domingo, 4 de abril de 2010

O PRESENTE É UM PRESENTE




Na tarde a lua já anunciava sua chegada,aguardando respeitosamente a saida do sol para iluminar a terra.
É um encontro natural sobretudo pelo pacto de cavalheiros entre eles.

Parceria patrocinada pela natureza com promessa de ser quebrada somente nos eclipses. Enluar passa a ser verbo para quem quer subir até aos céus e tocar a lua com os dedos.
Partilho esse desejo com você, mesmo que tenhas o direito de optar pela negação,mas anseio que decidas antes que a vida escureça e desapareça dentro e fora de mim.
Sei o nome do agora, ele é dádiva, por isso o hoje representa o“presente”. O presente que a vida me dá para senti-lo como um presente, por isso tenho pressa em usufrui-lo, antes que ele se chame passado e eu siga em busca de outra possibilidade de tocar o céu.

Crédito de Imagem e texto
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 31 de março de 2010

O meu coração caminha no céu da tua boca.



Ah! Pernas...
Pra que te quero?
Quero para
Enlaçar
Dobrar
Esticar
Correr
pra lugar nenhum ou
Dar voltas em mim e enlaçar o mundo
Pra que pernas?
Se quanto mais as cruzo
Mais as afasto
Quando o amor chega?

Imagem Google
Texto Lígia Beuttenmüller

Esperando a maré encher e tocar a lua





Esperando...
Esperando que
A lua seja banhada
Pelas águas das marés
E determinem o bailar das ondas do teu mar
O pensamento orquestra a imaginação
E entre luas nuas, brancas, cheias ou minguantes
Nada poderá impedir que o ninho seja abrigo de corpos
Que nossas almas se percam no vácuo
Enquanto minhas pernas não conseguirem encontrar as tuas.

Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

TÃO LONGE, TÃO PERTO


"Clarice,veio de um mistério, partiu para outro.
Ficamos sem saber a essência do mistério.Ou o mistério não era essencial,era Clarice viajando nele. Era Clarice bulindo no fundo mais fundo, onde a palavra parece encontrar sua razão de ser, e retratar o homem".
(Carlos Drummond de Andrade)

Li, na madrugada que amo, o depoimento de Drummond, sobre Clarice Lispector e comecei a lembrar o quanto essa escritora foi minha companhia de cabeceira por longos anos. Cada vez que lia, deparava com uma nova visão, um novo olhar sobre a “Cidade Sitiada”, e voltava a me encontrar quando “A maçã no Escuro” me chamava para ver quanta luz existia lá dentro, e sem me encandear, encadeava compassadamente elos, engrenando-os aos sonhos e realidade.
Minhas viagens entre seus escritos eram rápidas , mas profundas . Quando fechava um dos seus livros, dava pausa para a próxima vez, para o próximo encontro, fazendo uma promessa solene que voltaria logo, pois minha saída não era uma despedida, era um breve compasso, assim como sou em tua vida.

Buscava aprender sobre o amor, quando tentava entender “A paixão segundo GH”e “Para não Esquecer” a “Hora da Estrela” marcava encontro com os astros pela fresta da janela e acreditava que meu retorno era um motivo real para ter festa em teu coração.
Encantava-me, com o manipular das palavras que Clarice tecia seus textos. A intimidade com os personagens que criava nos “Laços de Família” instigavam a minha imaginação, e delirava -loucamente- quando chegava “Perto do Coração Selvagem”.
Esculpi grande parte da minha sensibilidade literária nos seus livros, penso ter moldado meus espelhos existenciais na “Felicidade Clandestina” que não precisa ter endereço postal para existir, basta que o coração errante encontre um sentido para repousar e que o carteiro nunca tenha que preencher o item de destinatário desconhecido, pois eu sei que você sabe onde estou: “Aprendendo a Viver” de “Corpo Inteiro”. Logicamente, em você.

Créditos de Texto : Lígia Beuttenmüller
Créditos de Imagem: Google Imagens

segunda-feira, 29 de março de 2010

O domínio público se servirá dos pensamentos roubados?



O avanço tecnológico e científico nas ultimas décadas tem feito coisas incríveis, e as surpreendentes descobertas, vem incentivado o homem a criar instrumentos , softwares, e aparelhos dos mais sofisticados para inúmeros fins.
Minha avó materna, jamais poderia imaginar que se tivesse nascido numa época mais próxima, poderia ter decidido que eu não fosse filha da filha dela, pois poderia ter escolhido o sexo do bebê que viria naquela gestação, ai eu poderia ter sido filha do filho dela.
Ela teve 8 filhos, não precisou do “Yotaro” para que sua fertilidade fosse estimulada, nem soube que o Japão criou através da robótica esse bebezinho para encorajar os casais a aumentar sua prole.
Não pode saber também que aquele aparelho telefônico de cor preta, com discagem analógica iria ser substituído por um aparelho minúsculo chamado celular, com cores as mais variadas, funções fantásticas e discagem digital.

Ah...quantas coisas a morte nos faz perder, quantos espetáculos cibernéticos e naturais deixaremos de presenciar, quantos benefícios científicos deixaremos de usufruir, isso sem falar dessa novidade agora, que é a possibilidade de viver em plena verdade, pois não haverá mais um lugarzinho, para esconder nossas boas mentiras, depois dessa notícia que cientistas da Universidade Carnegie Mellon, na Pennsylvania, estão desenvolvendo uma tecnologia capaz de identificar pensamentos.
Volto meu pensamento enquanto é, somente meu, para a decorrência desse fato e já vislumbro um mundo sem Tribunal de Juri, a impossibilidade do amor faz de conta, a inoperância de projetos maquiavélicos, a falência dos detetives particulares, mas também me preocupo com o poder dos “Osama Bin Laden’s”, entre outras probabilidades que a ciência poderá desenvolver quando dominar essa técnica de ler mentes, e o pensamento se tornar de domínio público.
Outra temeridade minha é com os meus direitos autorais, a privacidade que me faz diferente por pensar diferente e poder guardar no meu cérebro essa diferença. Meu pensamento deixará de ser da minha propriedade, porque nada será de autoria particular, individual, minhas idéias não terão mais casa própria, serão de domínio coletivo.
Como não há ganho sem perda, ganharemos possivelmente ,com essa nova tecnologia o poder de saber segredos dos outros , mas perderemos o nosso baú de recordações, porque se pensarmos nas nossas lembranças, logo elas estarão expostas no Twitter, sem a nossa aprovação. Teremos acesso ao âmago das pessoas, mas certamente elas invadirão nossos porões. Terá graça a vida assim? Acabará tornando-se público então o amor que segredamos?
Quem viver responderá.
Texto e Imagem
Lígia Beuttenmüller

sábado, 27 de março de 2010

A DEUSA TÊMIS AGORA , QUASE SEM OLHOS VENDADOS


Hoje, a decisão do juri popular, no caso Nardoni , começou a devolver ao povo brasileiro a credibilidade no Poder Judiciário, isso denota que é possível a justiça "VER".
Pessoalmente, acho que apenas um olho de Têmis se abriu, pois o outro continua fechado, é aquele que não quer enxergar os crimes de políticos brasileiros.
No julgamento, a linha do tempo serviu para provar mais uma vez, que ele é o senhor de todas as coisas, e foi importantissima para a condenação. Vale enaltecer a pressão popular que contribuiu enormemente para o veredicto, como também dar relevância às provas periciais, laudos técnicos, testemunhos, habilidade e competência do advogado de acusação .
Lembro-me agora de um dito popular refeito: "Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come" , mas se a gente se junta o bicho foge!
Foi assim, o povo demonstrou através da comoção, o repúdio ao crime praticado pelo casal e não se afastou do Fórum de Santana, até que a justiça fosse feita.
Demonstrou-se dessa forma que é possível sim, instigada pelo apelo popular, esclarecer fatos e julgar com equidade os crimes. Com a sentença, os monstros estarão presos, teoricamente , por 31 anos ,- idade que ele tem agora- e ela por 26 anos - tambem idade de agora-, coincidência ou não , receberam a pena de "residir" na cadeia o tempo que já viveram em liberdade. Digo teoricamente, porque será descontado o tempo que os dois passaram na cadeia à espera do julgamento e ainda se tiverem bom comportamento, sairão antes.
A vida em si , é uma sucessão de perdas, porém esse tipo de ausência , causada pela morte, não dá chance de substituir a perda por outro ganho, portanto essa dor , não cessará no coração da mãe, mesmo que os condenados tenham sido agraciados, com tamanha pena.
Ana Carolina pode agora respirar aliviada, mas certamente enquanto viver suspirará pela perda inesquecível, pois a condenação dos réus, gratifica o racional, mas não reconstruirá seu coração despedaçado.

Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

sexta-feira, 26 de março de 2010

"Mingau", papa ou sexo ( des)ordenado?


Quero voltar a publicar minha indignação sobre a posição cômoda que a Igreja Católica assume frente as denúncias mundiais sobre a Pedofilia praticada pelos "PP" -padres pedófilos.
Vi hoje, no http://video.br.msn.com/watch/video/escandalo-cat-lico/kpz1cv45, "Escândalo católico nos documentos revelados pelo New York Times, o papa Bento XVI se encontra envolvido em meio a escândalos de pedofilia que denigrem a Igreja Católica" e ainda
"O papa Bento XVI se reuniu na Praça de São Pedro com mais de 70 mil jovens, aos quais animou para que rejeitem o sexo 'desordenado', o dinheiro, a cobiça e a droga. "Essas são tentações que no começo parecem ser ações de liberdade, mas que na verdade são o começo de uma escravidão".
Aconselhar é de bom tom quando não se tem que assumir a "mea culpa".Há um provérbio popular que diz: "Justiça para ser boa , deve começar em casa". Seria então interessante, que a Igreja Católica, começasse a se posicionar incialmente, expurgando do Clero esses padrecos bestiais, para então ter condições morais de fazer discursos que não fossem fantasiados de moralidade.
Que que tipo de sexo,eles os padres pedófilos, praticam? O "sexo desordenado" ou "ordenado" , já que esses miseráveis são ordenados pela Igreja para representar Deus.
Há um versículo bíblico que diz: "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus Vivo"
Hebreus 10:31
Onde estará a mão Dele? Na cabeça dos violentados pelos PP?
Ainda bem que não sou Deus, nem mãe de algum violentado sexualmente.

Em tempo: Quem tem boca vai à Roma, se não encontrar um "PP" em seu caminho.
Uffa!
Imagem e Texto : Lígia Beuttenmüller

quinta-feira, 18 de março de 2010

CAMINHANDO NO CÉU E SONHANDO NO CHÃO





Desde o entardecer
Começo a minha insana busca
Para que chegue logo a hora do encontro
O meu ... com aquela estrela
Eu sei, que nas noites claras passeias no céu,
Nas noites escuras,
Procuras o meu coração e te abrigas nele.
Eu te vejo, te reconheço,
porque entre mil estrelas
eu sei qual delas é você.
O meu pensamento tenta
Sair de mim e me convida
Para ir ao teu encontro
Porque deseja que eu voe...contigo.
Mas minha razão, não acredita que haja “era uma vez”
Então convenço o meu coração
Com o argumento que lá para o céu só vai quem é anjo
E ele entende e concorda,
Que eu, eu sou uma simples mortal
Ai saimos às ruas, passeando de mãos dadas.

Tentando esquecer o céu, mas lembrando da estrela
E sem amargura, caminhamos nós dois, com a cabeça nas nuvens, mas os pés no chão.

Imagens e Texto
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 17 de março de 2010

UM DIA SEM TI, A VIDA INTEIRA SEM NÓS






Assim é a despedida, o adeus, a gente sabe que mesmo que nos encontremos, o vento , a brisa não refrescará mais como antes. As idas são o reverso da chegada, e nunca mais , mesmo fazendo retorno não trará o que levou.
Bom seria que, as circunstâncias não quebrassem o elo, que a corrente não sofresse solução de continuidade, que soubéssemos como contornar a montanha sem nos exaurir na tentativa da escalada. Fizéssemos como os rios , que indo em direção ao mar, encontrando pedras , desviam seu curso mas não perdem sua rota, chegam, mais tarde talvez, pelas voltas que tiveram que dar, mas certamente , alimentados pela sede que vai levá-los aos oceanos, não desistem da viagem.
Cada desejo, cada sonho se reveste da certeza que há mistérios insondáveis , tanto quanto há nas galáxias, mas como astronautas ou velejadores, lembraremos que no dia em que dissemos adeus, estávamos querendo, desbravar águas e céus para chegar onde decidimos ir.


Crédito de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

ASSIM COMO AS ÁGUAS DO ARRAIAL D'AJUDA




As águas do mar azul e cristalino, decorre dos arrecifes, na praia do Arraial d'Ajuda, o que me faz lembrar como muitas pessoas conseguem ser transparentes nas atitudes e emoções, e isso é muito, muito bom! Acho que é porque temos o direito à igualdade quando a diferença nos deixa menores e quando o fato de sermos diferentes tira as características de sermos essencialmente diferentes.
Assim, é difícil encarar os “nãos” que por decisão individual ( nossa ou fora de nós) pautam os caminhos que enveredam doravante nossas vidas.
Não é possível separar sentimentos se queremos coesão afetiva. Não é possível inicialmente, nesse contexto compreender a negação com discernimento do que vale a pena, ou descobrir que a pena não vale o sacrifício, seja em qual teor ele se manifeste.
Está no homem, genericamente, o poder de decidir qual direção dará a sua vida, e naturalmente assumir a responsabilidade de compreender que a estrada não era caminho, pois uma vereda é um desvio casual do percurso -ele não queria seguir em frente- e para subsistir criou uma vertente, assim como as coronárias criam trajetos extras para não sucumbir o coração.
Portanto, não há como esgotar o imaginário quando se dá asas a emoção, pois a ambiência amorosa comporta casa, sala , quarto, cama, luar e estrelas.
Foi assim:

Um brilho de estrela rasgou o céu e lençóis

bateu em retirada , e não houve revide,

fez estragos como um raio laser numa pedra desarmada,

deitou-se displicentemente na cama

fechou comodamente as cortinas,

apagou as velas das possibilidades

para não ter sonhos reais ou ficcionais.

P.S. Nada que, em mais ou menos 20 anos, sob a tutela de Freud, não possa ser resolvido.

Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

COM PERMISSO


Reascende em mim o amor, a amizade renasce, Logo desperta a dor, repete-se a dolência do curso complicado e duro da existência. (...)" (Goethe)

Pela janela do mundo observava as pistas que mesmo iluminadas fortemente pelas fibras óticas mal davam, para divisar as linhas que separavam o real do virtual, no entanto, parecia ver imagens em movimento como em uma fita de cinema, mas na realidade elas estavam paradas, reproduziam apenas quadros e nessa ambigüidade parecia ouvir sons imagéticos, mas era o silêncio quem ordenava a movimentação metafórica das imagens.
A tristeza tornou-se miúda, e em pedaços penetrava na alma como pingos de chuva ao insistir transpor a vidraça . A cabeça ordenava ao corpo que trancasse no peito o coração, para que ele não caisse nesse abismo. Era melhor afogar-se, no seu próprio sangue que morrer de paixão.
Até onde os poetas podem tocar a alma que foi roubada numa agonia sem rastro nem traços?
Como dividi-la ao meio e mapear geograficamente o que pode ser tocável, ou ela é toda, intocável? Há que se esculpir e adornar o sentimento? Haverá, de alguma forma, maior grandeza no esquecimento ou na lembrança ?
O incerto é magnífico, porque nutre a esperança, que mesmo cheia de contrastes é insubmissa a qualquer coisa, sobretudo, quando os mistérios, assim, como a verdade, só têm explicação quando vividos, e eu me permiti chegar até aqui.


