longe ou quem nunca ainda chegou, dessa maneira tentamos conseguir estratificar, congelar a imagem, a lembrança de quem nos faz tanto bem.
Quantas vezes nos pegamos tentando trazer de volta quem partiu, quem foi embora das nossas vidas, mas que permeia quase sempre nossas recordações, legitimando, e muitas vezes, caracterizando uma separação, uma perda.
Embora possa mais claramente, também ser, um sentimento pertinente e insistente querendo apenas preencher o vazio que está cheio dela própria , a danada da saudade!
A minha saudade é aquela que ocupa mais que a metade ou o lado do meu peito, é aquela que se imprime e se instala depois do amor, depois do aconchego do amor, depois do arfar da paixão, depois da plenitude do prazer.
Por causa dela parece que falta o beijo , mesmo o que ainda , nunca foi dado pela boca que passeia por todo o corpo, conduzida pela língua molhada e seguida pelas palavras sussurradas perto do ouvido, como se o vento norte estivesse rondando nossas orelhas, representando um ritual de passagem.
As pernas tremem como se uma longa estrada houvesse sido percorrida, como se 100 metros rasos fossem uma maratona. O fôlego parece sentir falta de ar como se a gente estivesse subindo ao Everest. O olhar percorre toda a cama, as mãos esbarram em travesseiros, os pés roçam o espaldar da cama, mas o coração sabe que a saudade , essa saudade é de quem nunca se viu, mas sempre se amou.


TEXTO: LÍGIA BEUTTENMÜLLER
IMAGEM: MARTHA DIETZ BEUTTENMÜLLER - Suiça

domingo, 15 de agosto de 2010

PARA A VIDA INTEIRA ? AINDA É POUCO


A sombra rasgou-se, e perto dali um foco de luz projetou quem estava longe , trazendo à lembrança o que não há como esquecer porque a paixão materializa-se e vai buscando se enraizar na idéia de amar.
Mesmo que os pés errem o passo, a estrada não deixará de ampliar o espaço, para que os tropeços do destino trôpego e embriagado pelas ilusões, consiga asas e alcance as nuvens.
A paixão brota como semente convidada pela terra fértil, num silêncio cúmplice, sedutor, que esconde os medos e deixa entrar em cena todos os desejos enlouquecidos, que pedem licença para brotar.
No canto escuro do quarto nasce a cada noite um clarão repentino, transbordante de esperança, envolto nas cores do arco-iris, vestido de sonhos, dando ao coração razões para se apaixonar.
Apesar da distância, paira a certeza de que se o encontro se der, será para a vida inteira, e isso acontecerá quando
a paixão decidir morrer para nascer amor.

Texto : Lígia Beuttenmüller
Imagem: Martha Dietz Beuttenmüller

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

BORBOLETAS? NÃO...


A garota vivia caçando estrelas, mas não tinha intenção de percorrer todo universo para encontrar a estrela desejada, aquela que se diferenciasse das que ela já conhecia. Assim, dentro do seu coração havia a quase certeza de que não precisaria ir muito distante para alcançar o plasma luminoso com o qual sonhara sempre.
Mudava o horário de busca, entrava logo ao entardecer, mas não demorava muito, tinha outros afazeres pontuais. Dormia por pouco tempo, e na madrugada, quase ao dizer bom dia ao dia, enveredava pelos anéis planetários para encontrar a estrela que trouxesse em seu brilho os raios da paixão.
Passou por nuvens, enfrentou lampejos de raios, até que se deparou com uma quase estrela, quer dizer, parecia ter sido estrela, mas dava a entender que não queria mais emprestar seu brilho, pois se acostumou a ficar escondida entre outros corpos celestes e a brilhar para outros céus.
Mas o poder de sedução da garota, agora deveria ser colocado à prova, teria que dar um abraço que despertasse a estrela, e dar espaço para o sossego.
Enfim, a espera e a busca teriam que partir juntas, depois que a paixão se instalasse e bem antes que o amor rasgasse a pele.


TEXTO: LÍGIA BEUTTENMÜLLER
IMAGEM: Martha Beuttenmüller -Suiça-

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SENTIMENTALIDADES



É inevitável, não tem mais jeito....
Dá vontade de correr, para onde imagino que você possa estar, mas tenho que esperar a hora do encontro, mesmo que eu sinta uma urgência sem fim .
Não existe sono, cansaço ou rotina que se interponha a esse desejo , é como se você fosse a boa notícia que chega , seduz e permanece em mim , alimentando a fantasia com pedacinhos de chão banhado de estrelas.
Surge então, o tempo abrindo janelas, prendendo idéias, planejando sonhos e fechando as cortinas das impossibilidades e do improvável . A chegada do sol reflete a alegria com um brilho mais incandescente no olhar.
O que nos resta é esperar que as promessas se fixem em nossos destinos, e o beijo apaixonado invada o céu das nossas bocas, onde a paixão brinca de aprender a amar.
Agora é sorrir e consentir.

OLHANDO NUVENS


De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh`alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu
Se queres partir ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu to pronta
Me colha madura do pé
MARIA GADÚ –Dona Cila


Os amores que enfeitam nossas vidas , certamente foram
construídos com gestos, palavras , encantamento e sedução. É impossível classificá-los , pois não há maiores ou menores, melhores ou piores, foram e são todos vividos na intensidade que nos propusermos vivê-los, considerando também como eles foram injetados em nós, refletidos em atos de confiança e gratidão, os quais enfeitam nosso estandarte, embelezam nossa alma , fortalecem nosso espírito, enchem de ar nosso fôlego e aprofundam nosso suspiro. O amor nos move e nós movemos o amor, num eterno ritual mágico e cósmico.
O amor vira música, filme, novela, fotografia, outdour, poema, poesia, é registrado em guardanapos, pedaço de papel, painés, revistas, livros, CDs, DVDs, encerram histórias alegres ou tristes, marcadas indelevelmente na vida de cada um, em qualquer estrada de algum caminho.
Então, eu abraço o amor de novo, cheiro, beijo, lambo , aperto, mordo , deito em seu colo , sentindo que o afago é bom como um cobertor na noite fria e delicioso como um sorvete num dia de calor.
Esse amor não se perde em si mesmo, embora, ele possa me dar adeus, quando eu menos quiser .
Pode ser até mesmo, quando eu estiver distraída, apenas olhando as nuvens formando figuras no céu.