Créditos de Texto e Imagem
Lígia Beuttenmüller

sábado, 13 de março de 2010

A CAIXA DE PANDORA




Acho que sou reminiscente daquela época, a mitologia grega me encanta. Pesquisando descobri que Pandora foi a primeira mulher que existiu, criada por Hefesto e Atena, auxiliados por todos os deuses e sob as ordens de Zeus. Cada um lhe deu uma qualidade. Recebeu de um a graça, de outro a beleza, de outros a persuasão, a inteligência, a paciência, a meiguice, a habilidade na dança e nos trabalhos manuais. Hermes, porém pôs no seu coração a traição e a mentira. Feita à semelhança das deusas imortais, Zeus destinou-a à espécie humana, como punição por terem os homens recebido de Prometeu o fogo divino. Foi enviada a Epimeteu, a quem Prometeu recomendara que não recebesse nenhum presente dos deuses. Vendo-lhe a radiante beleza, Epimeteu esqueceu quanto lhe fora dito pelo irmão e a tomou como esposa.
Ora, tinha Epimeteu em seu poder uma caixa que outrora lhe haviam dado os deuses, que continha todos os males. Avisou a mulher que não a abrisse. Pandora não resistiu à curiosidade. Abriu-a e os bens escaparam por mais depressa que providenciasse fechá-la, somente conservou um único bem, a esperança. E dali em diante, foram os homens afligidos por todos os males.
E daí? Nem me importo com isso, pois restou a esperança, essa é a mola que impulsiona os sonhos e faz com que eu sonhe sem dormir para não perder a hora da sua chegada.


Créditos de Imagem e Texto

Lígia Beuttenmüller

O ARCO - IRIS DE IRIS


Como afastar o que nem consegui aproximar, porque enquanto você passava eu seguia em outra direção, perdi o senso de que a distancia é real e o tempo me impediu de esperar em qualquer lugar de mim, pois não sei se o corpo alimenta o espírito, se o espirito alimenta o corpo, ou os dois se necessitam. Mesmo assim não quero lhe dizer adeus. Partir ou ficar é coisa minha, e não me atrapalha... eu me atrapalho quando entrelaço sem laço, mas tiro do meu caminho o côncavo que não se encaixa no convexo.
A vida pede uma loucura, meu senso pede parcimonia, meu desejo pede corpo, minha alma quer espírito, meu tesão pede lascívia, meu mar quer calmaria .
Eu enlouqueço meus dois neurônios ou eles me enlouquecem? pra onde ir? de onde vir? partir é ruim , ficar também é, onde encontrar a harmonia se a persistência da busca, nunca vem acompanhada daquilo que quero?
Por isso a imperfeição reina em Parságada, não na de Manuel Bandeira, ele era amigo do rei e se contentava com isso. Eu não tenho reino, nem sou amiga do rei, mesmo que em minha cama exista uma mulher que se deite nela. Se isso bastou ao poeta, a mim basta então, que fiques comigo, assim, longe e perto, sem dúvida, sem certeza, e que o apelo de ET não seja o impasse da decisão, nos pedidos :" vem... fica...”.
Mas a gente não se contenta com apenas isso, se quer ser feliz junto, grudada , e abre mão do quase ser feliz, a gente quer completar e quem sabe , bastava apenas complementar.
Felicidade é exercício de ontem, hoje e amanhã, porque ser feliz é apenas uma possibilidade, viver é um risco e o futuro é um ganho a mais, é privilégio de quem subiu uma escada sem degraus e apostou que o cume existia , arriscando, para ir mais além, ou despencar, mas crendo que há algo ou alguém para aparar a queda. O que não se pode, é perder a chance de quebrar a cara ou as nozes e de perceber que o natal pode ser uma época ou uma cidade. Se for época , façamos como as formigas , criemos um celeiro para guardar o que sobrar, para outros natais, se for uma cidade , vamos morar lá, cavalgando num cavalo branco, que o fornecedor para vender ilusões etílicas insiste em chamar de White Horse . Eu não me importo com cores separadas, porque prefiro o arco –iris , de iris, da Iris. E assim, abro os meus olhos para o mundo ou os fecho para guardar o arco e a íris como acalanto e lembrança para a minha alma.


Créditos de Texto e Imagem
Lígia Beuttenmüller

LIVERDADE




Errei a grafia da palavra ... não, lógico que não, apenas juntei o sonho à realidade, e introduzi no campo dos signos verbais , mais uma possibilidade de unir “ser livre” sem mentir ou ocultar grilhões. Não aprisiono a vida, por isso voo em qualquer ceu qualquer mar e ainda me arrisco no teu deserto em busca do que não perdi.
Tenho certeza que o que deixei para trás não lembro, porque o que se esconde no “meu nem sei” não existe, mesmo que para ter essa certeza eu precise parir uma gravidez temporã ou abortar o que nem havia ainda sido inseminado.
Você não lembra, porque nem havia espaço para registro oficial , mas eu, eu revolvo lembranças utópicas, do que nunca vivi, mas senti. Enquanto isso, você ganha o sono no apagar das luzes, e eu amargo docemente na angustia de saber que o seu dormir me acorda, porque eu ainda quero sonhar de olhos abertos para uma vida que talvez não tenha, mas certamente acreditei ser possível.
Eu sei, que sonhos – não só os da padaria- alimentam a vida e o que se sonha acordado ou dormindo, como esquecer? Talvez para isso, seja necessário sublimar e se não houvesse essa possibilidade, porque então criaram esse vocábulo?

Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttemnüller

EU NUA TUA





Não, não pense na nudez carnal, ela às vezes, para agradar a gregos e baianos, precisa de ajustes de cirurgiões , de massoterapeutas, mas essa , essa nudez é tão nua , que nem Pitanguy teria instrumentos, nem conhecimento estético para burilá-la. É daquelas que por mais que a gente esconda, há sempre alguém capaz, de penetrar, descobrir, desnudar o que já está sem roupas, é apenas uma questão de sensibilidade de quem tem o poder de sentir/ver.
Esse tal coração, coberto por esse sentimento está tão nu quanto Adão e Eva no paraíso, e nem será castigado, pelo Homem, e nem foi roteiro do filme brasileiro “Toda nudez será castigada”. Como castigar o que não se pode esconder? Como cortar uma margarida ou um jasmim, se a raiz persiste em brotar? Sei como, sei sim. Basta retirar dela -raiz- o sol e o sal da terra. Será? Mesmo assim se não corta-la do coração , ela surgirá não como flor com cheiro e cor, será apenas a flor tombada pelas ilusões , que se nutre não de sol e sal, mas do medo de plantar em outro jardim .


Imagens e texto
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 3 de março de 2010

ENQUANTO VOCÊ DORMIA




Ah, enquanto vc dormia, eu trilhava as entrelinhas, e me perdia entre as linhas, que enovelam a vida, não sei se de qualquer um, mas da minha sim.
Ia em cada extremidade do novelo e nunca achava aonde as entrelinhas começavam e nem aonde terminavam, me embaralhava no labirinto que as palavras criaram para se esconder em cada curva que as linhas davam.
Talvez fizessem parte de uma estratégia bélica desenhada e redesenhada por um expert em lutas e embates existenciais, para que eu nunca as vencesse, portanto não achasse saída . Tentei sair , desisti, eu quero permanecer nesse emaranhado metafórico cujo poder de sedução só é comparável com as histórias de mil e uma noites. Não sei quantos dias, quantas horas tenho me perdido e me encontrado, só sei que fazia tempo que eu não me sentia assim, entre o fugir e me entregar, feito bicho selvagem acuado e prestes a ser capturado.
Quando acho o sentido dos meus sentidos, descubro que era somente uma visão de quem vaga no deserto, a sede é tamanha que qualquer pingo de água provoca uma inundação no corpo e na alma, e a saudade chega como ressaca da ausência.
Mesmo sem deitar em tua cama, deixo que repouses em meu ombro, desejo que sonhes comigo , embora eu estivesse na verdade, velando teu sono, enquanto você distraída, dormia.


Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

A HORA DO AGORA

Há uma tendencia mundial em medir a responsabilidade das pessoas pelo cumprimento do horário acordado, no entanto em questões amorosas, por se tratarem de coisas do coraçao, devia haver maior flexibilidade nessa conceituação.
Como vou ter a sensação de perda , se quando chego você já está? Como pensar que a demora é porque esqueceu em cima da hora, o chocolate e a flor? Quem seria mais importante , a hora de agora ou a desculpa do atraso envolto em um presentinho qualquer?
Como posso valorizar sua ausencia se vc me dá a certeza de que o longe não existe ? Como morrer de saudade se você cumpre horário britânico, e ainda reclama que eu sempre me atraso.
Deixe que a dúvida se impregne por instantes, que eu pense até que outra pessoa interrompeu tua vinda e que por isso você demora a chegar, lembre-se que meu temor é momentâneo, porque meu coração pelas batidas descompassadas não acusa taquicardia, nem hipocardia , apenas fica disritmico , porque ele sabe que eu estando em você, lembrarei num leve sussurro , que iremos nos encontrar, por isso não demore muito. Portanto, só vale a espera, se a chegada tardia trouxer um largo sorriso envolvido por uma boa desculpa . O que não podemos esquecer é o local onde o meu coração vai encontrar o teu, e o seu abraçará o meu.

Porém, cada um sabe a quantas anda o seu relógio. Eu sou sem (n) hora, posso me dar ao luxo de atrasar ou adiantar os ponteiros da minha vida porque depois do tanto que já vivi , o que vem, complementa o lucro de ter sonhado sem ter tido pressa para dormir.

Créditos de texto e imagem

Lígia Beuttenmüller

terça-feira, 2 de março de 2010

A AUSÊNCIA DOENDO NOS OLHOS E NA ALMA



Mais uma vez, ela se permitiu acabar as férias que tinha destinado ao seu coração e sem pensar deixou-se levar pelo encanto do recomeço.
Esquecendo sua vulnerabilidade, apostou na insanidade para recomeçar. E foi partilhando versos e poemas e nas entrelinhas, contava segredos, desejos, medos e esperanças. Olhava as estrelas como se elas pudessem marcar o território da paixão. Navegava em cada pedacinho do céu como um astronauta que flutua sem se preocupar com o empuxo da gravidade, assim, se entregava como nada mais restasse, senão a lembrança de um olhar que nunca viu, de uma voz que nunca escutara. Ficava buscando encontrar o que nunca perdeu, pois nada disso era seu. As coisas sem explicação são mais instigantes, dizia, porque ficava tentando, como um jogador que não quer perder, até mesmo sabendo que é muito remota a possibilidade de ganho, mas tentar a deixava viva.

Créditos Imagem e Texto

Lígia Beuttenmüller

segunda-feira, 1 de março de 2010

O GRANDE SEGREDO


Quantos segredos um coração pode guardar, quantas verdades ele pode inventar, quanto tempo ele pode esperar, quanta ausência ele pode preencher, quantas trilhas ele pode caminhar, quantos descaminhos ele pode reconhecer ?
Cada caminho nos leva ou nos traz, depende da posição que estivermos diante dele, marcas são deixadas para entrar , permanecer ou sair. E essa decisão nos leva ao fim , ao começo, ou ao recomeço.
Há quanto tempo a fogueira apagou, e o S. João só virá no próximo ano , mas insistimos na utopia de prender quem veio e se foi, ou deixar solto quem nem vai chegar porque não encontra o caminho do bem querer ou do querer bem.
Como acreditar que o trem do futuro possa encontrar o retorno para buscar quem perdeu-se na última estação? Era primavera, as flores encantavam o mundo , os jardins e o coração, mas o inverno chegou , e ficar debaixo dos cobertores tentando aquecer a alma, enquanto as folhas despencavam das árvores por saber que sua época de florir os campos terminou, impede que vejamos , sintamos outras estações. O verão havia chegado para dizer que o que aquece tem por obrigação de espargir calor, se isso não aconteceu , certamente, apenas, nós , sós, soprávamos as brasas e nem conseguimos ver que só sobraram cinzas no céu, no mar , enfim. E a gente nem olha que a natureza se reciclou porque é mais cômodo permanecer debaixo daquele edredom que perdeu para o tempo as suas marcas, desbotou e não há pigmento que lhe traga novamente as cores copiadas do arco íris do que alçar voo, pretender, arriscar, trocar, ganhar, ou quem sabe perder, perder de novo. Mas o que importa mesmo , é saber que na tentativa houve, inúmeras possibilidades de estar e quem sabe ser . A aquarela sou eu, eu quero o colorido da vida aqui dentro de mim. Esse é o segredo da zenialidade.
P.S.
Zenialidade- estado ou capacidade de aguardar de forma paciente mas, impacientemente, o novo , que trará ou não , a paz ao meu coração .

Eis a questão!

Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmuller

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A GAROTA E O MAR



Ela adorava ficar na beira do cais, aliás, de qualquer cais: de oceano, rio ou lago, onde houvesse possibilidade de “navegar” , ver navios, barcos, botes , o que flutuasse por sobre águas lhe atraia. Até na lembrança os barquinhos de papel que trafegaram os córregos chuvosos das ruas da sua infancia, lhe davam a certeza de que "navegar é preciso".
Como primeira convidada, admirava o mar, e qualquer palavra que lhe lembrasse dele lhe deixava em profunda calmaria: ouvia rádio, e a atração que ele exercia sobre ela se resumia no fato de que ele vinha por ondas , e sem distinguir as
radiações eletromagnéticas, se eram longas , curtas ou médias, o importante era que as ondas a faziam lembrar dele. Quando ia usar o microondas , para uma lasanha pré pronta ou um lanche qualquer, o que lhe chamava a atenção era que no nome do aparelho tinha a palavra ondas, isso lhe remetia ao mar, e nem se importava com as oscilações eletromagnéticas que faziam com que seu alimento ficasse pronto. Todos os dias entrava em qualquer onda , mesmo aquela que seus amigos tiravam da sua “cara” , para depois converter em “sarro” , em conversas com outros.Essa sua predileção implausível pelo mar era a tônica do dia, pois ninguem sabia a causa e nem havia explicação convincente para essa tendencia injustifcada.
Para ela a vontade, de qualquer natureza , se encerrava em si própria.
Assim, acompanhava com os olhos e o coração a chegada ou a partida dos navios, e barcos., os invejava , sobremodo , por estarem com os cascos sendo tocados´pelo mar, e estivesse a saudade a bombordo ou estibordo, estaria em qualquer dessas circunstancias em contato com o mar. Ela os olhava até que eles sumissem no horizonte, levando tudo que estava dentro de si, até a esperança de poder vencer as ondas e ganhar o seu mar interior, que por mais turbulento, complicado e confuso, lhe trazia sempre a bandeira do encanto e da paz.
Para ela o mar era simplesmente o seu porto, mesmo que para os navios, barcos , veleiros , botes, sei lá pra quem, ele fosse apenas um ponto de passagem. Até quando, nunca se soube...
TEXTO E IMAGEM
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SAUDADE POLICRÔMICA E PONTUAL






Outra vez, estou falando de saudade, talvez porque ela ultimamnete tem traduzido “um aonde está você “ permanente, pontual, em minha vida , pois em cada imagem falada, escrita ou lida, ela me invade feito passarinho que pousa diariamente em uma janela, quando o dia ensaia nascer .
Aí, me pergunto por que não em outras tantas janelas, porque não pousa para tantas outras pessoas? Pousa acho, mas não essa, a minha saudade, aquela que não dói , apenas diz: "tô aqui, visse" ?
Não poderia de ser nenhuma outra razão um tanto menos complicada? Afinal um beija flor é um beija flor, e por que insiste em ser beija coração, beija juízo e corpo?
Hoje pela manhã, depois de uma noite quase dormida, pensei na chance de poder olhar para fora, ao menos dessa insistencia , e esquecer o poder de sedução/encantamento que esse passarinho tem sobre mim... mas quê ?

Daqui a pouco amanhece, e de uma coisa eu tenho certeza, ele vem pousar na minha varanda para beber a água açucarada que eu nutro cuidadosamente sem medir hora nem distância , simplesmente, porque eu não tenho absolutamente NADA contra essa visita matinal , que chamo carinhosamente de saudade.

Créditos de Imagem e Texto:
Lígia Beuttenmüller

domingo, 21 de fevereiro de 2010

E FIQUEI OLHANDO ....





...Na tela ...
As estopas,
As lantejolas,
A surpresa
O abraço
A despedida
O beijo
A saudade
Os estandartes

...e nem era mais carnaval.

CRÉDITOS DE IMAGEM E TEXTO

LÍGIA BEUTTENMÜLLER

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

NÃO FALA NADA, DEIXA TUDO ASSIM




Quem evitará que a saudade me consuma, e o meu tempo não dê tempo para outras coisas, a não ser ter a certeza da incerteza?
Quero a tua ausência doendo em meus os ossos, e a vontade de te ver seja tão grande que o mundo não caiba em mim. Que eu vá a pé, de ônibus, trem, barco, avião, ou o meu coração, se inquiete tanto, que me leve nas asas de um beija-flor.
As estrelas do céu mudaram de lugar tentando me enganar, me confundir , para que eu fique sem saber se é essa, aquela outra estrela, aprisionando o meu olhar ao infinito em tua busca.
Quando o dia chega e tu não vens eu lastimo por esperar o anoitecer embora tenha a in(certeza) que ele te conduzirá aonde estou: aqui esperando você.
Então descubro que a minha saudade não é das coisas que passaram, mas sim, das que hão de vir. E o que posso dizer mais? Ah! o tempo...ele se encarregará do fim.