Texto :Lígia Beuttenmüller
Imagem : Google Imagens

terça-feira, 10 de agosto de 2010

VIVENDO E EXISTINDO


O amor caminha sobre as montanhas,
passeia nas nuvens e desliza no mar,
e enquanto ele solta seu vozeirão aos quatro cantos de mim,
o vento sussurra para o mundo o meu silêncio.
A saudade toca o meu braço se enrosca e me enlaça,
pousa em meu ombro, despenca para o meu coração.
Mas meus olhos buscam os teus,
então, procuro tua fotografia capturada
numa madrugada pelo Print Screen.
Vejo teu rosto, como se eu pudesse identificar cada pixel
que aglutina a tua imagem, para dizer-te mil segredos.
Faço o delineamento dos teus olhos
tentando aprisionar o teu olhar,
amplio tua boca, imito o teu sorriso e guardo-o na lembrança.
Tem sido assim, sem reticências,
sem vírgulas, nem pausas
porque há destinos que se cruzam,
vão além das linhas fronteiriças da geografia
ou das desenhadas e demarcadas numa folha de papel.
Melhor...? Ainda não pode ser.
Imagem e Texto: Lígia Beuttenmüller

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

UMA DANÇA CHAMADA TANGO


O que queres quando danças tango com a língua, em meu pescoço, em minha boca e no meu ouvido? O que fazes quando atravessas meu caminho e incendeias a minha alma com larvas do vulcão islandês, cujas cinzas se incrustam em meu voo, logo agora que eu ia hibernar?
A tua presença na tela invade a minha retina como um colírio em dose certa, que amplia meu ângulo de visão e me dá a clareza da distância que impede tocar tua pele e de sentir teu cheiro.
Então, porque me convidas para dormir ao teu lado, arranjas um espaçozinho entre teu corpo e os lençóis, e me ofereces o ombro depois do amor?
Depois de tudo, fechas os olhos, aí me despeço, mas fico, enquanto a madrugada passa, continuo a mergulhar nesse sonho para devassar o desconhecido. Me abobalho, ao ver o teu corpo adormecido, e também durmo.
Ao amanhecer , me enrosco em tuas pernas , aconchego a minha boca ao teu ouvido e grito baixinho, ensaiando um modo de te acordar pela primeira vez.
Hoje o convite se repete, assim será por longas noites.


Texto e imagem: Lígia Beuttenmüller

sábado, 7 de agosto de 2010

A TRISTEZA DA DÚVIDA


A cada dia qualquer despedida tem cara de adeus,
mesmo que a vontade dê a certeza de um até daqui a pouco .
O até logo sempre nos silencia e rigorosamente despenca naquela ansiedade inquietante até chegar o próximo encontro.
Qualquer demora entre a hora marcada e o tempo de espera concretam a inquietude.
Nesse intervalo as justificativas da demora vão do esquecimento à aflição de um problema mais sério que possa quebrar o ritmo estabelecido desde o primeiro olhar.
Assim, esperar, seja o que for abala qualquer esperança e desestrutura a carruagem de fogo que tenta atravessar savanas e desertos.
Pouco sabe-se sobre os laços invisíveis que nos ligam ou nos separam,
nunca sabemos quando o nó permanece nos prendendo ou se numa viela ou avenida alguém vai despertar novo interesse e mostrar outra razão, outro motivo para mudar de rumo.
Nesse instante é melhor fechar os olhos e adormecer ouvindo
a doce voz selada em segredo da última vez que cada pedaço se uniu, para não permitir que a tristeza enraíze a dúvida, ou a dúvida faça nascer a tristeza, isso, é essencial.
É bem melhor pular essa parte, e viver o agora na medida em que se consegue ser feliz .
Se é para perder, que seja para depois de conserguirmos algum ganho, ao menos a intuição de que a felicidade esteve entre nós, e permeiou nosso corpo, nossa cama, como uma fita acetinada que amarrou pacotes de presentes recebidos na infância.
Agora, embora os sonhos tenham inúmeros significados, nem sempre é tão dolorido ter que acordar, mas , às vezes é melhor pular essa parte também.


TEXTO E IMAGEM : Lígia Beuttenmüller

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

QUAL O CAMINHO DO TEU CORAÇÃO



Como pássaros ao entardecer voando em direção ao sol,

assim minha paixão busca refúgio e abrigo em teu coração,

para escapar das esquinas ruidosas

e dos raios que transpassam as nuvens cinzentas tão circunstanciais.

Elas deram um tranco atento no meu peito,

coincidindo com o ritmo das batidas do meu coração.

É como um gesto, uma moldura para guardar o cio da maré mansa

e do mar quieto, que sabem onde há uma praia depois da sombra da montanha.

Traço meu caminho, cruzo meus planos nos seus.

Ai vejo você dizendo para os meus olhos que o seu coração quer o meu,

então, eu te quero de novo, um pouco antes de dormir.
TEXTO E IMAGEM: Lígia Beuttenmüller
Imagem: Rio Capibaribe ao anoitecer.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

QUANDO A PAIXÃO BRINCA DE AMAR


A força que atrai a paixão
esfumaça os espelhos sob a luz da madrugada
nos remete aos quatro cantos do quarto
dribla a distância, engana os medos.
Mistura a sede com o que ronda a cama,
o corpo aquece, mas aperta o peito
e nesse meio tempo
há um lamento no fundo da alma
que antes tão calma , agora emerge do nada
quando o amor vai se fazendo aos poucos
e a saudade também.
TEXTO E IMAGEM: Lígia Beuttenmüller
Imagem: Rio Capibaribe ao amanhecer II

terça-feira, 3 de agosto de 2010

VONTADE DE DANÇAR, SALTAR E VOAR...ENFIM.




Eu sou o sonho, o céu , o mar, o lilás, o chão, mil vezes acordarei e baterei na porta do mundo, e chamarei milhões de vezes o teu nome. Evocarei tua lembrança, para que a vida tenha uma cor além do cinza, que o teu sorriso apareça em cada rosto que eu veja, que seja verdade o teu olhar que me segue e que motivos surjam e por mais aparentes que possam ser, me interessem, me estimulem , e tenham sabores e odores especiais como gosto de graviola com mel de engenho, como cheiro de castanha assada na beira da estrada, e impregne a minha aura numa eternidade construída de pontes que atravessem o tempo.
Nesse momento, estou pensando intensamente em tudo que faz parte dessa passagem , até que as horas se quebrem em sono, que os dias passem e passeiem como aves que não perdem o sentido da rota.
Que tudo tome a forma do teu corpo e me tome em círculos, me entonteça, quando estendo as mãos por dentro da tua ausência , quando assusto o medo e corro em busca do teu sussurro para matar a minha saudade. Não posso perder a hora nem a estação. É verão no meu peito e há sol na madrugada.
Imagens e Texto : Lígia Beuttenmüller
Imagem: Rio Capibaribe ao amanhecer.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