CREDITO DE IMAGEM E TEXTO
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

LAPSO DO TEMPO


O olhar prende , a fala seduz,busco nos sons o eco dos teus passos por caminhos que nunca andei, e desejo que numa curva qualquer da estrada ou numa esquina de uma rua eu te encontre e voce reconheça quem eu sou.
Por isso deixo rastros por onde passo e como João e Maria vou registrando a trilha, para não te perderes . As pegadas que deixo são sinais dos meus desejos , e indicações dos meus sonhos, para que você os veja e os siga, porque mesmo que não saibas aonde estou, terás meu rumo, para que o acaso nem o destino sejam as únicas formas do encontro.
Quando isso acontecer que o beijo e o abraço guardado por tanto tempo, sejam o modo que o sentimento usou para expressar que a espera foi apenas um lapso do tempo.

CREDITOS de Imagem e Texto
LÍGIA BEUTTENMULLER

PELA PORTA QUASE ABERTA



Esqueci de trancar a porta, porque achei que nem precisava, tamanha a certeza que o coração estava de férias, o corpo também. A distância era a garantia da impossibilidade do voo.
Mas por descuido meu ou cumplicidade dos astros deixei-a entreaberta, havia guardado o anel comprometedor, e sobretudo, perdido o cadeado e chave.
Entre cautelas, precauções e desmantelo, percebi agora que sei quem me chega, na madrugada insone; quem entra e nem bate à porta quase fechada, e sem me incomodar, se acomoda na mesa, na cama, se impregna em todo lugar. E quando não vem, ou não avisa a ausência , esparramo todas as saudades de uma vida inteira nos oito cantos da casa, e de mim.
Por isso não dá mais para trancar a porta, ignorar o sentimento, nem expulsar o ilustre visitante .
É deixar apenas quem sabe, que um raio de sol, de lua , ou de uma estrela cadente sejam tão brilhantes que descolore esse sonho.
Mas antes que eu adormeça, me desespere, ou esqueça, preciso segredar em seu ouvido: Ei, ei ... eu, já sei quem é você!




CREDITO DE IMAGEM E TEXTO
Lígia Beuttenmüller

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O ÍCARO QUE TEMEMOS



Vida linear, é a que nos agrada, a que nos faz pensar estar seguros. Pouco arriscamos sem a certeza de ganhar. Parece que as perguntas mais sutis, não devem ter respostas, pelo menos dentro de nós mesmos, porque a gente nem ousa faze-las, nem quando estamos a sós.
Tememos o conhecido , o passado, e o que nem sabemos se virá.
Fazemos emblemas, brazões com as nossas tristezas e desencantamentos colamos na nossa armadura existencial, e a usamos como escudo que nos livrará das más lembranças e das tentações que moram dentro, ao lado, fora , longe , perto. Escondemos nela nossas asas, com se Ícaro houvesse arriscado demais.
Mas como alçar novos voos se prendemos nossas asas ao frio glacial da alma?
Como sair de dentro do casulo pra virar borboleta se pensamos que não há mais jardins?
Como pudemos esquecer que só veremos o rosto do mundo se abrirmos os olhos?
Porque estamos sonhando de olhos e coração fechados, disfarçando a covardia que não queremos assumir?
A estrela dalva só conheceu o amor quando acreditou que o pequenino grão de areia poderia lhe tirar do ceu para viver fora dali. Arriscou cair/sair de lá e permaneceu estrela no ceu, porque a queda não foi para um abismo, mas apenas para renascer, numa estrela do mar.
As vezes ficamos vivendo qualquer história ou uma história qualquer e deixamos que a nossa vida siga ao sabor dos ventos, fases e ondas , e nem nos damos conta que o que era íntimo, tornou-se tão estranho, que nem o reconhecemos mais, pensamos, que o estranho ainda esteja em nossas entranhas.
Créditos de Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DEPOIS DO AMOR



A música diz assim: “depois do amor o teu conforto”. A gente quer o conforto por saber que só o prazer não basta . O prazer somente, não preenche, por isso os amores distantes, longínquos não vingam, mesmo que creiamos inicialmente que os quarteirões ou kilometros não representem afastamento e até pensemos dobrar o mapa para aproximar a distância, não há como separar o prazer do aconchego.
O que a gente quer, vai além do gozo e do prazer, tem que ultrapassar a geografia do corpo, tem que ir além da visita indescritível e momentânea ao paraíso.
A gente quer fincar morada, virar tatuagem no corpo e no coração do outro, pra descansar confortavelmente no beijo ultimo e no ombro amigo com o qual sonhamos, que ele fique à disposição não somente para o descanso do prazer vivido.
Ansiamos que ele seja amparo nas adversidades da vida, seja cúmplice das nossas verdades, companhia nos passeios, nas viagens, e nos faça crer que depois do amor o que vale é o conforto da alma pela certeza que as pernas tremem , mas o amor não estremece por estar ali, tão próximo e tão dentro de cada um de nós.
Mas, o que atropela a regra é a exceção, portanto, há notícias que amores que começaram distantes hoje estão juntos e outros que iniciaram juntos, hoje estão separados.
Bem, bom mesmo é estar junto, dentro e perto!

Créditos
Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

domingo, 14 de fevereiro de 2010

TATAJUBA



Depois de despedidas, inúmeras e sucessivas , me vejo refletindo sobre a ausência, essa lacuna tão profunda que perfura sorrateiramente o espírito como um bando de cupim numa Tatajuba , que sendo madeira própria para a construção civil ou naval, depois de corroída não serve para ser casa, nem barco, portanto não abriga ninguém, nem permite a viagem que os sonhos fazem. Assim, a ausência é dura e cruel.
Quantas vezes, por causa dela , a gente quer virar seta reta de placa de trânsito ou flecha de índio, para rumar em frente. Ah! o quanto desejamos que as curvas da vida se estiquem para que não façamos retorno ao passado. Mas, somente eu,

permito que o passado estacione e seja mais valente do que o agora, porque depende de mim conservar a árvore, buscar sua sombra, mas posso preferir me escaldar nas lembranças do era – passado do não ser mais.
Volto-me ao presente e tenho o mar à minha frente , percebo a sua grandiosidade e até aonde minha visão consegue alcançar, diviso o horizonte . Para o navegador dos mares ele se distancia a cada aproximação , porém para quem não consegue vencer as ondas , o mar termina ali.

Nessa contemplação, a vida , me assalta, e me empurra para decidir entre debruçar na janela e viver das recordações ou pular por ela para desbravar matas e mares , céus e terras. Por isso não posso dar tempo à espera enquanto a vida segue.
Vale ressaltar que há muita coisa entre o céu e a terra, o “juízo” e o coração. Permito então, que o ( im) provável me faça uma surpresa.


Créditos de imagem e texto
Lígia Beuttenmüller

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CONFIANÇA SEM FIANÇA


Dialogando sobre a confiança, tive a oportunidade de sentir o quanto essa sensação pode ser suave nas relações. Saí da concretude da junção “com – fiança” que a palavra encerra e experimentei a maneira mais especial de testar esse sentimento. Vi quanto alívio e refrigério traz para a alma a crença sem a rigidez da lógica. Como é importante acreditar no que é somente possível pela crença ingênua, aquela que não traz receio de estarmos enganados ou enganando.
Descobri quanta fé, a confiança exige. Ela quebra o alicerce dos céticos, porque se instala sem procedência investigada, sem fiador, nem avalista. Sentimos leveza e firmeza - sem o peso da culpa e sem forçar verdades - como se incorporássemos a sabedoria de Salomão e esquecessemos, que um dia Judas nasceu e trouxe consigo a semente da traição.
Cremos que não haverá nessa troca - quase de amor- denários para pagar, haverá sim, o tempo, aliado da vida, que será o fiel da balança e certamente valerá a pena ter construído uma relação amistosa com essa abstração.
Se o amor é cego, certamente serve-se dessa bengala, a confiança, para tatear com segurança o caminho cuja trilha desconhece, mas, sabe/sente que se ele, não existir no mapa, foi apenas a possibilidade doce de uma caminhada nas nuvens.

CRÉDITOS DE IMAGEM E TEXTO
Lígia Beuttenmüller

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ORBITANDO



O último pensamento do dia é seu
E quando acordo,
você é a minha primeira lembrança.
Qualquer música,
leva-me à sonoridade da tua voz.
O sol me faz pensar no teu calor
A lua segreda a cor da tua pele
Assim planetariamente vivo
nas lembranças
e nunca no esquecimento
Até um dia te encontrar.


Créditos
Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

SEM REBELDIA


Ela era noviça em tudo, muito pouco se tinha permitido aprender sobre a vida
Seu coração vivia em sobressaltos.
A cada sonho parecia ter tido pesadelos, não havia canção de ninar que a levasse a um sono tranqüilo. Da infância lembrava somente do "boi da cara preta" que viria lhe assustar e nunca conseguiu se desvencilhar nem da canção, nem do medo.
Se descuidava e perdia a cada esquina a surpresa que poderia encontrar, porque deixava de ver a simbologia que há na arte de viver, na penumbra, desconhecia o colorido da tela.
Dispensava as oportunidades do inusitado, que pode até nos tornar mais cautelosos em olhar o mundo, mas não nos impede de sonhar, e viver o minuto que precede o infinito.
Habitava na sua memória o esquecimento conveniente, e seu intelecto se atrofiava pelo medo de se arriscar nas possibilidades.
Não se dava conta da importância do endereço , da cidade, do lugar que poderia lhe servir de abrigo e morada. Nem sequer suspirava pelos segredos que inquietam, nem pelas verdades que transfixiam as mentiras.
Sumia de si própria, evitava confrontos e embaraços , e a sua sombra era tão medrosa que não fugia do clarão, permanecia inerte , estacionada permanentemente no lugar privativo que criara, enquanto o mundo girava.
Em uma rua imaginária se postava à janela, dava adeus sem ter de quem se despedir, fazia isso apenas para legitimar e contrapor a sua própria inércia , como se tivesse que provar a si mesma que existiu alguém em sua vida, além dela mesma.
Perambulava sem deixar marcas em portais ou umbrais, não imprimia pegadas nas estradas, caminhos ou veredas que passava, experimentava o morango sem identificar como ele se parece com um coração e nem o sentia tão doce como uma carícia.
Respirava sem suspirar, sorria sem gargalhar, falava dispensando o sussurro, lacrimejava mas não aprendeu a chorar, não reconhecia as perdas muito menos os ganhos, e se algum dia alegria a cercou, nem a percebeu.
Nunca soube que tinha forças para mover o mundo, o seu mundo.
Não tinha medo de morrer, então apressou a viagem, mas não antes de mandar um desconhecido escrever em uma lápide: Eu vivi!
Sete dias se passaram, não houve missa, ela não havia vivido, portanto, não morreu.

CRÉDITOS
Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

ANA AMAR IA


Ana Maria ia amar no mar
Ia ao encontro do amor no mar
Sedenta de paixão, entrou na água
Insana... deslizava entre as ondas
Molhava o corpo e dissecava a alma
Sentia na pele o sol e na boca o sal
Adentrou
Ia ao encontro do amor no mar
Apressou-se sem lembrar
que não sabia nadar
ANA AMAR IA
IA AMAR
IA
CRÉDITOS
IMAGEM E TEXTO
Lígia Beuttenmüller

AGRIDOCE



Estar apaixonado é viver em superfícies planas e abismos, é voar e rastejar, é crer e desconfiar, é buscar espírito e encontrar corpo, é querer juntar grãos de areia para construir castelos e não dispor de terreno.
A paixão tem sabor, tem sim, é uma emoção que traz prazer e dor. O prazer esfumaça, a dor persiste por não encontrar o aconchego dele, do prazer, então faz a gente perder-se sem rumo, sufocar-se no efêmero, pegar carona no que é passageiro.
Ela não consegue permanecer entre o ceu e o inferno. O ceu é muito frio, e o inferno muito quente. Mas que fazer entre temperaturas tão antagônicas?
Ah, se pudéssemos ou soubéssemos transitar nessas plagas, sem morrer de frio ou arder sem se queimar.
A vida que decidimos , foi escolher o insípido, o deserto , entre lagos, rios e mares, embora saibamos que o oásis é só ilusão, mas precisamos dele para permanecer na busca do que nunca perdemos, porque não reconhecemos o que já havia chegado. Não soubemos administrar as torrentes, por não apostar que haveria sempre a possibilidade do tempo de apaziguamento.
A paixão era ácida, e doce ao mesmo tempo, um doce amargo.
Assim, a distância se encarregou de separar definitivamente o mel e o jiló, restando certa amargura em saber, que a receita da mistura da dor e do prazer não funcionou.
Em tempo, erupções vulcânicas e larvas decorrem da acomodação terrestre, portanto, não são permanentes.
Créditos de texto e imagem
Lígia Beuttenmüller

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PÁSSARO BORBOLETA OU FLOR




Amo, penso e declaro
Nem preciso esconder
O amor que sinto por você.
Meus olhos brilham e encandeiam-se,
Com a luz que eu vi em teu olhar.
Sabes que a distância me limita
Porque meu corpo não pode alcançar o teu.
Mas meu coração cria asas.
E ele no teu jardim,
virando
Pássaro, borboleta ou flor
Dirá q
ue eu te amo,
Amo, amo muito assim

CRÉDITOS
Texto e Imagem
Lígia Beuttenmüller

domingo, 7 de fevereiro de 2010

COMO QUISERES


Que venhas
como a noite trazendo o dia,
O mar tragando as ondas,
Os pingos d’água anunciando a chuva,
O sorriso, vestindo a alegria
A dor, marcando a saudade
As estrelas, iluminando o ceu
A paixão, que antecede o amor.
Que venhas quando quiseres,
E eu
virando sol, virando lua,
sentirei que a hora da espera acabou
CRÉDITOS-Imagem e Texto
Lígia Beuttenmüller

sábado, 30 de janeiro de 2010

AQUELA ESTRELA



No ceu há especialmente uma estrela, eu acho que outras não serão vistas, ao menos por mim. Eu a elegi entre tantas, talvez mais bonitas, mais brilhantes, mas é aquela que eu quero, é a que mais me encanta, mesmo que eu tenha que sonhar para enxerga-la porque o seu brilho pavimenta a minha estrada. Peço que ela não se esconda por mais denso que esteja o ceu, e ela me diz que eu não a esqueça. Faço uma mapa mental para não perde-la , Quero que a sua lembrança seja tão marcada em minha pele , que desempregue os tatuadores de plantão. Que ninguem a escolha, e, se isso acontecer , ela diga que tem dono, como disse Mário Lago a sua amada: Sou teu amigo, não teu dono. Dono em amor é ruim. Mas a ti me abandono, para seres dona de mim-.
A minha estrela sabe, que depois do encontro não haverá outro céu aonde brilhar!

Créditos de imagem e texto: Lígia Beuttenmüller

O QUE RESTA DA FESTA

É dificil acorrentar promessas de amor. De repente elas mudam de endereço, de porto , de par. Partem sem elegância (embora a traição tenha por tradição a deselegância) deixam em desalinho a paixão, devoram a alegria com a voracidade dos famintos, roubam a paz, fazem sucumbir os sonhos e os forçam pousar num poço, nele a poesia desliza rampa abaixo e descobre quão complicado é manter a ternura sem amargura. Por semanas infindas, a dor infinita da ausência se reveste de saudade.
A permissão equivocada se confunde com o tempo pedido, perdido por quem pensa que é carnaval em pleno natal, quem não acredita com o coração. Pede tempo e perde-se nele, adultera o corpo, o vinho e mata a videira. Desrespeita os vínculos , cavalga noutras paragens, planas, íngrimes , tanto faz. Tenta fazer do que parecia real, um projeto inacabado, crendo que a esperança vai esperar pelo arremedo do perdão.
Insiste em permanecer nos becos , guetos sem saída, disfarça a dúvida porque não consegue discernir entre o verdadeiro e o ilusório. Adormece, mas acorda sem rumo, sem prumo, não lembra em qual festa esteve, porque não sabia que o amor era tão grande que precisava estar em dois , para não sufocar um.
Assim, da festa, nada resta! Uma ressaca talvez!
Créditos de imagem e texto - Lígia Beuttenmüller 2010.