LAMBENDO SONHOS


Estava cada um em seu lugar, esperando, com a incrível certeza que se cruzariam, numa rua, esquina, estrada, travessia, era certo sim que em algum dia, em algum lugar haveria conspiração de astros , ventos, luas, estações, planetas, e o encontro aconteceria.
Haveria sim , de alguma forma conspiração à favor para o braço encontrar os abraços, a boca encontrar os beijos, e o coração afagar a alma.
A brisa falaria qualquer coisa, passaria todos os dias dizendo a mesma frase ao coração aflito, para preencher o espaço que a felicidade deixara vazio. Eram palavras de amor, sentidas pelos olhos, vistas pelo ouvido, cujo som materializava-se na vontade cruel e na certeza de que em qualquer dia, em qualquer lugar o inevitável aconteceria, que a vida chegaria em festa, do jeito esperado, e era preciso dançar, a música que entra no coração e traz a graça ingênua do que não foi feito para durar.
E foi assim, enquanto as violetas voavam, nossas asas se tornaram mais leves, o céu chegou mais perto, então soubemos que ele é aqui!
Ele é o tempo que atravessamos enquanto estávamos esperando, lambendo sonhos, e pronto!!!
Imagem: Google Imagens
Texto: Lígia Beuttenmüller

domingo, 1 de agosto de 2010

ERA PARA SER ASSIM


Acordar no domingo, com as pernas ainda entrelaçadas depois do amor que se fez, revirar os braços, abraçar, soltar, abraçar de novo para ter a certeza que a noite os unira, e que o sol estava intrometendo-se naquele instante mágico, entrando pelas frestas da cortina, vindo queimar a pele e os expulsar da cama. Alguem tem que decidir-se...
Ir ao banheiro, refrescar o corpo, acordar os olhos, branquear o sorriso, voltar e espreguiçar na cama de novo, “fuçar “, empurrar, “fungar” no pescoço, beijar de leve a nuca e empurrar da cama, despertar, ver a vida.
Mas nada lhes convence a sair da cama. Ligam a TV e discordam da programação oferecida àquela hora, bem que poderia ser um filme mais provocativo, pois queriam apenas um motivo mais visível, e palpável que aquele ombro estendido como degrau de uma escada que haviam descido pela madrugada afora.
Teriam combinado antes, ir ao parque, logo cedo, caminhar para manter à forma, acelerar os passos para suar e destilar as bebidas ingeridas no fim de semana, apreciar crianças nos brinquedos, dar uma olhada no lago, observar os peixes , voltar para casa, e antes, na volta, comprar comida pronta, daquelas que são acompanhadas de palitos, e biscoitos da sorte. Lembrariam do sorvete, para ser consumido enquanto assistissem ao filme locado, mesmo dispersando pipocas de microondas no tapete da sala.
Tudo programado, mas nada parecia engrenar.
A cama estava mais convidativa que qualquer possibilidade de vida lá fora. Agarraram-se, novamente , enroscaram-se, aconchegaram-se e as horas foram passando, e entre um "fungado" e outro , um beijo e um carinho a mais, o dia despediu-se, e a noite bateu na porta do quarto.
Aquele domingo era daqueles dias que a gente quer que o mundo pare, a hora esqueça o tempo, e a vida celebre o amor, que glorifica estar assim, ao que se quer, com quem se quer, para o que vier da forma que se quer.
Se há momentos melhores que esses não me falem, esses me bastam, nos bastam!
Era para ser assim...
TEXTO: Lígia Beuttenmüller
Imagem: Google Imagens

sábado, 17 de julho de 2010

É SÓ VER VOCÊ, E...



Ela chegou, surgiu do infinito, com um sorriso no canto da boca, uma menina, que quer rock, mas está aprendendo a ouvir “Quereres”; “A cúmplice” Suave é a noite”; “Contigo aprendi” ; “Hino ao amor”. Canções de um tempo tão antigo como o som repercutido na frase de Adão para Eva: Tu me amas? Claro que sim. Ela não se importa se o azul do céu de uma encosta qualquer, irá escurecer, pois acredita que um arco-iris estará lá, para demarcar o tesouro encontrado.
Quer embriagar-se não só de vinho, mas, do néctar das flores, que ilumina as manhãs nos jardins cultivados. Não se incomoda com o barulho suave da brisa, nem do vento que ruge nos temporais, pois qualquer som, denota vida, e isso é essencial.

Até zoada de trovão é considerada presença, e sem medo, não se esconde debaixo da cama, apesar da tenra idade, percebe que é apenas uma voz mais grave , mansamente audível para quem está só, mas não se sente só.
Sabe, que é essa a forma que a natureza encontrou para anunciar, que um raio está por vir , pois a turbulência, encarna a própria vida, musicada no ritmo da vontade de extravasar a saudade incontida.
Ri sem saber do quê, gargalha para externar a alegria que estava resguardada . Quer fazer/dizer bobagens, sorrir do próprio sorriso embasbacado de surpresa e lassidão, aquele que provoca uma sinergia boba, complacente, com quem não tem juízo, nem quer saber do que ele se alimenta, sente amorosamente que certamente não é das sobras da mesa, mas sim, da primeira colheita, daquele ano, daquele mes, daquele dia , daquela hora.

Não tem intenção de criar juizo, quer apenas ser cúmplice do raio que antecede a chuva, e para isso é necessário rasgar o céu e se encravar na terra.
Sente que o mundo continua girando e lhe entontecendo numa embriaguez sóbria, que agradece à vida pela própria vida, por ter se dado e recebido tanto!
Não cabe em si de contentamento, por estar “contente”, na descoberta de tanta paz, aquela que entra no peito e descansa no colo, que faz cafuné no umbral do coração, pede licença não só para entrar, mas, para permanecer, nem que seja por segundos, ou quem sabe para a vida inteira ou para o que sobrar viver!


Texto Lígia Beuttenmüller
Imagem: Google Imagem

sexta-feira, 16 de julho de 2010

NOVO SOL, NOVA LUA


Já era tempo de alongar os braços e aconchegar outros amores, ouvir o som dos pássaros, e torná-los cúmplices no novo vôo. Encurtar a distância entre o juízo e o coração, permitir que a emoção enlaçasse a razão e que as duas pudessem conviver viver harmônica, e simbioticamente, para determinar a paz interior.
Nesses passeios, conseguir visitar esquinas entranhas e conhecidas, mas sem vê-las com o olhar do passado ou perscrutando o futuro.
Deixar que ele venha em seu tempo sem instigá-lo a correr para o presente, como se ele viesse adornado de uma bola de cristal na mesa, na cama, para prever acidentes emocionais ou lhe ajudar a precaver-se deles.
É bom estar assim, e entrar com a cabeça tão vazia como um estádio de futebol sem jogo num domingo de sol.
E assim, não pensar no finito avassalador, que destrói qualquer possibilidade de serenidade e sem se jogar no precipício das inquietações de quem não começa por medo de que um dia o fim chegará para fechar o ciclo de tudo que vive, inclusive do amor doido e doído.
Indescritível é a sensação de poder, não por controle remoto, mas pela certeza de ter conseguido a capacidade de mudar e por se permitir a outras escolhas numa intimidade fidelíssima, e inevitável, com o seu amor próprio, mantido agora, pela destreza adquirida para romper portas e janelas , mares e terras em busca do que chegaria como um presente entregue a cada novo sol, a cada nova lua, para celebrar inexoravelmente a vida.

Créditos de Texto e Imagem
Lígia Beuttenmüller

terça-feira, 13 de julho de 2010

DE VOLTA AO RECOMEÇO


A dor havia chegado e nem sabia quando iria embora.
Era resultado do excesso de amor que estufava e comprimia o coração. A presença e a ausência eram tão antagônicas e tão grandes, que mal cabiam dentro de si. E sem brecha, a saudade não tinha por onde sair, nem havia caminho para outro amor entrar. Ainda não era tempo de exílio, pensava.
Sentia taquicardia, e acelerava o fôlego para aspirar o mundo. Parecia que a angústia tinha declarado morada permanente. Tudo se fechava ao seu redor.