domingo, 10 de maio de 2009

O IMPOSSÍVEL ( POSSÍVEL)


Porque buscamos o que está longe? Mesmo sabendo que é impossível trazer, buscar, içar, o que por alguns momentos, instantes, ou pela eternidade estará tão inacessível?
Não há entendimento racional quando a emoção toma conta do pedaço, isso é verdade sim!
Buscamos preencher aonde não há espaço desocupado, compramos bilhete de uma peça que já esgotou a entrada, queremos ver o filme que ainda não foi lançado, pensamos ser donos do que não está à venda nem hipotecado.
Giramos nessa doideira existencial querendo fazer parte da parte de alguém, assim, procuramos capitanias, e sem sermos herdeiros descendentes queremos tomar posse. Sentimos-nos descendentes dos vinhais, e nem cultivamos as parreiras.
Embriagamos-nos de toda e qualquer possibilidade de abraçar quem nem braços tem, para recepcionar nossa alegria.
Ficamos sós, tão sós, e nem percebemos a multidão que nos cerca, porque nela não há a pessoa que elegemos numa particularidade especial, que é aquela que não precisamos buscar, nem ser encontrados, ela apenas surge e a gente reconhece e por ela somos reconhecidos!
Inebriados pelo desejo, o sonho e a paixão não conseguimos vislumbrar que o possível em algumas situações é momentaneamente impossível, e que metaforicamente o impossível, é simplesmente sempre possível.
Texto: Lígia Beuttenmüller
Imagem: Gloogle Imagens

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A VIDA É ÍNTIMA, ÍNFIMA (?) E PARTICULAR



A minha sede está na proporção do copo d'água; acabou a água, penso em limão, a sede passa! Lígia Beuttenmüller


A nossa capacidade de agir, advém da nossa capacidade de pensar, porque o pensamento é a possibilidade de sobrepujarmos as adversidades ou festejarmos na alma as vitórias.

Uma pessoa pensante, é aquela que questiona introspectivamente; é aquela que vive digladiando-se com as dúvidas e certezas, que consegue colocar a mão no queixo e olhar para os pés , por isso consegue ver aonde pisa. Porém, há pessoas que colocam a mão no queixo e só espantam-se e morrem pelo medo. No entanto os que põem a mão no queixo e olham onde os pés estão plantados, naturalmente querem saber em que terreno pisa.
Os que ficam esbarrando nos dois parâmetros: ora...ora, ou se ...se... Podem perder-se enquanto o mundo gira.

O pensador se encanta e encanta. Ele tira a volatilidade da palavra quando a retira da cabeça, expõe no discurso , registra no escrito , planeja e age.
Do outro lado estão os queixosos que transferem para a natureza, Deus, condições financeiras, sei lá o quê, seus infortúnios. Exigem da vida um compromisso de alerta, a sinalização das oportunidades, - essa é a tônica dos desesperados, no entanto teriam alcançado seus sonhos se criassem a competência do reconhecimento, do discernimento do que por vezes parecia estar tão distante, na realidade estava tão perto(dentro) de si.
Mas há ainda os que consideram que, se tivessem reconhecido as oportunidades , não seriam um contador das histórias dos outros, - estariam contando as suas próprias histórias-, não estariam hoje lendo o script que lhes foi dado por um autor que não sabia nada sobre sua vida.
Há ainda os que conseguem dar um rewind para alcançar o passado, voltam a fita tantas vezes seja necessário para entender o desenrolar das suas vidas e geralmente não conseguem.
É difícil mesmo, assumir que a chegada não deu certo porque direcionamos o olhar para um outdoor que exerceu tanta fascinação que desviamos a atenção para a rota que havíamos traçado.
Mas como se pode chegar a algum lugar se ao menos nem sabemos, com quem, porque, para que, e para aonde vamos? Dificilmente conseguiremos traçar uma rota para tantas vertentes.
Nesse momento, é mais fácil mesmo, culpar a sorte e o destino, do que entender que as nossas decisões são o reflexo dos nossos desejos, dos nossos caminhos, do nosso percurso , do nosso caminhar.
Viajamos pela vida afora e em muitas dessas viagens, nos interessamos apenas pelo local escolhido, esquecemos de planejar o percurso. Fazemos o que nos parece mais fácil, e nem percebemos que a rota foi deixada no automático, permitindo que outras pessoas, direcionassem o vôo .
Ah não! A vida é íntima, ínfima (?) e particular, nascemos sós - os gêmeos são exceção- morremos sós - os acidentes coletivos também são exceção- assim a solidão de cada um na vida ou na morte será sempre , naturalmente só.
Portanto, quando o copo esvaziar, e a sede insistir em permanecer, decida se quer lavar as calçadas por onde passou e refazer sua direção, ou se exasperar, com a água, tão salgada como a água do mar, porque o sabor salino virá das lágrimas que você “imbecilmente” decidiu inundar a sua alma.


Imagem : Google imagens
Texto : Lígia Beuttenmüller
Direitos reservados

quarta-feira, 11 de março de 2009

SOS – INMETRO CANÔNICO E LEGISLATIVO



Alguém, por favor pode me indicar em qual texto bíblico, está inserida a excomunhão? Os dois tipos de excomunhão (pena) para os crimes (pecados) graves: a latae sententiae (automática, que dispensa um processo para sentenciar a excomunhão, como no caso do aborto, por serem delitos de altíssima gravidade) e a ferendae sententiae (decretada após um processo) foram estabelecidos por quem? Se fazem parte do Direito Canônico, foi escrito também por homens assim como as leis brasileiras, no tocante ao aborto em casos especiais, como esse da garota de Alagoinha. Cada um cumprindo o que a lei que eles mesmos (os homens) criam.
Dessa complicação toda, o que li na Bíblia, foi o que Jesus quis dizer quando Pedro lhe perguntou até quando deveria perdoar seu irmão, se até sete vezes. E Jesus responde: “Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete”. Mateus 18: 21-35
O Arcebispo Sobrinho mesmo tendo o curso de Doutorado em Direito Canônico, Especialização em Direito Canônico (1957-1960) além de Teologia Faculdade Carmelita, Roma / Itália (1953-1957), Filosofia Seminário Carmelita, São Paulo-SP (1951-1953) me parece ter esquecido dessa simples conta matemática ( aprendida no Ensino Fundamental) que Jesus tentou ensinar a Pedro. O arcebispo verbalizou em Rede Nacional a excomunhão dos médicos e da mãe da criança.
Por isso continuo à toa ou atéia . Não dá mesmo para ser humana e tentar a santidade vendo os representantes das religiões descumprirem o que Jesus ensinou. Portanto continuo fora da roda, quem sabe perceba melhor o que se passa. Certamente corro menos risco de ficar tonta e incorrer em incorporações de Deus.

NOTA:
Se no Direito Canônico o crime de estupro é mais leve do que o do aborto, não seria mais sensato tarar a balança de novo? Porque esse crime não será o último , outros pervertidos à essa hora estão praticando abusos em crianças nas igrejas, praças e nas casas. Em tempo, esse alerta se estende também aos políticos, para rever as leis de punição para todos os crimes praticados no Brasil.
Texto : Lígia Beuttenmüller
Imagem : Google Imagens