Apertava em conchas, as mãos suadas , como se quisesse aprisionar a vida, mesmo que naquele momento não parecesse ter sentido algum, nem as conchas , nem a vida.
O amor que acreditava sentir, estava persistindo em sobreviver, sem água , sem sol, sem açúcar, sem sal, como um habitante do deserto compartilhando miragens.
O oásis representava o tempo impreciso, aceitando o visitante como sobrevivente da ilusão que não queimava, mesmo sob o sol mais ardente.
Tinha medo de perder o que estava dentro ou do que lhe esperava lá fora? O mundo lhe parecia estranho, porque temia acabar se enroscando em alguma teia tecida novamente pelos seus sonhos .
Cada centímetro quadrante daquele esconderijo era precioso, formava uma tábua de jogo de damas. Não movia nenhuma pedra, o jogo estava inacabado , não sabia se era a sua vez de jogar, havia se perdido no emaranhado das peças e a nitidez das linhas do tabuleiro não ajudavam a sua sensatez.

Não se desfazer do "habite-se" mantinha a esperança da porta sempre aberta para motivar a volta. A incerteza do ir e vir parecia acalmar as marolas da desilusão como brisas e maresias que enfeitam e desafiam os mares, tentando esconder a intencionalidade do nunca mais.
Ficava em transe, sem perspectivas e sem alternativas, porque insistia em manter preso o que era etéreo e fugidio.
Meses e anos foram sendo desperdiçados na trama da espera.

Num dia de sol, - os dias de chuva são coniventes com a letargia-, decidiu-se...
Correu para o mar, banhou o corpo, lavou a alma, pegou uma onda, rumou ao oceano, ganhou o horizonte. Submergiu! não se perdeu nunca mais.

Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

sábado, 10 de julho de 2010

CICLO DO VENTO, BEIJO DA LUA


Por onde andas? Contando estrelas no céu?
Passeando nas nuvens?
Ofuscando os olhos com o brilho do sol?
Matando a sede aonde?
Enquanto houver amanhecer e anoitecer
E eu acreditar que a madrugada
é o compasso da tua ausência
Vou estar aqui
Olhando para o céu
deixando que a lua
Encante a minha alma
E eu possa ordenar ao vento
que transcenda as fronteiras da saudade
e diga num sussuro ao seu ouvido
Que eu lembro
Lembro muito
De você.
TEXTO E IMAGEM
LÍGIA BEUTTENMÜLLER

AS AUSÊNCIAS E DISTÂNCIAS



Quantos kilometros nos distanciam dos nossos sonhos? Quantas estrelas brilham e nem podemos tocá-las, quantas noites se vão, carregando os dias em que nem percebemos tê-los vivido.
Quais nuvens encobrem os raios que a lua infinita gostaria de mostrar? Nunca se sabe.
Estes são os desafios infindos que talvez, não possamos desvendá-los se não nos permitirmos abrir a prisão consentida. Têm significado sim, porém, só terão concretude, se conseguirmos personificar, sair da sala para os terraços, espiar as vitrines do mundo e expiar o que nos causa sofrimento, escutar o som que vem dos mares, da florestas "encantadas", para poder assim, ver-se de fora o que está dentro, como um reflexo de espelho.
Fazer poesia com as quebras da expectativa e escrever poemas com os pingos da chuva, buscar acreditando que vamos encontrar sim, fazer festa sem termos a obrigação de comemorar, lamber as dores até que elas se tornem um equívoco desvendado.
Abandonar sobre a mesa as lágrimas cortantes dos amores vestidos de tristeza e descobrir que a rotina dos ponteiros podem acelerar o que há de vir quebrando os laços do passado e construindo (- nos) nós para o futuro.
Até que as lembranças virem passado novamente, mas bem guardado, para dar chance que o presente se refaça e faça um percurso para nos levar ao que nos permitirmos encontrar .

Créditos:
Texto e Imagem -Lígia Beuttenmüller

quinta-feira, 8 de julho de 2010

DINHEIRO E FAMA NA CONTRA-MÃO


Me parece que a fama e o dinheiro não fazem bem a certas pessoas, que pena! Como não saber administrar as benesses próprias dessas duas coisas que fazem da vida normal e comum, um espetáculo? Como é possível ter essa grande oportunidade de estar debaixo dos holofotes da sociedade e não destinar essas possibilidades para propagar a paz e ajudar aos necessitados?
Os incautos dizem que o dinheiro transforma o indivíduo, todavia não concordo que isso seja verdadeiro, isso combina mais com lenda urbana, pois há muitos ricos que se preocupam com a fome , miséria e despreparo profissional do povo mais pobre, e criam associações desportivas, ONGs, para modificar a vida dessa gente.
No entanto, a safra futebolística, tem sido representada por alguns atletas despreparados para lidar com o sucesso e a conta bancária, buscando superar a infância difícil, vivida muitas vezes em favelas. E ao virar celebridade, carregam consigo os traumas vividos lá e “descontam” na sociedade, como se não soubessem que há profissionais capacitados para retirar deles a “favela” de onde vieram.
Lógico, que há nessas comunidades expropriadas, muita gente do bem, no entanto é comum ao brasileiro justificar que “com convivência até perna quebrada se pega” que a meu ver, é outra lenda urbana.
Quer dizer que só há visgo para coisa ruim?
Lastimo que tanto no meio esportivo como no artístico e político existam tantos depreciadores da fortuna econômica e cultural, que poderia ser utilizada como conversão do menor para o maior, do individual para o coletivo, do fragmentado para o completo, do fugaz para o permanente.
Há que se reestruturar a família, educar os filhos, colocar limites, articular a paz e a exaltação à vida.

Quantas pessoas ainda morrerão pela impunidade avassaladora que permeia o Código Penal mediante os atos criminosos? Até quando esqueceremos que viver é a possibilidade que a natureza nos dá para termos tempo de ser feliz, ter e fazer o bem?
O Brasil está se tornando um gigante econômico, que se deforma a passos largos pela violência urbana, contra crianças, mulheres e idosos que todo dia “escapam” e lutam para permanecer vivos e sem traumas.
Quantos “Robinhos”, “Veras Lúcias” , “Brunos”, serão ainda capas de revista para demonstrar que a gente precisa dar um basta enquanto cidadãos, antes que sejamos parte das estatísticas dos que são violentados por “loucos” que muitas vezes são considerados “primários”, e por ter residência fixa respondem em liberdade ou pagam seus crimes com medidas sócioeducativas?