domingo, 8 de março de 2009

MARKETING EXCOMUNGATÓRIO



MARKETING EXCOMUNGATÓRIO

Nesses últimos dias a Igreja Católica está sendo evidenciada nas mídias, pelas declarações do Arcebispo Dom José Sobrinho.
Ele “pode” ser porta-voz da Igreja na excomunhão de profissionais da saúde, que sob o olhar médico decidiram pelo aborto, respaldados na lei criada pelos legisladores brasileiros e no Juramento de Hipócrates.
Porém, considero que o Arcebispo não atentou para o fato de que os médicos optaram pela vida sim, a vida de uma menina que não tinha compleição física para continuar com a gestação.
Persistem em mim algumas perguntas:
Por que as religiões entorpecem os neurônios de muitos? Elas criam leis para atender aos seus interesses internos, penso que quanto mais gente nasce, mas possibilidade há das igrejas ganharem dinheiro com batizados e casamentos. Aliás, a riqueza é abominada na Bíblia, mas no Vaticano tem até Banco para guardá-lo, e outras Igrejas tornaram-se impérios religiosos porque arrecadam muito, muito dinheiro.
Os religiosos citam que ” é mais fácil um camelo passar por um fundo de uma agulha, do que um rico entrar no céu” . E não venham falar em metáforas, pois quando os versículos (Mt 19,23-26; Lc 18,24-27) bíblicos dizem “rico” ele quer dizer “rico”, se Jesus quisesse dizer “aquele que tem apego as coisas matérias” estaria escrito “aquele que tem apego as coisas materiais”.
Outro questionamento é que sabidamente os chefes religiosos têm plano de saúde, e essa pobre menina irá depender do SUS (Seu Último Suspiro) para compreender, e sublimar tamanha tragédia em sua vida, em sessões semestrais e ficará velhinha até ser dispensada do tratamento, dada a distância entre as sessões terapêuticas. Os gêmeos tiveram sua “viagem apressada” pela lei dos homens, segundo o Arcebispo, mas deixa em mim certo alívio - foram para o céu- um lugar que os religiosos asseguram que é para os bons e inocentes, (afirmação dos que nunca foram lá).
Embora a maioria das pessoas fale tão bem do céu, não conheço ninguém que queira ir AGORA, eu, por exemplo… NUNCA!
Por que esses piedosos não oferecem um resgate digno para essa menina? O tratamento psicológico que o governo vai assumir não mata a fome nem a miséria, mas dinheiro sim.
Por que as Igrejas não começam a pagar impostos e estes passem a ser revertidos em ações para melhorar as condições humanas? Que tal um CPMF Episcopal?
A vida é ruim para os desprotegidos pela lei humana, porque o resultado da lei divina só será (?) conhecido no julgamento final, mesmo que alguns insistam em assustar aos menos avisados, eu na realidade nem ligo para esse tipo de informação!
Mas se a ida para o céu não dependesse da morte gostaria de ficar à porta para ver quem iria entrar, e certamente ficaria surpresa em ver muitos Corretores Celestes descendo na escada rolante que adentra ao inferno.

NOTA:Corretores Celestes - os que vendem terrenos aos fiéis, cuja propaganda da cidade celestial está no livro do Apocalipse 21:10. Eles vendem moradia por uma módica prestação mensal de 10% ou pelo tamanho do convencimento, sobre tudo que ganham (conheci uma senhora que dava a metade do salário). Morreu. Talvez um dia eu saiba se ela recebeu as chaves da morada.
TEXTO: LÍGIA BEUTTENMÜLLER
IMAGEM- GOOGLE IMAGENS

sexta-feira, 6 de março de 2009

QUANDO A EXCOMUNHÃO VIRA NOTÍCIA INTERNACIONAL





Bastou um Padre enviar uns profissionais éticos para o inferno , e a mídia tomar conta de tal fato.
Muito interessante a Igreja ilustrar através de um Padre sua ignorância histórica sobre esses arroubos de excomunhão!
Dom José Cardoso Sobrinho, coitado, esqueceu que o retorno do inferno para o céu, já foi reenvio pragmático de pelo menos um Papa , salvo engano João Paulo II, que deu o passe de retorno para Galileu Galilei depois de trezentos e cinqüenta anos de uma vida “infernal” – em 31 de Outubro de 1992 - .Como é fácil a Igreja Católica administrar essa ponte aérea Céu-Inferno.
O ilustre Dom José Cardoso, pega o passaporte dos infiéis e determina a viagem, sem escala , para o inferno, esquecendo que as leis de Deus foram escritas por homens. Ora , a cada Constituição modificam-se , incluem-se leis respaldadas nas necessidades da sociedade contemporânea de se organizar mais “justamente”.
Um padre cujo sobrenome é Sobrinho, é e pode ser parente de alguém, no entanto nunca foi pai, nem mãe de ninguém. A vítima é apenas uma criança de 09 anos que corre o risco de morrer, porque foi abusada por um excremento de gente , com instintos inomináveis de um homem mal projetado pela natureza e que se vale da impunidade para atender sua indecência sexual, estraçalhando uma vida, que nunca acreditará no amor, porque foi levada ao sexo antes de entender e viver o fascínio que essa emoção tão contagiante impele naturalmente para o prazer.
Admiro-me? Como um eclesiástico, levanta a bandeira da preservação da vida, numa gravidez de risco, onde a mãe pode morrer para dar a vida aos gêmeos. Pelo meu conhecimento bíblico, só um homem, dizem, deu a vida por nós.
Acho que esse Padre não leu a Bíblia toda, porque no Velho Testamento valia o fim, desprezando-se os meios, senão a Aldeia de Ur, não teria sido aniquilada, dizimada pelo propósito dos “Sem Terra Bíblicos” em se apossar da prometida Canaã. Naquela população quantas mulheres grávidas foram mortas pelo escambo de um pedaço de terra? Observe Padre sem dom, que a terra era do mesmo tamanho que é hoje, havia tanto espaço, que um dia eu nasci num lugar que não fazia parte do roteiro de Moisés.
Homem vá cuidar do rebanho que freqüenta a sua igreja , e reze, reze muito, para que o Padre que a administra seja na periferia ou no centro, em Roma ou na longínqua Alagoinha, não faça parte, nem seja inserido na lista dos padres pedófilos, tão comuns na história sangrenta da sua Igreja.
Em tempo, repito, não sou atéia, to é à toa nessa vida! Vivo fugindo da morte e das leis e dogmas que permeiam as religiões. FAÇO O BEM, OLHANDO SEMPRE A QUEM!

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Texto: Lígia Beuttenmüller - Direitos Reservados

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ANÁLISE LÉXICA OU BRINCADANDO COM OS SINAIS



Era domingo. Ele estava com os pseudo-neurônios rodopiando na cartilha onde morava , foi pensando em tanta coisa ao mesmo tempo que fez imensas paradas , analisando os sinais dos "porém’s" que iam surgindo em seus pensamentos.
Ia se surpreendendo e descobrindo como eles enobrecem a escrita. Passou a observar a funcionalidade deles nos textos e vê-los como vestimenta e adornos das letras escritas quando o sinal sobe para ¨apostrofar¨, e principalmente se esse mesmo sinal se junta para envolver de mistério a palavra nas aspas.
começou a fazer uma análise maluca sobre eles e foi se apaixonando pelas reticências, pelas exclamações e todos os outros, inclusive por si próprio.
Começou então sua análise pelos pontos finais, e conceituando que eles são representantes do término da busca, ou o início de novas partidas, ou ainda simbolizando os encontros quando se sobrepõem (:) , na chegada a alguma conclusão ou nas despedidas ao nunca mais.
Notou que cada vez que uma reticência aparece, parece que a gente está querendo mais fôlego para retroceder e voltar para onde nos perdemos, correr ou parar para pensar , ou ainda para permanecer remoendo esperanças.
Contemporizou... as vírgulas, são pontos com rabinho ou são rabinhos com cabeça? Elas servem para dar compasso ao ritmo textual, são amigas do ar pausado e quando se junta ao ponto se enche de justificativas. E quem não fica satisfeito em saber que as vírgulas, condicionam a parada para o entendimento de uma explicação?
Daí pensou na interrogação e... Acho que ela surgiu da exclamação, que de tanto perguntar foi se contorcendo, se inclinando... Para ouvir num intimismo as respostas, quase dando uma volta em si mesma, e como numa semi- introspecção apoiou- se num ponto para não perder a sua referência nem seu equilíbrio. Elas não se importam com as respostas recebidas se positivas ou negativas, e mesmo que sejam um sim, não se voltam para cima, não se desentortam , permanecem na dúvida (serão sábias ?).Lembrou-se então dela na grafia espanhola, elas se sentem tão sozinhas que uma fica de cabeça para baixo e a outra para cima olhando-se vesgamente, como se quisessem aprisionar a sonoridade da pergunta e se impor às respostas para não serem esquecidas.
Ele empurrou as idéias para outra página, ficou indeciso se pensava num “tom” grave, ou agudo, mas preferiu um hífem para causar um compasso da espera. Pegou um “chapéu” (^) convidou amorosamente o Ç e foi para a casa do til (~), sem tremër.
Ele, ele era apenas um Ponto( .) que brincando de escrever com uma vírgula ( , ) formavam um ( ; ).


P.S. Assim, os “pontos” representam nossas emoções na leitura que fazemos do mundo !
TEXTO E IMAGEM : Lígia Beuttenmüller
Direitos Autorais Reservados