Em tempo:
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/07/apos-prisao-bruno-diz-que-esperanca-de-disputar-copa-acabou.html.
O Bruno lamenta não poder participar da Copa de 2014.
Uma camisa- de –força, e uma jaula para esse cara que acusado de assassinato, pensa no “ópio do povo” e na sua projeção pessoal.
Créditos:
Texto : Lígia Beuttenmüller
Imagem:Google Imagens

CRIMINALIDADE ENDÊMICA



Acabamos de perder a taça, os ribeirinhos de Alagoas, a geladeira comprada em 24 prestações, e Eliza Samudio, a vida. Perdas materiais e morais, que se entrelaçam às perdas de valores.
No caso da taça, em que parte do caminho foi deixada para trás a vontade guerreira de vencer? Que surto psicótico-coletivo atrapalhou as jogadas mirabolantes dos jogadores brasileiros? Afinal, como um simples gol destrambelha toda uma equipe, incluindo o Dunga Zangado? O “já ganhou” ficou apenas no “bicho” que encherá o bolso dos participantes com ou sem vitória.
Os alagoanos coitados perderam a geladeira para as enchentes, por causa da falta de consciência moral dos políticos que fazem da seca e da cheia um trampolim para as urnas.
E a Eliza perdeu a vida porque buscava identificar o pai do seu filho e naturalmente receber o que lhe cabia por direito na justiça.
Tenho lido as últimas edições da Revista VEJA, e lamento a quantidade de páginas dedicadas aos violentos tais como Robinho- Porque eles nunca crescem? (edição 2098/fev.2009) Vera Lúcia- A confissão da Bruxa (edição 2166/mai.2010), e Bruno – Traição, Orgias e Horror (edição 2172/jul.2010), com os rostos estampados na capa , como se isso os envergonhassem, muito pelo contrário, dão notoriedade a esses infames, que vão do estupro, a violência contra crianças, a morte coletiva, e ao assassinato.
Vejo na Veja, uma inversão de valores da mídia escrita. Talvez colocar as vítimas em primeiro plano chocasse mais a população, e fizesse com que a morte, a dor e o sofrimento causasse a mobilização nacional para a reforma legislativa, cujas leis “caducas” não se adéquam à punição de crimes bárbaros a que estamos expostos como vítimas ou espectadores indolentes.
O legislativo deve encontrar soluções metajurídicas para o problema da criminalidade, pois o Direito é apenas um subsistema da sociedade global, que a cada dia enfrenta a impunidade e à criminalidade endêmica que assola o país.
CRÉDITOS
Texto: Lígia Beuttenmüller
Imagens: Google Imagens

quinta-feira, 24 de junho de 2010

MEU PAÍS É UMA BANDEIRA, NÃO É UMA JABULANI (II)


Recriminam a televisão, muitos acham que ela passa maus costumes, e faz apologia à violência em cenas de novelas e filmes. Interessante, porém, é que ela é ótima , para entreter os filhos quando os pais estão ocupados ou com visitas. Mas não quero me atentar a esse "mínimo" detalhe. Quero pois, aqui, analisar a posição do Dunga , técnico vitorioso da nossa seleção de futebol, quando do seu "dia de fúria" acumulada desde que tornou-se dirigente da seleção. Ora, é sabido , que todos os brasileiros se tornam "técnicos" mesmo antes que a seleção seja escolhida, e imaginem, durante os jogos. Não justifica, porém, que resíduos de outras situações de enfrentamento com a poderosa Globo, ou com jornalistas de outras emissoras, possam servir de válvula de escape para extravasar sua mágoa com a imprensa. Quem tá na chuva é pra se molhar, e se desviar dos respingos pode e deve ser de forma civilizada, para isso há os recursos jurídicos. Ofensa ? busca-se denunciar aos orgãos competentes. Ana Maria Braga deu esse exemplo ontem. Voltando ao Dunga, estive vendo uma leitura labial aonde ele incentivava o ataque, ao braço do jogador machucado, da Costa do Marfim. Poxa, que comandante é esse, que não confia nos seus treinamentos, nem na competência dos seus treinandos, precisa incentivar a violência física e verbal em plena disputa? Que exemplo é esse? E o Kaká? precisava dar cotoveladas para que a gente não notasse o seu despreparo físico nessa campanha? Olha , que ele defende uma religião protestante, que prega a paz. Imagina se ele não tivesse esse freio moral/social. Bom, esses caras privilegiam músculos, vendem sua humanidade por glórias jabulânicas e ainda fazem xingamentos, diante das nações.
Meu orgulho de ser brasileira permance, embora arranhado, porque meu país não é uma JABULANE, meu país é uma BANDEIRA, que cobre um vasto território, povoado por trabalhadores explorados, que não são respeitados nem pela chuva, nem pelos políticos que os deixam "nus" e "molhados" até a alma, e os nossos impostos escoam nem sabemos para onde , pois a vida desses brasileiros não apresenta melhoria de qualidade. O que se gasta para remediar os estragos das enchentes, daria para alocar essas pessoas em áreas distantes de morros e rios. Enquanto isso, a jabulane rola, Dunga xinga, Kaká repousa, os políticos riem e os pobres morrem.

Créditos:
Imagem e texto: Lígia Beuttenmüller.

MEU PAÍS É UMA BANDEIRA, NÃO É UMA JABULANI


A mídia globalizada mostra notícias as mais diversas sobre a atuação da equipe brasileira na Copa. Entre outras , me detive na última entrevista de Dunga depois do Brasil vencer o jogo contra a Costa do Marfim e a denúncia sobre a preparação de recrutas da Polícia Militar, ministrado em Fortaleza. Duas situações constrangedoras.

Esse texto é voltado para a notícia veiculada no http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/06/instrutores-sao-suspeitos-de-excesso-em-curso-para-pms.html. O próximo será destinado ao "fabuloso" Dunga.

Só agora a sociedade percebe o que os recrutas sofrem para provar que são "homens"? ( há mulheres também, que passam nesses concursos para prover o quadro funcional e são submetidas ao mesmo tratamento inescrupuloso e desumano). O Governo Federal e os Estaduais deviam olhar com mais responsabilidade os critérios adotados para que os recrutas possam ser aprovados nesses cursos de admissão. Olhem para os alojamentos e condições a que são submetidos , quando designados a trabalhar nessas corporações. Lógico que os filhos dos ricos não passam por esse vexame, afinal, a lei diz que se estiverem cursando nível superior não terão que ser recrutados, pois entram nas corporações , se quiserem , como Oficiais.
BRASIL, abre os olhos, e lembra que o país não é uma bola Jabulani, porque o meu país (Brasil) é uma bandeira que deve tremular nos mastros e não servir de involúcros que cobrem caixões de recrutas inocentes manipulados pela imbecilidade de militares incompetentes. E vocês que noticiam essas barbaridades, abram espaço para comentários em suas páginas, pois só assim, poderemos gritar, e esperar que providências sérias sejam tomadas.

Créditos

Imagem : Google Imagem

Texto: Lígia Beuttenmüller

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A VIDA POR UM FÔLEGO


"Você não leva nada", é essa a frase de despedida verbalizada ou escrita por quem não conseguiu "prender" . São essas palavras ditas a quem traiu, saiu de uma relação amorosa, ou ainda, usada pelo senso comum, quando se refere à morte. O traído ou o dispensado se vinga com essa frase, como se coisas fizessem elo com o coração.
Também a morte (ô coisinha burra), nos leva despidos, nus, como se a gente quisesse levar alguma coisa. Quando ela irá aprender que Saramago queria ficar - tenho a impressão- com ou sem coisas, mas com elas : Pilar e a maravilhosa essência do permancer- A VIDA.
A morte é um "tapa" que nos ensurdece e entonteia, pra a gente acordar sabe-se lá aonde!
Créditos
Texto e imagem - Lígia Beuttenmüller

sábado, 19 de junho de 2010

ESTRELAS QUE CAEM A CADA MILÊNIO


PENSAR, PENSAR
“Todos os dias têm a sua história , um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra , duma sílaba , dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais.
Fonte : Levantando do Chão. Ed. Caminho

INTERVIR
Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.
Fonte: Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

RESPONSABILIDADE
As misérias do mundo estão aí, e só há dois modos de reagir diante delas: ou entender que não se tem a culpa e, portanto, encolher os ombros e dizer que não está nas suas mãos remediá-lo — e isto é certo —, ou, melhor, assumir que, ainda quando não está nas nossas mãos resolvê-lo, devemos comportar-nos como se assim fosse.
Fonte: La Jornada, México, 3 de Dezembro de 1998

CATORZE DE JUNHO
Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos? O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo. Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.
Fonte: Poesía completa, Alfaguara, pp. 636-637

CADA VEZ MAIS SÓS
Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro.
Fonte: Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216

LIVROS
Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e encontrar-me, de repente, com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto desta árvore mais que das outras. Não, cada livro em que entrava, tomava-o como algo único.
Fonte: El País Semanal, Madrid, 29 de Novembro de 1998

MOMENTOS
Há momentos assim na vida: descobre-se inesperadamente que a perfeição existe, que é também ela uma pequena esfera que viaja no tempo, vazia, transparente, luminosa, e que às vezes (raras vezes) vem na nossa direcção, rodeia-nos por breves instantes e continua para outras paragens e outras gentes.
Fonte: Manual de Pintura e Caligrafia, Ed. Caminho, 6.ª ed., p. 291

APRENDAMOS O RITO
Põe na mesa a toalha adamascada,
Traz as rosas mais frescas do jardim,
Deita o vinho no copo, corta o pão,
Com a faca de prata e de marfim.
Alguém se veio sentar à tua mesa,
Alguém a quem não vês, mas que pressentes.
Cruza as mãos no regaço, não perguntes:
Nas perguntas que fazes é que mentes.
Prova depois o vinho, come o pão,
Rasga a palma da mão no caule agudo,
Leva as rosas à fronte, cobre os olhos,
Cumpriste o ritual e sabes tudo.
Fonte: Os Poemas Possíveis, Editorial Caminho

ESPAÇO CURVO E FINITO
Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

Foi assim, e mil anos virão para chegar à terra um maestro das letras da sua estirpe. Filho e neto de analfabetos, brincava com as palavras que armavam seus pensamentos. Deixa para o mundo possibilidades de reflexão e para mim a certeza de que, morrer prá quê? Porquê?

Finalmente :"Nossa única defesa contra a morte é o amor", seguramente, referindo-se à Jornalista Pilar (esposa e tradutora).

TEXTOS DE SARAMAGO
Compilação:Lígia Beuttenmüller
Imagem: UOL

domingo, 23 de maio de 2010

PELA GRAÇA?


Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2.8).
Romanos 10: "Porquanto não há diferença entre JUDEU e GREGO; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. 13) Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo.


Causa-me admiração quando um religioso brinca de DEUS, ( se é que Ele faz 'assepção de pessoas") querendo mandar os "diferentes" para o inferno.
Esquece, portanto, de tantos versículos bíblicos que apregoam a paz entre os homens e dão a receita para se chegar ao tão desejado céu. No entanto, para se chegar lá, é preciso morrer, e pelo que me parece ninguém quer ir agora. Mas para mandar ao inferno, tem muita gente querendo ser o algoz, até esse religioso de Uganda que poderia estar mais preocupado com o fato de que no seu país uma a cada três crianças vivem em trabalhos forçados ou a trabalhar por conta própria devido a má situação econômica de suas famílias.
Uganda é um microcosmo da AIDS na África: há 500 mil pessoas necessitadas de tratamento, e 200 mil que o recebem; e a cada ano, 11 novos pacientes são infectados.
E esse "cristão" preocupado com um "erro genético" pois não lembro de algum hetero ter acordado pela manhã e decidido: agora vou ser gay!
Ah! mensageiro celestial (?) vá cuidar do teu rebanho, e deixa os "meninos e as meninas" tentarem a felicidade, antes que a fome, a miséria e a Aids, os alcançem!
Depois, se for pecado (rsrsrs) isso é assunto para o julgamento final, e quem sabe, você mandando-os para o inferno tenha que aturar a companhia deles pelo resto da eternidade, simplesmente porque errou na escolha da religião.
Imagina se no céu só entrar espíritas-depois do estágio de idas e vindas-. Ou se São Pedro só abrir as portas para os ateus!!!
Créditos:
Texto:Lígia Beuttenmüller
Imagem: Google Imagens
P.S. Repúdio público pela abominável reportagem: Governo de Uganda planeja dura lei contra homossexualidade . Em 20/05/2010 14h21 - Por: BBC Brasil

domingo, 4 de abril de 2010

O PRESENTE É UM PRESENTE




Na tarde a lua já anunciava sua chegada,aguardando respeitosamente a saida do sol para iluminar a terra.
É um encontro natural sobretudo pelo pacto de cavalheiros entre eles.

Parceria patrocinada pela natureza com promessa de ser quebrada somente nos eclipses. Enluar passa a ser verbo para quem quer subir até aos céus e tocar a lua com os dedos.
Partilho esse desejo com você, mesmo que tenhas o direito de optar pela negação,mas anseio que decidas antes que a vida escureça e desapareça dentro e fora de mim.
Sei o nome do agora, ele é dádiva, por isso o hoje representa o“presente”. O presente que a vida me dá para senti-lo como um presente, por isso tenho pressa em usufrui-lo, antes que ele se chame passado e eu siga em busca de outra possibilidade de tocar o céu.

Crédito de Imagem e texto
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 31 de março de 2010

O meu coração caminha no céu da tua boca.



Ah! Pernas...
Pra que te quero?
Quero para
Enlaçar
Dobrar
Esticar
Correr
pra lugar nenhum ou
Dar voltas em mim e enlaçar o mundo
Pra que pernas?
Se quanto mais as cruzo
Mais as afasto
Quando o amor chega?

Imagem Google
Texto Lígia Beuttenmüller

Esperando a maré encher e tocar a lua





Esperando...
Esperando que
A lua seja banhada
Pelas águas das marés
E determinem o bailar das ondas do teu mar
O pensamento orquestra a imaginação
E entre luas nuas, brancas, cheias ou minguantes
Nada poderá impedir que o ninho seja abrigo de corpos
Que nossas almas se percam no vácuo
Enquanto minhas pernas não conseguirem encontrar as tuas.

Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

TÃO LONGE, TÃO PERTO


"Clarice,veio de um mistério, partiu para outro.
Ficamos sem saber a essência do mistério.Ou o mistério não era essencial,era Clarice viajando nele. Era Clarice bulindo no fundo mais fundo, onde a palavra parece encontrar sua razão de ser, e retratar o homem".
(Carlos Drummond de Andrade)

Li, na madrugada que amo, o depoimento de Drummond, sobre Clarice Lispector e comecei a lembrar o quanto essa escritora foi minha companhia de cabeceira por longos anos. Cada vez que lia, deparava com uma nova visão, um novo olhar sobre a “Cidade Sitiada”, e voltava a me encontrar quando “A maçã no Escuro” me chamava para ver quanta luz existia lá dentro, e sem me encandear, encadeava compassadamente elos, engrenando-os aos sonhos e realidade.
Minhas viagens entre seus escritos eram rápidas , mas profundas . Quando fechava um dos seus livros, dava pausa para a próxima vez, para o próximo encontro, fazendo uma promessa solene que voltaria logo, pois minha saída não era uma despedida, era um breve compasso, assim como sou em tua vida.

Buscava aprender sobre o amor, quando tentava entender “A paixão segundo GH”e “Para não Esquecer” a “Hora da Estrela” marcava encontro com os astros pela fresta da janela e acreditava que meu retorno era um motivo real para ter festa em teu coração.
Encantava-me, com o manipular das palavras que Clarice tecia seus textos. A intimidade com os personagens que criava nos “Laços de Família” instigavam a minha imaginação, e delirava -loucamente- quando chegava “Perto do Coração Selvagem”.
Esculpi grande parte da minha sensibilidade literária nos seus livros, penso ter moldado meus espelhos existenciais na “Felicidade Clandestina” que não precisa ter endereço postal para existir, basta que o coração errante encontre um sentido para repousar e que o carteiro nunca tenha que preencher o item de destinatário desconhecido, pois eu sei que você sabe onde estou: “Aprendendo a Viver” de “Corpo Inteiro”. Logicamente, em você.

Créditos de Texto : Lígia Beuttenmüller
Créditos de Imagem: Google Imagens

segunda-feira, 29 de março de 2010

O domínio público se servirá dos pensamentos roubados?



O avanço tecnológico e científico nas ultimas décadas tem feito coisas incríveis, e as surpreendentes descobertas, vem incentivado o homem a criar instrumentos , softwares, e aparelhos dos mais sofisticados para inúmeros fins.
Minha avó materna, jamais poderia imaginar que se tivesse nascido numa época mais próxima, poderia ter decidido que eu não fosse filha da filha dela, pois poderia ter escolhido o sexo do bebê que viria naquela gestação, ai eu poderia ter sido filha do filho dela.
Ela teve 8 filhos, não precisou do “Yotaro” para que sua fertilidade fosse estimulada, nem soube que o Japão criou através da robótica esse bebezinho para encorajar os casais a aumentar sua prole.
Não pode saber também que aquele aparelho telefônico de cor preta, com discagem analógica iria ser substituído por um aparelho minúsculo chamado celular, com cores as mais variadas, funções fantásticas e discagem digital.

Ah...quantas coisas a morte nos faz perder, quantos espetáculos cibernéticos e naturais deixaremos de presenciar, quantos benefícios científicos deixaremos de usufruir, isso sem falar dessa novidade agora, que é a possibilidade de viver em plena verdade, pois não haverá mais um lugarzinho, para esconder nossas boas mentiras, depois dessa notícia que cientistas da Universidade Carnegie Mellon, na Pennsylvania, estão desenvolvendo uma tecnologia capaz de identificar pensamentos.
Volto meu pensamento enquanto é, somente meu, para a decorrência desse fato e já vislumbro um mundo sem Tribunal de Juri, a impossibilidade do amor faz de conta, a inoperância de projetos maquiavélicos, a falência dos detetives particulares, mas também me preocupo com o poder dos “Osama Bin Laden’s”, entre outras probabilidades que a ciência poderá desenvolver quando dominar essa técnica de ler mentes, e o pensamento se tornar de domínio público.
Outra temeridade minha é com os meus direitos autorais, a privacidade que me faz diferente por pensar diferente e poder guardar no meu cérebro essa diferença. Meu pensamento deixará de ser da minha propriedade, porque nada será de autoria particular, individual, minhas idéias não terão mais casa própria, serão de domínio coletivo.
Como não há ganho sem perda, ganharemos possivelmente ,com essa nova tecnologia o poder de saber segredos dos outros , mas perderemos o nosso baú de recordações, porque se pensarmos nas nossas lembranças, logo elas estarão expostas no Twitter, sem a nossa aprovação. Teremos acesso ao âmago das pessoas, mas certamente elas invadirão nossos porões. Terá graça a vida assim? Acabará tornando-se público então o amor que segredamos?
Quem viver responderá.
Texto e Imagem
Lígia Beuttenmüller

sábado, 27 de março de 2010

A DEUSA TÊMIS AGORA , QUASE SEM OLHOS VENDADOS


Hoje, a decisão do juri popular, no caso Nardoni , começou a devolver ao povo brasileiro a credibilidade no Poder Judiciário, isso denota que é possível a justiça "VER".
Pessoalmente, acho que apenas um olho de Têmis se abriu, pois o outro continua fechado, é aquele que não quer enxergar os crimes de políticos brasileiros.
No julgamento, a linha do tempo serviu para provar mais uma vez, que ele é o senhor de todas as coisas, e foi importantissima para a condenação. Vale enaltecer a pressão popular que contribuiu enormemente para o veredicto, como também dar relevância às provas periciais, laudos técnicos, testemunhos, habilidade e competência do advogado de acusação .
Lembro-me agora de um dito popular refeito: "Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come" , mas se a gente se junta o bicho foge!
Foi assim, o povo demonstrou através da comoção, o repúdio ao crime praticado pelo casal e não se afastou do Fórum de Santana, até que a justiça fosse feita.
Demonstrou-se dessa forma que é possível sim, instigada pelo apelo popular, esclarecer fatos e julgar com equidade os crimes. Com a sentença, os monstros estarão presos, teoricamente , por 31 anos ,- idade que ele tem agora- e ela por 26 anos - tambem idade de agora-, coincidência ou não , receberam a pena de "residir" na cadeia o tempo que já viveram em liberdade. Digo teoricamente, porque será descontado o tempo que os dois passaram na cadeia à espera do julgamento e ainda se tiverem bom comportamento, sairão antes.
A vida em si , é uma sucessão de perdas, porém esse tipo de ausência , causada pela morte, não dá chance de substituir a perda por outro ganho, portanto essa dor , não cessará no coração da mãe, mesmo que os condenados tenham sido agraciados, com tamanha pena.
Ana Carolina pode agora respirar aliviada, mas certamente enquanto viver suspirará pela perda inesquecível, pois a condenação dos réus, gratifica o racional, mas não reconstruirá seu coração despedaçado.

Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

sexta-feira, 26 de março de 2010

"Mingau", papa ou sexo ( des)ordenado?


Quero voltar a publicar minha indignação sobre a posição cômoda que a Igreja Católica assume frente as denúncias mundiais sobre a Pedofilia praticada pelos "PP" -padres pedófilos.
Vi hoje, no http://video.br.msn.com/watch/video/escandalo-cat-lico/kpz1cv45, "Escândalo católico nos documentos revelados pelo New York Times, o papa Bento XVI se encontra envolvido em meio a escândalos de pedofilia que denigrem a Igreja Católica" e ainda
"O papa Bento XVI se reuniu na Praça de São Pedro com mais de 70 mil jovens, aos quais animou para que rejeitem o sexo 'desordenado', o dinheiro, a cobiça e a droga. "Essas são tentações que no começo parecem ser ações de liberdade, mas que na verdade são o começo de uma escravidão".
Aconselhar é de bom tom quando não se tem que assumir a "mea culpa".Há um provérbio popular que diz: "Justiça para ser boa , deve começar em casa". Seria então interessante, que a Igreja Católica, começasse a se posicionar incialmente, expurgando do Clero esses padrecos bestiais, para então ter condições morais de fazer discursos que não fossem fantasiados de moralidade.
Que que tipo de sexo,eles os padres pedófilos, praticam? O "sexo desordenado" ou "ordenado" , já que esses miseráveis são ordenados pela Igreja para representar Deus.
Há um versículo bíblico que diz: "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus Vivo"
Hebreus 10:31
Onde estará a mão Dele? Na cabeça dos violentados pelos PP?
Ainda bem que não sou Deus, nem mãe de algum violentado sexualmente.

Em tempo: Quem tem boca vai à Roma, se não encontrar um "PP" em seu caminho.
Uffa!
Imagem e Texto : Lígia Beuttenmüller

quinta-feira, 18 de março de 2010

CAMINHANDO NO CÉU E SONHANDO NO CHÃO





Desde o entardecer
Começo a minha insana busca
Para que chegue logo a hora do encontro
O meu ... com aquela estrela
Eu sei, que nas noites claras passeias no céu,
Nas noites escuras,
Procuras o meu coração e te abrigas nele.
Eu te vejo, te reconheço,
porque entre mil estrelas
eu sei qual delas é você.
O meu pensamento tenta
Sair de mim e me convida
Para ir ao teu encontro
Porque deseja que eu voe...contigo.
Mas minha razão, não acredita que haja “era uma vez”
Então convenço o meu coração
Com o argumento que lá para o céu só vai quem é anjo
E ele entende e concorda,
Que eu, eu sou uma simples mortal
Ai saimos às ruas, passeando de mãos dadas.

Tentando esquecer o céu, mas lembrando da estrela
E sem amargura, caminhamos nós dois, com a cabeça nas nuvens, mas os pés no chão.

Imagens e Texto
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 17 de março de 2010

UM DIA SEM TI, A VIDA INTEIRA SEM NÓS






Assim é a despedida, o adeus, a gente sabe que mesmo que nos encontremos, o vento , a brisa não refrescará mais como antes. As idas são o reverso da chegada, e nunca mais , mesmo fazendo retorno não trará o que levou.
Bom seria que, as circunstâncias não quebrassem o elo, que a corrente não sofresse solução de continuidade, que soubéssemos como contornar a montanha sem nos exaurir na tentativa da escalada. Fizéssemos como os rios , que indo em direção ao mar, encontrando pedras , desviam seu curso mas não perdem sua rota, chegam, mais tarde talvez, pelas voltas que tiveram que dar, mas certamente , alimentados pela sede que vai levá-los aos oceanos, não desistem da viagem.
Cada desejo, cada sonho se reveste da certeza que há mistérios insondáveis , tanto quanto há nas galáxias, mas como astronautas ou velejadores, lembraremos que no dia em que dissemos adeus, estávamos querendo, desbravar águas e céus para chegar onde decidimos ir.


Crédito de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

ASSIM COMO AS ÁGUAS DO ARRAIAL D'AJUDA




As águas do mar azul e cristalino, decorre dos arrecifes, na praia do Arraial d'Ajuda, o que me faz lembrar como muitas pessoas conseguem ser transparentes nas atitudes e emoções, e isso é muito, muito bom! Acho que é porque temos o direito à igualdade quando a diferença nos deixa menores e quando o fato de sermos diferentes tira as características de sermos essencialmente diferentes.
Assim, é difícil encarar os “nãos” que por decisão individual ( nossa ou fora de nós) pautam os caminhos que enveredam doravante nossas vidas.
Não é possível separar sentimentos se queremos coesão afetiva. Não é possível inicialmente, nesse contexto compreender a negação com discernimento do que vale a pena, ou descobrir que a pena não vale o sacrifício, seja em qual teor ele se manifeste.
Está no homem, genericamente, o poder de decidir qual direção dará a sua vida, e naturalmente assumir a responsabilidade de compreender que a estrada não era caminho, pois uma vereda é um desvio casual do percurso -ele não queria seguir em frente- e para subsistir criou uma vertente, assim como as coronárias criam trajetos extras para não sucumbir o coração.
Portanto, não há como esgotar o imaginário quando se dá asas a emoção, pois a ambiência amorosa comporta casa, sala , quarto, cama, luar e estrelas.
Foi assim:

Um brilho de estrela rasgou o céu e lençóis

bateu em retirada , e não houve revide,

fez estragos como um raio laser numa pedra desarmada,

deitou-se displicentemente na cama

fechou comodamente as cortinas,

apagou as velas das possibilidades

para não ter sonhos reais ou ficcionais.

P.S. Nada que, em mais ou menos 20 anos, sob a tutela de Freud, não possa ser resolvido.

Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

COM PERMISSO


Reascende em mim o amor, a amizade renasce, Logo desperta a dor, repete-se a dolência do curso complicado e duro da existência. (...)" (Goethe)

Pela janela do mundo observava as pistas que mesmo iluminadas fortemente pelas fibras óticas mal davam, para divisar as linhas que separavam o real do virtual, no entanto, parecia ver imagens em movimento como em uma fita de cinema, mas na realidade elas estavam paradas, reproduziam apenas quadros e nessa ambigüidade parecia ouvir sons imagéticos, mas era o silêncio quem ordenava a movimentação metafórica das imagens.
A tristeza tornou-se miúda, e em pedaços penetrava na alma como pingos de chuva ao insistir transpor a vidraça . A cabeça ordenava ao corpo que trancasse no peito o coração, para que ele não caisse nesse abismo. Era melhor afogar-se, no seu próprio sangue que morrer de paixão.
Até onde os poetas podem tocar a alma que foi roubada numa agonia sem rastro nem traços?
Como dividi-la ao meio e mapear geograficamente o que pode ser tocável, ou ela é toda, intocável? Há que se esculpir e adornar o sentimento? Haverá, de alguma forma, maior grandeza no esquecimento ou na lembrança ?
O incerto é magnífico, porque nutre a esperança, que mesmo cheia de contrastes é insubmissa a qualquer coisa, sobretudo, quando os mistérios, assim, como a verdade, só têm explicação quando vividos, e eu me permiti chegar até aqui.


Créditos de Texto e Imagem
Lígia Beuttenmüller